Ator de nova novela da Globo já foi jogador de futebol. E ganhou até título

Beatriz Cesarini e Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

  • João Miguel Júnior/Globo/Divulgação

    Bruno Cabrerizo fará par com Vitoria Strada na nova novela das 18h da Globo

    Bruno Cabrerizo fará par com Vitoria Strada na nova novela das 18h da Globo

A nova novela das 18h da Rede Globo, Tempo de Amar, estreará no fim deste mês de setembro. Mas o que tudo isso tem a ver com o esporte? Grande aposta do diretor Jayme Monjardim, o protagonista Bruno Cabrerizo era jogador de futebol e esteve presente na campanha vitoriosa que deu ao CFZ de Brasília – time de Zico – seu único título do Campeonato Brasiliense.

O ator, que dará vida a Inácio, começou no futebol nas categorias de base do Botafogo. Lá, foi notado por Zico e ganhou espaço no time profissional do CFZ, onde ficou entre os anos de 1997 e 2002. Bruno teve passagens também por Flamengo, Cabofriense e Gama, além do Sagan Tosu (Japão) e do Alessandria (Itália).

"Minha carreira começou natural. Jogava futebol de salão, depois fui para a categoria de base infantil do Botafogo, depois fui para o CFZ. Desde pequeno sempre gostei muito de esportes. Na escola, além de jogar bola, nadava, fazia judô... Acabei ficando no futebol", contou Bruno, em entrevista ao UOL Esporte.

Na carreira como jogador de futebol profissional, a principal personalidade e inspiração para o ator foi Zico. Bruno tem lembranças do ex-jogador - que é hoje amigo - atuando sempre com afinco, mesmo que fosse uma partida só de brincadeira.

"Ele era o presidente do time (CFZ). Cheguei com 15, 16 anos e joguei boa parte da minha carreira lá. Ele era meu maior exemplo. Lembro da época em que eles jogavam peladinhas com a gente, e era como se fosse um jogo da vida deles", comentou o carioca. "Isso me marcou. Eles davam a vida pelo futebol, mesmo em jogo que não valia."

E há quem diga que Zico, além de notar o grande potencial de Bruno como zagueiro clássico, também já o via como galã, modelo. O próprio ex-jogador, no entanto, não cogitava embarcar na vida artística enquanto estava nas quatro linhas.

"Na época, eles brincavam mesmo. O Reinaldo (Gueldini, então técnico do CFZ) e o Zico me chamavam de jogador-modelo e eu só levava na brincadeira. Não pensava nisso nessa época. Eu só comecei na moda quando estava na Europa", falou.

A vida de ator veio depois da decisão de abandonar a carreira de futebol. Já na Itália, onde atuou durante entre 2005 e 2006, Bruno se viu longe de atingir o alto nível e os grandes clubes da Europa; então, pendurou as chuteiras em busca de uma nova forma de se sustentar.

"Acredito que todo o jogador de futebol tem um período de adaptação. Quando a gente para, corpo e cabeça pedem treinamento. Eu não atingi um nível alto na minha carreira, e quando parei, tive que trabalhar. Eu trabalhei como motorista, trabalhei como contabilista em uma multinacional em frente a um computador... Mas vi que a moda poderia me dar um salário melhor", contou.

"Decidi parar cedo. E a carreira de jogador já é curta. Mas foi a melhor decisão que tomei na minha vida", finalizou.

No futebol, era "modelito"

Nascido em 19 de julho de 1979, o carioca Bruno Cabrerizo apostou inicialmente em sua carreira no futebol. Nas categorias de base do Botafogo, permaneceu entre 1994 e 1996; apesar das poucas chances, chamou a atenção de Zico, que o levou para o CFZ. Em 2002, recebeu a oportunidade de jogar pela filial do clube no Distrito Federal.

Naquele ano, não decepcionou: levou o CFZ ao título distrital. A conquista veio com uma campanha invicta e é a única taça a história do clube: em 26 jogos, foram 19 jogos e sete empates. Foi também o único título do ator como atleta profissional.

Placar/Reprodução
Em 2002, o CFZ foi campeão brasiliense; Cabrerizo (ao centro) chegou a ser capitão do time, segundo o técnico Reinaldo Gueldini
Comandante do CFZ naquela conquista, Reinaldo Gueldini é só elogios a seu então jogador. Segundo o treinador, Cabrerizo era "muito bom zagueiro".

"Era técnico, com velocidade, bom no alto", conta o treinador à reportagem. "Ele chegou a jogar como capitão na época", acrescentou.

Modesto, Bruno conta que a regularidade era o que mantinha no radar do comandante.

"Eu era um jogador trabalhador, constante. Minha maior qualidade era essa. Era dedicado, muito regular. Isso dava certa segurança ao Reinaldo para eu jogar na defesa. Eu era mediano, mas com muito trabalho conseguia ir bem, sempre mantinha uma boa regularidade", analisou o ex-zagueiro.

No entanto, durante sua passagem pelo CFZ do DF, não era apenas a qualidade de Bruno Cabrerizo que fazia sucesso com a torcida. Aos 22 anos, o então atleta chamava a atenção das torcedoras também por seus predicados físicos.

"Ele sempre foi 'modelito', chamava a atenção", conta Reinaldo Gueldini, que trabalhou no Gama durante o Campeonato Brasiliense de 2017. "Até por isso entrou nessa profissão aí (de ator). Deus ajude que dê tudo certo", acrescentou.

Em 2003, Bruno Cabrerizo chegou ao Flamengo, mas com passagem curta. Naquele mesmo ano, disputou a segunda divisão japonesa pelo Sagan Tosu, que foi lanterna do torneio. Depois, jogou por Cabofriense (2004) e Gama (2005), antes de se transferir para a Itália. Lá, disputou a temporada 2005/2006 da Série D (quarta divisão local) pelo Alessandria, que terminou apenas na oitava posição (entre 18 clubes).

No começo de 2006, com a cidadania italiana, começou a trabalhar como modelo. Aos poucos, começou a ganhar oportunidades na televisão local. Em 2010, veio a estreia como ator. Depois, o convite para o Ballando con le stelle, programa de dança da emissora RAI. Em pouco tempo, tornou-se conhecido no país europeu.

Em 2015, veio a chance de trabalhar como ator na TVI, emissora portuguesa. Ali, também participou de programas de dança, ganhando espaço na grade local. Em 2017, trabalhou na telenovela Ouro Verde, ao lado da atriz brasileira Silvia Pfeifer.

Hoje, deixa saudades nos companheiros dos tempos de futebol. "Eu tenho um carinho muito grande por ele", conta o treinador Reinaldo Gueldini, que troca mensagens com o ator por celular. "Sempre foi um jogador bom. E jogador bom não dá trabalho", diz.

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