Como é a vida de um clube que não precisa vender? O Palmeiras explica

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Fabio Menotti/Ag Palmeiras/Divulgação

    "Fator Crefisa" ajudou o Palmeiras a segurar qualquer movimentação do mercado

    "Fator Crefisa" ajudou o Palmeiras a segurar qualquer movimentação do mercado

Dono dos maiores investimentos no futebol brasileiro em 2017 e com poder de compra forte, o Palmeiras encarou uma realidade diferente dos concorrentes também na venda de jogadores. O atual campeão brasileiro se deu ao luxo de passar quase ileso no mercado de transferências, muito graças ao poderio financeiro adquirido nos últimos anos e ao patrocínio "acima do mercado" da Crefisa. Mesmo sem o sucesso esportivo de Corinthians e Grêmio, o time presidido por Mauricio Galiotte sobrou nesta questão em comparação ao rival e aos gaúchos.

Dentre os titulares e peças importantes na conquista do Brasileiro do ano passado, o clube alviverde perdeu apenas Vitor Hugo para a janela de verão europeia. A Fiorentina-ITA pagou pouco mais de R$ 28 milhões para contratar o zagueiro titular da equipe no ano passado. De resto, só atletas da base como Iacovelli, Vitinho e Gabriel Barbosa saíram.

É um cenário muito diferente de Corinthians e Grêmio, por exemplo, líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro. O arquirrival recusou quase R$ 90 milhões em propostas pelos seus destaques apostando no sucesso esportivo, mas a ausência de uma grande venda já gera reflexos nos cofres do clube. Nomes como Rodriguinho e Guilherme Arana, destaques na campanha, permaneceram no clube apesar do assédio - especialmente sobre o segundo.

Victor Salgado/FCB
Emprestado ao Barça B, Vitinho pode gerar lucro de mais de R$ 50 mi no ano que vem

Já os gaúchos, cientes da situação financeira delicada, tentaram a todo custo uma transferência lucrativa e acabaram cedendo Pedro Rocha ao Spartak Moscou por R$ 45 mi – justamente a maior venda da história do clube e responsável por superar a meta estabelecida pela diretoria para a temporada 2017. Luan, quem mais gerou interesse durante a janela - ainda mais pela recente convocação para a seleção -, recusou atuar no futebol russo e permaneceu no Rio Grande do Sul.

O Palmeiras hoje não precisa da venda de jogadores para seguir saudável financeiramente. Pelo contrário. Atualmente, é um clube sustentável, como analisam especialistas em finanças do futebol. Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, vê o papel da Crefisa como essencial para esta "saúde" palmeirense.

"O Palmeiras não tem a necessidade de vender jogadores como outros clubes porque, aparentemente, pelos números que apresentam, tem apoios externos. Primeiro que em 2016 teve a maior venda de jogadores de sua história, com mais de R$ 80 milhões do Gabriel Jesus. Agora entra com patrocínio inflacionado, mais que outros clubes", explicou Amir Somoggi ao UOL Esporte, antes de detalhar a importância da Crefisa.

Mesmo sem o sucesso esportivo de Corinthians e Grêmio – um é líder do Brasileiro e o outro briga pelo título nacional e da Copa Libertadores -, o Palmeiras segue financeiramente "sobrando". Como mostra o Blog do Marcel Rizzo, o futebol em 2017 teve um crescimento de 23,5% entre janeiro e julho, em comparação ao mesmo período de 2016.

Divulgação/Fiorentina
Apenas Vitor Hugo, do grupo campeão brasileiro no ano passado, saiu nesta janela

O superávit somente do futebol alcançou a casa dos R$ 35 milhões nos sete primeiros meses de 2017. Número também maior do que no ano passado, quando o departamento palmeirense alcançou um balanço positivo de R$ 32,4. O lucro tem a ajuda da Crefisa, que elevou o patrocínio mensal em quase R$ 2 milhões ao assinar o novo patrocínio, no início do ano.
 
"O apoio da Crefisa para o departamento de futebol, até com pagamento de salários – e falta transparência nisso -, ajuda muito. Com este dinheiro a mais que os outros não têm, o Palmeiras, como o Fluminense na época da Unimed, é um clube comprador ao invés de vendedor", declarou.
 
Opinião parecida a de Somoggi tem Cesar Grafietti, superintendente de crédito do Itaú BBA e responsável por um estudo completo das finanças dos clubes brasileiros. Cesar enxerga o Palmeiras "sustentável" mesmo sem a inflação gerada pelo patrocínio da Crefisa, mas admite a importância da patrocinadora.
 
"O Palmeiras não tem a necessidade da venda para fechar as contas. Tem bom volume como receita de TV consistente, patrocínio relevante, bilheteria forte, sócio-torcedor forte. No ano passado vendeu mais atletas e fechou com geração de caixa de R$ 100 milhões. Se não vender mais este ano e manter as mesmas condições, teria uma sobra de caixa ainda de R$ 50 mi. A estrutura não depende da venda", argumentou Grafietti, que enxerga somente um clube em condições iguais.
 
"Acho que o Flamengo também. Hoje são os dois clubes que não precisam vender atletas. O Flamengo praticamente não teve venda de atleta nos últimos anos, com exceção ao Vinicius Junior agora, e gera caixa nas mesmas condições, com receita de TV grande e uma bilheteria OK", comentou.
 
O peso da Crefisa nesse cenário varia de acordo com os analistas. Amir entende que sem a patrocinadora o Palmeiras "possivelmente não estaria nesta situação de não vender ninguém". Já Grafietti entende que o modelo se sustentaria, talvez precisando vender "um atleta ou outro, mas nada de outro mundo", como mostra o estudo feito pelo Itau BBA no último mês de junho.

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