Ramon supera polêmica no Vasco e revela post de torcedor que o fez refletir

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Paulo Fernandes / Site oficial do Vasco

    Torcedor para Ramon: "Independente do que ocorreu, você nasceu para jogar no Vasco'

    Torcedor para Ramon: "Independente do que ocorreu, você nasceu para jogar no Vasco'

De todos os reforços anunciados pelo Vasco na temporada, nenhum causou tanta discussão e posições antagônicas como Ramon. Campeão da Série B de 2009 e da Copa do Brasil de 2011 pelo clube, ele foi do céu ao inferno com os cruzmaltinos ao se transferir para o Flamengo, em 2012, e destilar frases polêmicas e críticas ao seu ex-time. Com direito a pedido de desculpas em sua chegada a São Januário, assumiu a lateral esquerda, manteve a regularidade no Campeonato Brasileiro e decretou de vez a paz com a torcida ao fazer o gol da vitória no clássico com o Fluminense. Ao UOL Esporte, ele citou um comentário de um torcedor nas redes sociais que o fez refletir:

"Me escreveram uma coisa que me marcou muito. Não lembro quem foi, tinha de ter dado um print. Essa pessoa escreveu assim: 'Ramon, independente do que aconteceu, parece que você nasceu para jogar no Vasco'. E eu concordo, porque aqui é onde me sinto em casa, onde me sinto confiante. Os funcionários são quase todos da minha época, sempre tive um carinho muito grande e fui sempre muito bem tratado por eles. As pessoas respeitam a história de cada um aqui dentro e isso me fez sentir acolhido. Hoje eu vivo em paz e foi aqui no Vasco que eu a encontrei. Minha filha pôde me ver jogando no Maracanã fazendo um lindo gol. Isso não tem preço. A fase que eu estou vivendo, espero manter muito tempo. Espero terminar o campeonato com a vaga na Libertadores, que é nosso objetivo", disse o lateral, em entrevista exclusiva.

Luciano Belford/AGIF

Se vendo mais maduro com a passagem de quatro anos no futebol da Turquia e com o nascimento de sua filha Antônia, Ramon não recrimina quem o criticou. Se coloca no lugar, aceita, mas considera o episódio de cinco anos atrás como página virada. Feliz no Vasco, tem planos de permanência por muito tempo em São Januário.

"Aquelas coisas foram em rede social. Hoje em dia todo mundo é machão por lá, mas na minha frente ninguém nunca falou nada. Pelo contrário, nas minhas férias no Brasil todo mundo falava para eu voltar ao Vasco e isso também me fez querer voltar. Sabia que muitos torcedores iriam me criticar e, se eu fosse torcedor, me colocaria no lugar deles e também teria um pé atrás. Mas foi como eu falei: nada do que dissesse iria adiantar. A prova teria de ser no campo. Claro que é muito pouco o que fiz até agora. Me cobro bastante e sei onde chegar e como posso chegar. É só o começo. Espero ficar por muitos anos aqui. Fiz um contrato até o fim do ano, mas com opção de mais dois. Espero ficar mais que esses dois anos", disse.

Ramon será titular mais uma vez na partida deste sábado, às 18h, quando o Vasco receberá o Grêmio em São Januário com os portões fechados.

Veja abaixo outros tópicos da entrevista exclusiva:

Vida na Turquia

"Culturalmente também foi muito importante. Não é só ir lá ganhar dinheiro, voltar e acabou. Tenho amigos, sou muito querido lá, muito mais que aqui, e isso faz com que eu carregue a Turquia comigo. Tenho até uma tatuagem de Istambul (cidade turca). Vou carregar para o resto da minha vida porque a Turquia mudou minha vida completamente".

Aprendeu a falar inglês

"Eu aprendi lá. Quando fui era totalmente solteiro, hoje namoro há três anos. Então tinha de viver lá. Eu cheguei na Turquia e falava zero de inglês, turco muito menos. Então comecei a fazer amigos lá. No meu primeiro time tinham portugueses que me ajudaram. Fora o fato de que Istambul é incrível e isso facilitou para que eu me adaptasse. E aí eu comecei a sair para jantar, arriscar algumas palavras... Tem um amigo meu que é capitão da seleção do Canadá e ele que me ensinou inglês. Quando os portugueses foram embora, eu falei: 'Pronto, agora eu vou ter de me virar sozinho. Ou eu aprendo inglês agora ou vou ficar em casa sozinho'. Então falei para o canadense: 'Quero aprender inglês, conversa comigo como se você fosse conversar normal'. Pedia para ele me avisar quando eu errasse. E aí fui pegando as palavras. Claro, não falo fluente, mas se tiver de dar uma entrevista em inglês, consigo me virar. Em qualquer parte do mundo que você me largar, eu me viro. E isso fez com que eu tivesse mais amigos".

Reprodução / Instagram
Lateral esquerdo Ramon em ação pelo Antalyaspor, da Turquia

Gerações de 2009 e 2011 do Vasco

"Foi uma fase muito boa. Eu, Rodrigo Pimpão, Nilton, Fagner, Dedé, Anderson Martins... Nós éramos muito jovens naquela época (2009). Tínhamos 20 e poucos anos. A gente viveu esse Rio de Janeiro bem naquela época. Aprontamos bastante (risos). Mas acho que é normal da idade. Não posso, com 29 anos, viver a vida que tinha com 20. Tudo são fases e a gente viveu muito bem essas fases. Hoje ver o Fágner (lateral do Corinthians) na seleção é incrível. Jogador que eu sei o quanto treina e trabalha para estar lá e que superou desconfiança. Vê-lo com uma vaga encaminhada para a Copa do Mundo é como se eu estivesse lá. Fico muito feliz. Em 2009 foi o ano que tivemos mais dificuldades aqui no Vasco. Chegamos a ficar com quase quatro meses de salários atrasados (gestão de Roberto Dinamite). E mesmo assim a gente não reclamava porque sabia que vestir essa camisa faria o diferencial para nossa carreira, tanto que fez. Todo mundo cresceu, está bem em seus clubes".

Liderança atual

Paulo Fernandes / Flickr do Vasco

"Vejo da seguinte forma: não é porque vou chamar a responsabilidade que quero ser capitão. Eu respeito a hierarquia, mas não posso jogar a responsabilidade para o Mateus Vital, Paulo Vitor ou Paulinho, por exemplo. Eles têm 17 anos. Estão começando a carreira ainda. Não tem nem 50 jogos como profissionais. Quem tem que chamar sou eu, o Anderson Martins, o Martín Silva...".

Volta ao Vasco mesmo com contrato até o fim do ano na Turquia

"Primeiro por saber que tinha a oportunidade de voltar para o Vasco. Sempre senti no fundo do meu coração que um dia eu voltaria. O fato também de eu ter que me retratar sobre coisas que eu nem quero mais falar porque já passou... Me senti no dever de voltar. Muitos julgaram que eu voltei porque ia ganhar bem, mas não. Lá eu ganhava três vezes mais que aqui. Eu voltei para jogar, estar perto da minha família... Estou com 29 anos, acho que estou no auge da minha maturidade física. Aqui estou perto da minha filha. Fiquei quatro anos longe dela. Bom para ela saber o que eu fiz, onde eu joguei. Os meus pais também começaram a viver mais minha carreira, minha namorada, que não sabe nada do que é o futebol (risos). Bom para ela sentir como é minha vida. Isso que me motivou também a voltar. E a missão de título. O Vasco teve anos difíceis e não merece estar nessas posições. O Vasco tem obrigação de voltar a brigar por títulos e eu voltei para isso. Para voltar para a Libertadores, ser campeão e dar alegrias para esse clube".

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