Brasileiro voltará a local onde foi chamado de macaco e viu ira dos rivais

Lucas Pastore

Do UOL, em São Paulo

  • AFP/STR

    Everton Luiz vai às lágrimas após ser alvo de ofensas racistas de torcedores do Rad

    Everton Luiz vai às lágrimas após ser alvo de ofensas racistas de torcedores do Rad

Neste domingo (23), Everton Luiz voltará a um cenário que desperta péssimas lembranças para ele. O volante brasileiro do Partizan visita o Rad, às 14h (de Brasília), no Kralj Petar, em Belgrado, pelo Campeonato Sérvio e volta a enfrentar a torcida que se referiu a ele com ofensas racistas em fevereiro. Apesar de se impressionar com a ausência de punição ao adversário, o meio-campista mostra a mesma determinação que usou ao superar problemas familiares para deixar o problema para trás.

Everton foi ofendido no dia 19 de fevereiro deste ano, durante clássico contra o Rad. Torcedores do time local chamaram o brasileiro de macaco e imitaram o som do animal, além de exibirem faixas contra o jogador. Irritado, o meio-campista mostrou o dedo do meio em direção às arquibancadas, o que levou os jogadores do rival a partirem para cima dele. 

O jogo terminou com vitória do Partizan por 1 a 0. O resultado adverso aumentou ainda mais a ira dos torcedores locais, que ofenderam Everton durante os 90 minutos da partida. 

"Nunca tinha passado por isso. Foi difícil. Cheguei em casa e não sabia o que fazer. Foi muito difícil. Se acontecer de novo, não sei o que vou fazer", disse Everton, ao UOL Esporte.

Após o ocorrido, a impunidade ao Rad tornou o episódio ainda mais difícil para Everton digerir. De acordo com o jogador, a ausência de punição para o clube e sua torcida e a falta de uma ação mais enérgica do Partizan aumentaram sua indignação com o ocorrido.

"Aqui não teve muita repercussão, não. Teve mais no Brasil. Ia ter punição e não teve nada. Falaram que a torcida ia ser punida, e no outro jogo estava no estádio. O próprio Partizan fez amistoso com o time dias depois", lembrou o volante. 

De acordo com o brasileiro, além da torcida do Partizan, que fez faixas em sua homenagem, o único apoio veio de seus colegas de equipe.

"Com o elenco, nunca tive problema nenhum. Os jogadores me apoiaram bastante, postaram bastante no Instagram", recordou.

Miroslav Todorovic/Reuters

Mesmo com a ausência de um gancho pesado, Everton teme a possibilidade de a torcida do Rad tê-lo marcado para que as ofensas sejam repetidas neste domingo.

"A gente fica pensando, não sei o que vai acontecer. Espero que seja um dia de paz para que a gente possa fazer um grande jogo", projetou.

Carreira no Brasil teve passagem pelo Palmeiras

Everton tem 29 anos e começou a carreira como atacante, mas foi recuado para a cabeça-de-área em 2009, ainda nas categorias de base da Ponte Preta. Se destacando em sua nova função, chegou a ser contratado pelo Palmeiras, mas não conseguiu vingar no clube da capital paulista.

Depois de empréstimos para Marília e Bragantino, Everton teve seu contrato com o Palmeiras encerrado e se transferiu para o CRB, clube em que enfim conseguiu projeção como profissional em 2012. Depois de se destacar, se transferiu para o San Luis, do México.

No campeonato local, Everton sofreu com salários atrasados e viu pedido da diretoria do clube para afastar os estrangeiros quando o time entrou na zona de rebaixamento. Foi repatriado pelo Criciúma, na época treinado por Paulo Comelli, que havia sido seu técnico no CRB, e depois acertou o retorno para o clube alagoano.

Campeão estadual em 2012, Everton viu sua vida mudar quando chegou a proposta do Lugano, da Suíça. Desde então, o volante não saiu mais da Europa, passando ainda pelo St. Gallen antes de chegar ao Partizan.

"Sempre sinto um pouco de saudade, do clima, da comida, mas a gente se acostuma a isso também. Aqui o futebol é diferente, a equipe é muito mais obediente, e o jogo é mais pegado", comparou.

Adaptação na Europa foi sofrida

Em seus primeiros seis meses na Europa, Everton se adaptou rapidamente ao Lugano e recebeu a notícia de que sua esposa estava grávida de Bernardo, seu primeiro filho. Depois, a mudança para o St. Gallen, que fica na parte alemã da cidade, foi um pouco sentida pela frieza da população local.

"Minha esposa teve início de depressão por conta das pessoas serem frias, e não tínhamos opções para distrair. Tudo fechava cedo, e o silêncio era absoluto. Uma vez, nosso filho com cinco meses chorava e o vizinho chamou a polícia por causa do barulho", relembrou.

Por conta da dificuldade de adaptação, Everton não precisou pensar muito para aceitar a proposta do Partizan, clube que defende desde 2015. À exceção do episódio de racismo, o volante conta que foi muito bem recebido na Sérvia. Prova disso é a volta por cima de sua família, já que sua esposa está grávida de Enzo, terceiro filho do jogador.

A superação serve como motivação para Everton enfrentar a torcida que o ofendeu. Ao menos dentro de campo, o jogador chega com moral, já que fez aos 50 do segundo tempo o gol do empate do Partizan com o Nepredak, nessa quarta-feira (20).

Neste começo de temporada, Everton disputou 11 jogos pelo Partizan, sendo titular em todos eles, e fez um gol.

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