Seria importante voltar em Chapecó, diz Ruschel antes de jogo contra Barça

Daniel Fasolin

Colaboração para o UOL, em Chapecó (SC)

  • Daniel Fasolin/Colaboração para o UOL

    Antes de viagem, lateral comemorou recuperação e prometeu viagem para competir

    Antes de viagem, lateral comemorou recuperação e prometeu viagem para competir

A volta de Alan Ruschel aos gramados está cada vez mais próxima. O jogador – um dos seis sobreviventes da queda do avião da LaMia que levava atletas, diretores e convidados para a final da Copa Sul-Americana de 2016 – voltará a jogar uma partida de futebol contra o Barcelona, no Camp Nou, nesta segunda-feira.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira na Arena Condá, em Chapecó, o jogador falou sobre sua recuperação, a apreensão pela volta e também as lembranças que tem deste período de recuperação física e psicológica.

"Claro que eu penso todos os dias sobre tudo o que ocorreu. Acordo todos os dias agradecendo por estar vivo e lembro sempre dos meus companheiros que se foram. Mas eu preciso continuar; tenho muita gente que depende de mim e será um sonho voltar a jogar", afirmou.

Ruschel havia solicitado a diretoria da Chapecoense para fazer sua reestreia com a camisa do clube diante da torcida chapecoense, mas diretoria e comissão técnica deram preferência ao jogo contra o Barcelona para promover sua volta. "Seria importante voltar em Chapecó, junto com a nossa torcida e também com a nossa comunidade. O mundo inteiro nos apoiou nos momentos difíceis, mas Chapecó e a região também fizeram parte disso. Eu devo muito a eles e seria importante, mas o fato de voltar a jogar supera o local", avaliou.

Jakson Follmann, outro sobrevivente da tragédia de novembro de 2016 em Medellín, também falou sobre o retorno de Alan. Além disso, citou sua nova função no clube, já que será o embaixador da Chapecoense no mundo.

"Para mim, é uma alegria muito grande participar dessa coletiva. Esse é um momento único para gente, e estou muito feliz com esse novo cargo que o clube me proporcionou. Essa volta é muito importante para todos - e para mim também, que estiva naquela tragédia. Conheço ele tem muito tempo e estou feliz ao ver meu irmão reestrear. Eu estarei em pé aplaudindo e chorando quando eles, Alan e Neto irão voltar a jogar. Tenho certeza que será um a prazeroso para mim ver ele voltar a jogar", disse o ex-goleiro.

Confira a entrevista coletiva de Alan Ruschel:

Reestreia

"Não precisa nem falar da minha felicidade em voltar a jogar e fazer o que mais amo. Essa coletiva é muito diferente daquela onde vim aqui e estava saindo do hospital. Estou realizando novamente mais um sonho. Pela segunda vez vou entrar em campo. Estou ansioso e com aquele frio na barriga."

Condição

"Sempre deixei claro para o clube que, a partir do momento que eu voltasse, eu não queria ser tratado com piedade. Sou mais um atleta que está no clube para ajudar. Eu me sinto em condições de competir, e graças a Deus eu tive a oportunidade de voltar a jogar. Eu repensaria o que fazer da minha vida se não estivesse apto a voltar a jogar."

Expectativa

"Eu estou treinando forte. Estou no mesmo nível dos jogadores que não estão jogando regularmente. Estou indo para lá para competir, sim. Estou feliz por jogar contra os melhores do mundo, e a expectativa para voltar a jogar em alto nível é grande na sequência do Brasileiro."

Gratidão

"Eu quero agradecer a todos na Chapecoense: fisioterapeutas, médicos e profissionais que me deixaram pronto para voltar. Não foi fácil, mas a gratidão é a maior virtude que o ser humano pode ter e eu não irei esquecer de todos que me ajudaram."

Força

"A força para voltar, para lutar e se recuperar veio de todos, dos profissionais que me acompanharam e que fizeram parte deste processo. Da minha esposa, que está em casa, e sempre esteve junto comigo e dos meus amigos que aqui hoje estão."

Recuperação

"Eu queria que minha saúde ficasse boa. Não coloquei prazo e nem sabia quando eu iria voltar. Primeiro me recuperei clinicamente e quero agora estou recuperado também fisicamente e tecnicamente."

Jogar por quem?

"Estarei jogando por todos que morreram, pela minha família, pelo Follmann. Vou honrar todos os meus amigos que se foram na tragédia e os honrarei eternamente. Muitos tinham esse sonho de jogar contra os melhores do mundo; vou realizar, mas sempre pensando em todos que me apoiaram."

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