Os desafios de Beckham para conseguir criar um time em Miami

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / Eduardo Munoz Alvarez

    Estádio para 25 mil pessoas sem estacionamento está nos planos de Beckham

    Estádio para 25 mil pessoas sem estacionamento está nos planos de Beckham

Faz tempo que David Beckham está tentando criar seu time de futebol em Miami. Embora conte com investidores e tenha apoio político, o astro inglês encara uma série de obstáculos para investir na liga que ele ajudou a subir de patamar quando se transferiu para os Estados Unidos, em 2007. Da dificuldade em comprar terreno para o estádio até a pressão de associação de moradores, Beckham enfrenta de tudo para fazer o Miami Beckham United sair do papel.

A Major League Soccer, principal liga norte-americana de futebol, deve votar em breve a criação do time. A ideia favorece a liga e seu plano de contar com 28 equipes até 2020 – a de Beckham, se aprovada agora, seria a 24ª. Mas até outras cidades que querem investir em franquias na MLS reclamam de Beckham.

O motivo? Quando se transferiu para o Los Angeles Galaxy em 2007, Beckham teve a promessa de que, se ficasse cinco temporadas no futebol do país, poderia investir em um novo time na liga pagando uma taxa de US$ 25 milhões. Na época, o valor animava os dirigentes. Atualmente, com o campeonato muito mais valorizado em relação há dez anos, essa taxa está em US$ 150 milhões para os demais interessados.

Dirigentes, no entanto, argumentam junto aos insatisfeitos que, assim como fez nos tempos de jogador, o inglês poderia alavancar ainda mais o sucesso da MLS, atraindo investidores e jogadores estrangeiros.

Outras dificuldades surgiram de Miami. Primeiramente, Beckham não conseguiu concluir a compra do terreno para a construção do novo estádio nas três opções que mais lhe agradavam. Restou, então, Overtown, bairro à beira do Rio Miami conhecido por sua força no comércio local entre a população negra.

Mas um bairro vizinho já está reclamando. A associação dos moradores de Spring Garden, região residencial e silenciosa, prevê trânsito e barulho por culpa dos jogos e possíveis shows no novo estádio. "As pessoas do futebol dirão que são só 15 jogos por ano, mas achamos que haverá muitos eventos e não queremos isso no nosso quintal", protestou Ernest Martin, ex-presidente da associação local, ao "The New York Times".

Para superar esses problemas, Beckham precisará de apoio dos políticos locais. E está indo bem. Afinal, desde o início de seu projeto, o inglês foi avisado que não teria nenhum centavo de incentivo público para o novo estádio. E mesmo assim, contando com fortes investidores, garante que levantará o estádio para 25 mil pessoas apenas com financiamento privado.

Outro desafio referente ao estádio está no projeto do mesmo: ele não prevê estacionamento. A ideia é que os torcedores usem as três estações de trem da região ou caminhem 15 minutos vindos de outras regiões com estacionamento.

O plano enche os olhos de urbanistas, mas tem um porém: o carro está fortemente enraizado na cultura da população de Miami, acostumada a se locomover com veículos privados. Além disso, há as altas temperaturas durante o ano e as pancadas de chuva. Mas os responsáveis pelo estádio apostam no perfil jovem do torcedor que seria atraído pelo novo time.

E aí está o último obstáculo para o sucesso do Miami Beckham United: o baixo interesse da população local pelo futebol. Boa parte dos moradores de Miami é de origem latina, mas desprezam o futebol norte-americano, acompanhando seus times de coração. Beckham, no entanto, confia no time que pode montar para levar a torcida ao estádio. E poucos duvidam do seu poder para negócios.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos