Atlético-PR completa três anos na nova Arena: veja números e desafios

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Site Oficial CAP

    Atlético completa três anos de volta à nova Arena da Baixada

    Atlético completa três anos de volta à nova Arena da Baixada

O Atlético-PR completa neste domingo (3) três anos desde que voltou à Arena da Baixada após o período de obras para a Copa 2014. O estádio é um símbolo do clube, tanto pelos anos de peregrinação entre Pinheirão, Couto Pereira e Vila Capanema, quanto pela vanguarda de ter sido o primeiro, ainda em 1999, a inaugurar um conceito agora comum no Brasil.

Nesse curto período, muita coisa mudou para o Atlético-PR e sua nova casa. Da grama sintética a negociação pela dívida da obra do estádio, veja cenário que o Furacão tem que administrar:

Um pouco de história

O Estádio Joaquim Américo Guimarães só ganhou o nome de Arena da Baixada em 1999, na reconstrução mais simbólica de todas as cinco que a praça teve. Primeiro estádio com arquibancadas do Paraná, a Baixada já existia antes do Atlético. Joaquim Américo era presidente do Internacional, clube que fez fusão com o América em 1924 para formar o Furacão. Foi erguido em 1914 e passou pela primeira grande reforma em 1967, quando ganhou o formato que ficaria até 1986.

Reprodução/Livro CAP Paixão Eterna
A velha Baixada, antes da reforma dos anos 90

Na ocasião, por iniciativa do ex-presidente do clube e da Federação Paranaense Onaireves Moura, o Atlético foi para o Pinheirão, com um projeto de ser "o Maracanã Paranaense". O estádio não "pegou" entre a torcida e o clube foi minguando até mergulhar na Série B nacional e viver um jejum de títulos. Em 1994, capitaneado pelo ex-presidente José Carlos Farinhaki, decidiu abandonar o Pinheirão e retornou à Baixada, remodelada. Mas foi em 1999 que se deu o grande salto, com a vinda do conceito de Arena para o Brasil.

Mario Celso Petraglia visitou o Manchester United e se inspirou no Old Trafford para demolir a velha Baixada e erguer a Arena. Ali, o Atlético viveu seus melhores anos, com a conquista do título brasileiro de 2001, um tricampeonato estadual até então inédito e participações na Libertadores, incluindo um vice-campeonato em que não pode atuar em seu estádio na decisão. Quando houve a confirmação da Copa 2014 para o Brasil, o Atlético entrou no projeto para mais uma vez reformar a Arena, deixando-a no formato atual.

A dívida

Reprodução
Mario Celso Petraglia, liderança atleticana

O Atlético está pressionado pela discussão judicial do acordo tripartite para a construção da Arena da Baixada. O clube tem hoje uma hipoteca no valor de cerca de R$ 300 milhões sobre o estádio. A Fomento Paraná, banco estatal que fez o aporte do financiamento via BNDES para a obra, tem promissórias do clube sobre essa dívida, já com valores atualizados – originalmente, eram de 263 milhões.

Em dezembro passado, quando da saída de Gustavo Fruet da Prefeitura de Curitiba, o então prefeito assinou um decreto permitindo o repasse dos títulos de Potencial Construtivo para a Fomento Paraná como garantia de pagamento. Esses títulos alcançam somente o valor de R$ 184 milhões assinados em contrato e não a diferença do custo final da obra, o que é objeto de disputa judicial.

O Atlético quer que Estado e Prefeitura dividam o custo também dos cerca de 200 milhões excedentes do orçamento. Politicamente, Petraglia tinha o sim do governador do Paraná, Beto Richa, mas não conseguiu mobilizar Fruet na Prefeitura da capital. Com a mudança de Governo, tinha expectativa. Só que um dos primeiros atos do novo prefeito Rafael Greca foi revogar o decreto de Fruet, o que colocou o Atlético contra a parede. Para desafogar o Atlético, a proposta que se discute é o pagamento imediato de R$ 18 milhões para a Prefeitura (de um total de R$ 25 milhões), equivalente ao valor das desapropriações feitas para a obra na Arena.

Além disso, o clube ofereceria em comodato o prédio construído para a imprensa e que está subutilizado na Arena. Ele abrigaria secretarias da Prefeitura por um período de 5 a 10 anos, em negociação. Em contrapartida, Greca assinaria novo decreto liberando os papéis de Potencial Construtivo dentro dos 180 milhões à Fomento Paraná, de maneira a tirar o estrangulamento de capital do clube.

O desempenho

Cleber Yamaguchi/AGIF
São Paulo e Paraná, os que mais perderam na Arena da Baixada pós-Copa

Desde que venceu o América-RN no dia 3 de setembro de 2014 pela Copa do Brasil, 2 a 0, o Atlético fez 105 jogos na nova casa. Foram 58 vitórias (55,2%), 27 empates (25,8%) e 20 derrotas (19%). As maiores vítimas no período foram São Paulo e Paraná, derrotados nas três visitas ao palco da Copa 2014. O Grêmio é o maior carrasco até aqui, com três vitórias e uma derrota em quatro jogos na Arena. Foram cinco Atletibas desde a reinauguração do estádio, com equilíbrio total: duas vitórias para cada lado e um empate. Além do Coxa, só o Flamengo visitou tanto a nova Baixada, com cinco jogos, três vitórias atleticanas e dois empates.

Os desafios

Heuler Andrey/AFP
Santos venceu o Atlético na Vila Capanema: Libertadores fora da Arena

Além do pagamento da dívida, o Atlético tem quatro desafios urgentes na nova casa: voltar a conseguir um naming rights, atributo que foi colocado inclusive como garantia de pagamento do estádio; equilibrar a necessidade de eventos ao calendário do clube, que já se viu obrigado a sair do estádio em momentos chave; melhorar a presença de público, abaixo de 50% da capacidade; e, uma tarefa na base da política, manter a grama sintética após o veto para o Brasileirão 2018, votado no arbitral deste ano.

A Arena da Baixada foi o primeiro estádio do Brasil a contar com naming rights: Kyocera Arena. O contrato com a fabricante de eletrônicos coreana durou três anos, entre 2005 e 2008, e rendeu cerca de US$ 3 milhões pelo período. Uma vez encerrado, o clube não conseguiu mais vender o patrimônio no mercado. Recentemente, a comunicação do Atlético mudou a estratégia e tem divulgado o nome do estádio como Estádio Atlético Paranaense, segundo os dirigentes, numa nova tentativa de conseguir vender a marca.

Em três ocasiões desde a reinauguração o Atlético já teve de sair de seu estádio para atuar na casa dos rivais Coritiba e Paraná Clube, por aluguel, para poder faturar com eventos em sua Arena. Em 2015, sem maiores traumas exceto a derrota em campo, atuou contra o Grêmio no Couto Pereira (1 a 2) por conta da realização do show do cantor britânico Rod Stewart. No ano seguinte, para liberar o estádio para o show do cantor lírico Andrea Bocelli, venceu o Coritiba na Vila Capanema por 2 a 0. Nesta ocasião as reclamações foram fortes, pois o clube teve de sair de sua casa justamente contra o maior rival. O Atlético aumentou o valor dos ingressos para essa partida e recebeu um não do Coxa pela sua carga, além de ver evasão de seus próprios torcedores, revoltados com a escolha. O público na Vila foi de 6.684 pessoas.

O trauma maior, porém, se deu em 2017. Para receber a Liga Mundial de Vôlei, o Atlético abriu mão de jogar contra o Santos pelas oitavas da Libertadores na Arena. Apresentou publicamente um acordo com o Coritiba para mandar esse jogo no Couto Pereira, mas a diretoria coxa-branca, pressionada pela torcida, desfez o trato e manteve uma reforma no gramado. O Atlético chegou a ir à Justiça pelo contrato que tinha com o rival, mas teve de jogar mesmo na Vila Capanema para um público reduzido, menor que o quadro associativo que possuía a época, 24 mil pessoas – o estádio comporta quase 18 mil. Em campo, derrota por 2 a 3 e pressão total contra a diretoria e o ex-técnico Eduardo Baptista, que acabou saindo pouco depois.

Uma das grandes reclamações dos torcedores se dá na gestão do estádio, feita pela CAP S/A, uma empresa que fez a gestão da obra da Arena e que tem entre seus diretores o engenheiro Luiz Volpato, genro de Petraglia, além do próprio presidente do Conselho Deliberativo, que está afastado do cargo até dezembro por opção própria. A CAP S/A é quem faz toda a administração do estádio, como no caso da Liga Mundial, em que Volpato conduziu o processo que teve um custo aproximado de R$ 4 milhões para realização e uma arrecadação em torno de R$ 6 milhões, com os quase R$ 2 milhões de lucro partilhados desproporcionalmente entre FIVB (Federação Internacional de Voleibol), CBV (Confederação Brasileira) e Atlético. Estima-se que o clube, que não revela valores, tenha arrecadado cerca de R$ 500 mil com o evento.

Robson de Lazzari

A média de público do Atlético em 2017 é a 6ª da Série A, com 15.685 pagantes por jogo, uma ocupação média de 39% da capacidade do estádio, 40.305. Se contar os jogos pela Libertadores, Copa do Brasil e Paranaense, a média sobe um pouco, 16.106, mas cai para a 10ª entre todos os clubes do País no ano. Na bilheteria, o ingresso mais barato custa R$ 100 em setembro de 2017, com direito a meia-entrada. Com a última divulgação de sócios girando em torno de 24 mil, todos com acesso livre nos jogos, o clube agora enfrenta uma evasão de sócios por conta da exigência do cadastro biométrico, que irá limitar o repasse de cadeiras por parte de associados que possuam mais de uma. Uma das reclamações públicas de Petraglia era contar com 40 mil sócios em dia para gerir o clube.

Por fim, o clube terá até o arbitral do Brasileirão 2018 para conseguir demover opositores de manterem o veto à grama sintética, votado no início de 2017 a partir da iniciativa de Eurico Miranda, presidente do Vasco. Nos bastidores, o Atlético faz lobby junto aos clubes da Série A para mostrar que o gramado é necessário por conta das condições climáticas de Curitiba, que não tem impacto nenhum na performance e que é seguro para os atletas. O Atlético diz informalmente que já conta com os apoios de Coritiba, Palmeiras, Santos, Bahia, Sport e Ponte Preta para retirar o veto.

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