Por que hino da Liga dos Campeões não é bem-vindo no Manchester City

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

O torcedor de primeira viagem pode se espantar se decidir assistir a Gabriel Jesus, Sergio Agüero e cia. em um jogo de Liga dos Campeões no Estádio Etihad. Uma das principais marcas da competição de clubes mais importante do mundo, o hino do torneio, tocado sempre antes de a bola rolar, tem uma recepção diferente – e negativa – no Manchester City.

Basta os jogadores do City e do adversário se perfilarem no gramado para a cerimônia de abertura da partida, com a bandeira da bola estrelada no círculo central que boa parte dos torcedores no estádio se prepara para vaiar a música composta pelo britânico Tony Bitten, em 1992. A atitude não tem caráter oficial por parte do clube. É um protesto fixo dos aficionados contra a UEFA, entidade que comanda o futebol europeu e organiza a Champions League.

A iniciativa deve se repetir nesta terça-feira, às 15h45 de Brasília, quando o Manchester City receberá o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, pela segunda rodada do Grupo F – as duas equipes estrearam com vitória sobre Feyenoord (HOL) e Napoli (ITA), respectivamente.

Mike Hewitt/Getty Images

A conduta de repulsa, liderada pelo "Group 1894", espécie de torcida organizada, remete à edição 2014/15 do torneio. Então na fase de grupos, o City enfrentou o CSKA Moscou fora de casa, com portões fechados. O clube russo havia sido punido por conta de ofensas racistas de seus torcedores. A imposição da UEFA de não ter público, no entanto, causou prejuízo a centenas de torcedores ingleses que já haviam comprado passagem de avião e reservado hospedagem na Rússia.

No fim das contas, a UEFA não ofereceu reembolso, e cerca de 360 torcedores do clube russo tiveram acesso à Arena Khimki por conta de ingressos VIPs e de patrocinadores. A partida terminou em 2 a 2, e na sequência o CSKA terminou como lanterna da chave, enquanto os ingleses avançaram para as oitavas de final, mas caíram para o Barcelona, futuro campeão.

Atual líder da Premier League e invicto da temporada após oito exibições, o time de Josep Guardiola enfrentará uma legião de brasileiros que também está na ponta da liga ucraniana. Se Pep tem Gabriel Jesus, Ederson, Danilo e Fernandinho no elenco, o português Paulo Fonseca conta com oito atletas nascidos no Brasil: Dentinho, Taison, Bernard, Marlos, Fred, Alan Patrick, Márcio Azedevo e Ismaily.

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