Milton Mendes incomoda elenco do Vasco, que se reúne após cobranças "duras"

Bruno Braz e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • NEWTON MENEZES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Ambiente do técnico Milton Mendes com elenco vascaíno no vestiário não é bom

    Ambiente do técnico Milton Mendes com elenco vascaíno no vestiário não é bom

Não é nada bom o clima no vestiário do Vasco. Milton Mendes e elenco parecem já não falar mais a mesma língua. Neste sábado (5), jogadores se reuniram sozinhos, sem a presença de membros da comissão técnica, para debater a insatisfação com o comandante. O grupo não esconde o incômodo com a maneira como o professor trata alguns atletas.

A situação se agravou nos últimos dias, após situações delicadas com o lateral Madson e o zagueiro Jomar. Ambos estão barrados do jogo deste domingo (6), contra a Ponte Preta, pela sequência do Campeonato Brasileiro. O corte dos dois foi o estopim para o grupo.

Madson foi barrado do jogo contra o Cruzeiro, no meio da última semana, e ficou fora dos planos para domingo. O motivo: uma indisciplina curiosa. Na "cartilha" de Milton, é proibido sentar durante os treinos – seja no chão, na bola, em uma cadeira ou em qualquer outro acessório. E o lateral acabou cometendo tal "erro" durante uma das atividades realizadas em Pinheiral, interior do estado do Rio de Janeiro, na última semana: sentou sobre um galão d'água em um intervalo do coletivo.

Milton não gostou e levantou a voz com o comandado. Sempre elogiado pelo jeito tranquilo, Madson não gostou da maneira como o treinador e respondeu, dizendo que tinha apenas esquecido a orientação e não teria feito por mal. Ainda assim, o chefe alongou a discussão e deixou o ambiente entre os dois pesados.

Paul Fernandes/Vasco.com.br
Madson (foto) acabou barrado por descumprir ordem curiosa de Milton Mendes

Outro barrado insatisfeito é Jomar. Com dores no tornozelo, ele ficou fora da partida contra o Cruzeiro e foi criticado por Milton na frente de todos. Na opinião do técnico, o atleta tem que ir para a partida mesmo com dores. Neste sábado, após treinar normalmente e sem incômodos, foi barrado, em mais uma decisão controversa que surpreendeu elenco e parte do estafe do futebol cruzmaltino.

A comissão técnica, no entanto, se defende e diz que Jomar não está completamente recuperado. Além disso, para o comando do time, o zagueiro não seguiu o protocolo correto de tratamento, prejudicando a recuperação da lesão e até a preparação do time - visto que seu substituto, Lucas Rocha, jogou contra o Cruzeiro sem treinar com o grupo. Milton se irritou que o jogador "segurou" a informação, não contou das dores com antecedência e impossibilitou que Lucas treinasse entre os titulares.

Os dois casos serviram como estopim para uma insatisfação geral do elenco, que já vinha se incomodando com alguns comportamentos de Milton. Recentemente, ele brigou com outro nome do elenco: o atacante Manga Escobar. O colombiano cometeu um erro de posicionamento, acabou levando uma bronca e não gostou do tom do professor.

Na visão do grupo e de alguns membros da comissão, a "dura" nos três ocorreu de maneira desproporcional, como em várias outras ocasiões.

Marcelo Sadio/Vasco.com.br
Zagueiro Jomar também foi barrado por Milton e aumentou insatisfação do elenco

Os episódios recentes incomodaram alguns líderes do elenco, que decidiram pela reunião deste sábado para comentar os episódios recentes e pedir que os mais novos não "abaixem a cabeça" em cobranças consideradas exageradas de Milton Mendes. O grupo ainda questiona a alternância de humor do comandante, que ora se mostra "fechado" com o grupo e em outros momentos "estoura" sem grandes motivos, em situações apontadas como "ignorantes".

Mais problemas com Milton no elenco

As discussões com Madson, Jomar e Escobar reforçam a indisposição recente do treinador com o elenco vascaíno. Anteriormente, Milton Mendes teve problemas com Rodrigo, que deixou o clube, e Nenê, que busca uma proposta para seguir o mesmo caminho.

Procurado pela reportagem para comentar os episódios, o comando do departamento de futebol vascaíno classificou as cobranças como "normais" e disse não haver polêmica no vestiário.

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