Presidente da Lusa convoca reunião extraordinária. Futebol pode até acabar

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

  • Reprodução

    Alexandre Barros, presidente da Portuguesa

    Alexandre Barros, presidente da Portuguesa

O presidente da Portuguesa, Alexandre Barros, convocou uma reunião extraordinária para discutir com o Conselho Deliberativo quatro tópicos de emergência relacionados ao clube. Entre eles, está até a possibilidade do fim das atividades no futebol. Em conversa com o UOL Esporte, o mandatário rubro-verde expôs a crise que vive a Lusa e fez uma dura cobrança aos conselheiros.

Um dos itens a serem discutidos na reunião, ainda sem data para acontecer, diz respeito ao acordo feito (em julho) com cinco ex-jogadores representados pela advogada Gislaine Nunes para quitar débitos trabalhistas. O valor total das dívidas a serem pagas pela Lusa chega a quase R$ 50 milhões, mas por outro lado, o acordo evitou que o Canindé fosse novamente a leilão.

"Coloquei quatro tópicos: discutir o caso do acordo Gislaine Nunes com atletas; discutir sobre o leilão que está em pauta de dois ex-presidentes do clube, que são o Joaquim Justo dos Santos e o Carlos Alberto Duque, que levaram o clube à leilão, uma dívida constituída na gestão deles, e o clube tem que pagar; o pedido de anistia e recadastramento dos associados, porque nós temos um quadro com 120 mil associados e 400 pagantes, e conselheiros, de 400 apenas 140 em dia. Muito pouco; e por último, o departamento de futebol, porque ninguém faz futebol sem dinheiro, tem que ter responsabilidade. Precisamos decidir o que vamos fazer com o clube", diz.

Totalmente insatisfeito com a postura dos sócios e, especialmente, dos conselheiros da Lusa, Alexandre Barros cobrou de forma ríspida uma maior ajuda de todos que fazem parte do clube.

"Se o próprio conselheiro não paga a taxa de manutenção, se o associado não faz a parte dele, se ex-presidentes levam o clube a leilão, então vamos fechar tudo. Se essa é a vontade deles, não é a minha. Mas é uma maneira de levar ao Conselho e decidir. A dívida da Gislaine não foi constituída na minha gestão. Eu fiz um acordo, tem que pagar. A dívida do caso Fifa também não fui eu quem fiz, paguei 340 mil. O futebol eu continuo mantendo, em dia, o clube também, em dia, só que de uma receita que a Portuguesa tem X, hoje a despesa é 2X", afirma.

O que adianta ser conselheiro, ser sócio, e não fazer a sua parte?

"As pessoas precisam decidir. O que adianta ser conselheiro, ser sócio, eu querer um time, salvar o patrimônio, e não fazer a sua parte. Então eu tenho que convocar uma reunião para ver: o que vocês querem? Querem salvar o patrimônio? Então vamos ajudar. Querem fazer futebol? Vamos ajudar. Os caras não pagam manutenção, não pagam taxa de conselho, não mexem uma palha, e querem ainda cobrar, querem exigir, quando a dívida foi feita na gestão deles?", diz.

Atlético-PR pode servir de exemplo para a Portuguesa

Uma das sugestões citadas pelo presidente para começar a amenizar a crise financeira que vive a Portuguesa é baseado em algo feito pelo Atlético-PR há alguns anos atrás, e contaria com a ajuda de todos os conselheiros do clube – hoje são 383 no total.

"O Atlético-PR se cotizou, há uns anos atrás, quando estava na segunda divisão, e cada conselheiro pagava mil reais por mês. Nós temos quase 400 conselheiros. Se eles pagarem, cada um, mil reais por mês, chega a um valor de 383 mil reais por mês. Isso significa pagar o caso Gislaine e os outros acordos trabalhistas. Desde que todo mundo se mexa", afirmou.

A hora que a Portuguesa estiver na primeira divisão do Paulista, na Série B do Brasileiro, as contas se pagam.

"É um caminho emergencial. Não é para a vida inteira. É para um projeto de 24 meses, 36 meses, para que a Portuguesa possa se reerguer. A hora que a Portuguesa estiver na primeira divisão do Paulista, na Série B do Brasileiro, as contas se pagam. Aí o próprio futebol da Portuguesa, bem administrado, paga as dívidas. Hoje o futebol dá despesa para o clube", analisa.

De acordo com Alexandre Barros, ainda é possível manter o futebol da Lusa, desde que as questões relacionadas às dívidas e ao patrimônio do clube sejam resolvidas.

"Hoje, com a receita que a Portuguesa tem, ela consegue manter um futebol simples e a organização do clube. Mas ela não tem dinheiro para pagar as ações trabalhistas e os acordos e dívidas que tem. Tem que achar o dinheiro em algum lugar", declara Alexandre Barros.

Eu fui eleito por 82% do Conselho, então esses 82% têm que estar presentes a ajudar a tomar a decisão mais correta.

"Eu sozinho não posso tomar decisão. Eu fui eleito por 82% do Conselho, então esses 82% têm que estar presentes para ajudar a tomar a decisão mais correta. Tudo vai depender dessa reunião. Se não houver uma motivação para resolver, vamos ter que tomar uma decisão: ou a gente toca o futebol ou a gente salva o patrimônio. A Portuguesa não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Precisa escolher uma. Eu, particularmente, escolheria o futebol, mas não depende de mim. Não posso pegar, manter o futebol e esquecer que tem um patrimônio", acrescenta o presidente, que não quer entrar para a história do clube de forma negativa.

"Não posso ser leviano com contratos, com jogadores, e fazer o mesmo que os outros [presidentes] fizeram. Empurrar com a barriga e isso virar uma bola de neve", completa.

A situação atual do futebol da Portuguesa

Hoje, a Portuguesa disputa a Copa Paulista, única competição que pode lhe dar a chance de estar em uma divisão nacional na temporada 2018. Líder do grupo 3 com 25 pontos, o time rubro-verde já está classificado para a segunda fase, mas precisa do título para conquistar a vaga na Série D do Brasileiro. O próximo compromisso, ainda pela última rodada da fase de grupos, acontece no domingo, contra o Água Santa, fora de casa, às 10h.

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