Infecção de M. Bastos não é grave, mas inspira cuidados, diz especialista

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Agência Palmeiras

    Michel Bastos ficará afastado por tempo indeterminado das atividades no Palmeiras

    Michel Bastos ficará afastado por tempo indeterminado das atividades no Palmeiras

Afastado por tempo indeterminado dos gramados, Michel Bastos possui uma infecção que inspira cuidados. Quem corrobora a cautela adotada pelo Palmeiras é Luiz Gameiro, 41 anos, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Consultado pelo UOL Esporte, o profissional destacou como a erisipela, um problema de saúde comum a idosos, atingiu um jogador profissional de alto rendimento.

"A bactéria penetra em uma parte profunda da pele, como um machucado, um arranhão, uma micose ou até uma frieira, que é comum entre jogadores de futebol. A pele fica úmida e abre uma pequena fissura. Essas bactérias estão na grama, na terra; às vezes contaminadas por outras pessoas que pisaram", contou o médico à reportagem.

O principal perigo desta infecção é a possível multiplicação desta bactéria. O ferimento, segundo Luiz Gameiro, é a porta de entrada para o ser microscópico se alojar na pele, que ganha um tom avermelhado e fica sensível e inchada – o paciente também sente dores.

Antibióticos são o principal tratamento e servem justamente para evitar esta proliferação, que, em casos mais raros e em pessoas com a saúde mais comprometida – caso contrário ao de Michel Bastos, um atleta profissional -, podem levar até à morte.

"A bactéria pode até atingir a parte mais profunda que é o tecido subcutâneo, a gordurinha acima da musculatura. É uma infecção importante. Essas bactérias podem cair na circulação sanguínea e se manifestar em outros órgãos, como pulmão. Pode ser fatal, mas hoje em dia cada vez é mais raro. A infecção tem risco maior em pessoas com diabetes, fumantes e doenças associadas que podem gerar algo mais grave", explica Gameiro.

"A complicação dela mais grave que tem é uma infecção que está em um órgão especifico, e essa infecção ser propagada por um órgão distante, às vezes propagada pelo sangue para outras partes", acrescenta.

O especialista detalhou motivos que devem ter levado Michel Bastos a contrair a infecção, mesmo não pertencendo a nenhum dos grupos propensos: idosos, obesos, pessoas com dificuldades na circulação sanguínea, com varizes, sedentários e com quadro de insuficiência arterial. O ambiente do futebol, na visão do médico, facilita para a entrada deste tipo de bactéria, ao mesmo tempo em que o físico de atleta torna o tratamento simples, porém cuidadoso.

Segundo explicou Gameiro, atletas estão expostos à erisipela pelo ambiente do dia a dia, com o suor. Qualquer erro no tratamento de uma ferida pode gerar a entrada deste tipo de bactéria.

"As bactérias e os fungos, dois microrganismos diferentes que causam coisas na pele. Esses dois agentes gostam de três coisas: calor, umidade e escuro. Calor, o atleta está sempre suando; umidade tem aumento de temperatura por estar se; exercitando e o escuro que é geralmente estas feridas estão cobertas pela meia, chuteira. O tecido da pele sem ventilar. Isso facilita", disse.

Michel Bastos se encontra em repouso para curar a infecção. Somente depois de todo o tratamento – com a base de antibióticos na veia, segundo o especialista, são os mais indicados -, o jogador poderá retornar às atividades. O jogador, na última terça-feira, afirmou que o inchaço diminuiu, mas o Palmeiras se mostra cauteloso, como a infecção pede. "É repouso, repouso. Ficar com a perna para cima. Enfim, repouso é fundamental."

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