Anti-herói uruguaio prometia "rolinhos" e irritava adversários

Do UOL, em São Paulo

Rebelde e orgulhoso. É assim que Fabian O'Neill se define. Hoje com 43 anos e morando de favor na casa da sogra, o ex-meia uruguaio foi um craque de sua geração e um baladeiro incorrigível fora de campo. Bebidas e apostas eram sua diversão sem a bola; com ela, O'Neill gostava era de dar rolinhos nos adversários.

E antes de tentar tal drible, ele avisava seus companheiros. Foi assim com pelo menos dois adversários: Nicolás Rotundo, do Peñarol, e o famoso volante italiano Gennaro Gattuso.

A sequência de rolinhos em Rotundo aconteceu no maior clássico uruguaio, entre Nacional e Penãrol. O'Neill havia falado para seus amigos que daria dois rolinhos em Rotundo. Deu três, todos no primeiro tempo. Resultado: o volante adversário foi expulso antes do intervalo.

"Ele não queria saber de nada no jogo, só pensava em dar os rolinhos em Rotundo. Eu ficava só dando risada", contou Nelson Abeijón, ex-companheiro de O'Neill no Nacional.

Depois de fazer sucesso no Uruguai, o habilidoso camisa 10 foi vendido para o Cagliari, da Itália. E na temporada 1998-99 fez de Gattuso sua vítima. Na oportunidade, o volante italiano defendia o Salernitana.

O uruguaio Gustavo Méndez era amigo de O'Neill, também estava na Itália e começou a provocar O'Neill dizendo que Gattuso iria acabar com ele no jogo entre Cagliari e Salernitana. O meia decidiu dar a resposta em rolinhos. E fez isso três vezes com Gattuso. "Ele dizia que não me suportava", contou o uruguaio.

O comportamento ousado e quase irresponsável em campo combinava com a postura de O'Neill fora das quatro linhas. Segundo ele próprio, era tanto dinheiro gasto com bebida, mulheres e aposta que ninguém conseguiu ajudá-lo, nem poderia.

"Tive US$ 14 milhões e perdi tudo, mas não me incomoda ser pobre. Se eu tiver um pouco para beber e para que meus filhos estejam bem, está ótimo. E também para comer, mas um arroz com ovo está perfeito", disse O'Neill em entrevista recente ao jornal uruguaio "Ovación".

O ex-meia uruguaio conta que precisava ficar um tempo sem beber depois de retirar a vesícula, mas só conseguiu um mês. Hoje em dia, ele trabalha como segurança e ajuda em um bar cujos proprietários são seus amigos. "A vida me fez assim. Sou assim: rebelde e orgulhoso".

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