Cria do SP, Ademilson vira celebridade no Japão e gera até venda de ursinho

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Instagram

    Ademilson é destaque do Gamba Osaka

    Ademilson é destaque do Gamba Osaka

Destaque na base do São Paulo e artilheiro brasileiro do Mundial sub-17 de 2011, Ademilson não emplacou no time principal do São Paulo e foi contratado pelo Gamba Osaka, do Japão, em outubro de 2016. E agora, com as boas atuações dentro de campo, o atacante acabou se tornando celebridade no país asiático com direito a uma legião de fãs que compram produtos como ursinhos de pelúcia e brincos com o nome do jogador.

"É diferente do Brasil. Aqui eles costumam fazer bastante marketing com os torcedores, os jogadores têm os seus próprios produtos. E isso é muito bom. Temos eventos para as torcidas, visitamos hospitais, vamos em shoppings... E toda vez que o jogo é de final de semana, nós temos três dias de treinos abertos e sempre damos autógrafos. São bem legais esses eventos", explicou o atleta em entrevista ao UOL Esporte.

Reprodução
Ademilson caiu nas graças da torcida do Gamba e o clube aproveita isso para fazer diversas ações de marketing com o brasileiro. Nas redes sociais é possível notar a grande quantidade de fãs: crianças que fazem desenhos do atleta, camisas com o nome e número do atacante, brincos, chaveiros, broches e até ursinhos de pelúcia.

Tudo isso o faz se sentir muito à vontade num país que, além de longe, tem cultura e idioma muito diferentes do Brasil. Ademilson destaca que essa proximidade com os torcedores ajudou na adaptação ao Japão.

"Estou me identificando muito com o time, com o país. Às vezes, as pessoas acham que é complicado morar aqui por causa da cultura, do horário, mas é muito fácil de adaptar. Eu estou muito feliz. O pessoal aqui gosta de mim, são muito educados. E eu procuro sempre corresponder, porque é tranquilo mesmo. O pessoal gosta de brasileiro", comentou Ademilson.

Mas esse sucesso com os japoneses também se deve às boas atuações dentro de campo. Ele joga na Ásia desde 2015, quando vestiu a camisa do Yokohama Marinos. Em seguida ele passou um período emprestado pelo São Paulo ao Gamba e teve seu contrato definitivo em outubro de 2016.

No ano passado, o atacante que veste a camisa 9, atuou em 40 partidas, balançou a rede em 13 oportunidades e foi o artilheiro do time em 2016. Nesta temporada de 2017, Ademilson teve uma lesão no músculo adutor da coxa direita , mas já retornou e em 27 jogos marcou seis gols.

"Hoje não penso em voltar para o Brasil. Claro que um dia sim. Mas hoje estou focado no time. Tenho esse semestre e ainda mais dois anos de contrato que firmei no ano passado, então meu pensamento é aqui. Quero ganhar títulos ao clube e oferecer o que o time espera de mim quando me contratou", falou o jogador.

E apesar de ser muito identificado com o clube, o país e a torcida, Ademilson acredita que, para chegar à seleção brasileira principal é preciso evoluir mais.

"Com certeza penso no Brasil. Não somente chegar lá, mas como se firmar e ser convocado sempre. Apesar disso, sei é distante e que ainda preciso melhorar bastante para isso, estar mais em evidência em outro clube, Europa".

Horários opostos não impedem Ademilson de acompanhar o São Paulo

Reinaldo Canato/UOL
Ademilson foi promovido em 2012 ao time principal do São Paulo como promessa de craque após o sucesso na seleção brasileira sub-21. No entanto, ele nunca conseguiu se transformar em realidade no tricolor e, por isso, mudou-se para o Japão. E, mesmo assim, ele não deixou de acompanhar seu 'time de infância'.

"Desde pequeno joguei no São Paulo. Fiz testes em outros clubes, mas sempre preferi ficar por lá. Hoje eu estou sempre assistindo, acompanhando. Às vezes o horário não ajuda, por causa do fuso. Mas sempre estou acompanhando", falou Ademilson, que lamentou a má fase são-paulina

"A situação de agora está difícil. É difícil de entender. Mas acho que em pouco tempo se resolve. Já estão alcançando bons resultados. Então acho que logo vai sair dessa", completou.

Família presente

Reprodução/Instagram
A comida brasileira não saiu do cardápio de Ademilson, mas como não leva jeito com as panelas, ele conta com uma ajuda especial. O gostinho do Brasil no Japão é realizado por sua família que, por causa de questões burocráticas, reveza-se de três em três meses entre namorada, irmã e mãe.

"Elas que acabam cozinhando para mim, porque não levo jeito nenhum para isso. Aqui tem sites de mercados que vendem comida brasileira, feijão e tudo mais, aí elas cozinham para mim. E quando como fora não é muito complicado, porque tem bastante daqueles restaurantes americanos e tal. Não é difícil", disse.

A família também sempre acompanha os jogos de Ademilson no estádio. O atacante contou um episódio no qual eles até passaram por um susto no meio de uma partida.

"Em 2015 teve um terremoto durante um jogo. Do gramado não deu para sentir nada, só quem estava no alto da arquibancada mesmo. Mas aqui é muito comum ter. Só que esse que teve foi um pouquinho mais forte, aí o jogo teve que parar. Eu não estava entendendo muito, mas aí o intérprete falou que o aviso era que o jogo estava parado pelo terremoto. Tem que esperar passar. Minha família estava me assistindo da arquibancada e tomou um susto, né. Eles saíram correndo para o lado e para outro, ficaram desesperados. E quando voltaram para o lugar, estavam os japoneses morrendo de rir deles, porque eles estão muito acostumados, é normal para eles", contou.

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