Por que os gols de Scocco surpreendem quem o acompanhou no Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Alexandre Lops/AI Inter

    Scocco não dexou saudades no Internacional em passagem que durou 21 jogos

    Scocco não dexou saudades no Internacional em passagem que durou 21 jogos

Mais gols em um jogo do que em quase um ano. Foi isso que aconteceu com Scooco comparando a noite desta quinta-feira, quando marcou cinco vezes na goleada do River sobre o Jorge Willstermann por 8 a 0, pelas quartas de final da Copa Libertadores, e sua passagem pelo Internacional. Entre julho de 2013 e janeiro de 2014 foram lesões, problemas fora de campo, a 'falta de adrenalina' e uma passagem que rendeu mais piadas do que boas lembranças.

Contratado como goleador do Newell's Old Boys e com passagem pela seleção argentina, "El Nacho" foi recebido com festa em Porto Alegre. Os torcedores do Inter - aproximadamente 200 - encararam frio de 3ºC e foram para o aeroporto da capital gaúcha às 6h30 munidos de instrumentos, bandeiras, faixas, camisas, tudo para celebrar a chegada. Mal sabiam o que lhes esperava.

No clube, Scocco tinha uma legião gringa para facilitar adaptação. D'Alessandro e Guiñazu, identificados e ídolos da torcida, e o uruguaio Forlán tentavam deixar o jogador mais enturmado. A estreia já foi discreta, em 9 de agosto contra o Atlético-PR, comandado pelo técnico Dunga. O primeiro gol (e o segundo no mesmo jogo) foi dia 13 do mesmo mês, contra o Botafogo. Ao todo foram quatro em 21 jogos.

Não demorou para virem os primeiros problemas: lesões. Scocco ficou entre idas e vindas no departamento médico durante quase todo ano de 2013. Trabalhou separado do grupo por muitas semanas, tanto que, em tom de brincadeira, a caixa de areia utilizada para exercícios de recuperação do CT Parque Gigante, do Inter, foi nomeada 'Caixa de Areia Nacho Scocco'. Até hoje quando se passa pelo local alguém - seja do clube ou imprensa - faz tal referência. Ela segue lá, agora sem ninguém a utilizar com tanta frequência.

Longe do protagonismo e com o time distante das primeiras posições a despeito do investimento alto, Scocco apresentou outro problema: o comportamento. Reclamou do futebol brasileiro para colegas de time e ex-companheiros. Pediu para direção repetidas autorizações para voltar à Argentina. Não parecia disposto a jogar pelo Colorado.

Fora de campo, a contratação também deu problema. O Inter atrasou a última parcela dos R$ 14,5 milhões acordados em pagamento com o Newell's. O clube argentino entrou na Justiça e pediu a volta do jogador ou o pagamento imediato. Ou seja, sem jogar, sem vontade de atuar, Scocco ainda trazia dor de cabeça aos advogados.

Tanto fez o gringo (ou não fez) que em janeiro se atrasou para reapresentação do elenco visando a temporada 2014. Alegou, de pronto, que tinha perdido o voo que o traria de Buenos Aires. Mas na chegada disse a verdade. Não veio porque não queria. Relatou ao vice de futebol da época - mesmo da atual direção - Roberto Melo que não 'estava com adrenalina de jogar no Brasil'.

Sem opção, ele foi vendido ao Sunderland, da Inglaterra, dias depois, por R$ 16,5 milhões. O valor computava a última parcela da dívida com o Newell's, assumida pelos ingleses.

Até hoje Scocco é sinônimo de um jogador que não deu certo no clube gaúcho por falta de empenho. "Ele não jogou aqui porque não quis. Achou que seria titular absoluto e desistiu de tentar", disse um profissional que trabalhou no clube na época e solicitou anonimato. Nesta quinta-feira, ele voltou ao noticiário, mas da melhor forma, sendo o grande destaque da goleada do River Plate, que enfrentará o Lanús na semifinal da Libertadores. O outro finalista sai do confronto entre Grêmio e Barcelona-EQU.

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