Muralha diz não entender perseguição e relata sofrimento da família

Do UOL, em São Paulo

  • Thomás Santos/AGIF

O goleiro Alex Muralha afirmou estar ficando resistente às repetidas críticas que tem sofrido em 2017, mas explicou que não entende a perseguição por seu desempenho nesta temporada e sente bastante o sofrimento da família pela situação. O jogador do Flamengo contou como foram as horas que sucederam a derrota para o Cruzeiro na decisão da Copa do Brasil em entrevista ao "SporTV".

"Difícil porque eu sentia o mundo caindo sobre mim. Já sabia que ia vir. Eu sabia que minha família ia sofrer muito, tanto que ontem desliguei o telefone e não queria falar com ninguém. Queria ficar no meu canto, fiquei em casa. Fiquei em casa refletindo o que eu poderia ter feito melhor. Passa um filme, mas de tudo acho que fiz o meu melhor. Estudei, treinei. Dias antes a gente ficou só focado naquilo", declarou o jogador do Flamengo.

Antes questionado por suas atuações nos 90 minutos normais do futebol, o goleiro virou um dos vilões da derrota do Flamengo na final da Copa do Brasil. Alex Muralha teve cinco chances de defender pênaltis batidos pelo Cruzeiro, pulou em todos eles para o lado direito, e ficou sem nenhuma defesa. Criticado pela repetição, ele bancou a escolha.

"Decisão de pênaltis é uma briga mental, psicológica. Eu fazendo aquilo poderia induzir eles a bater onde eu queria. A probabilidade era muito grande de baterem todos naquele lado, infelizmente não deu certo", justificou. "A gente recebe um estudo de todos os atletas e a probabilidade de todos baterem naquele canto era muito grande. Era uma decisão minha. Decidi fazer aquilo naquele momento e achei que fosse a melhor maneira naquela situação."

Muralha chamou a responsabilidade da decisão de pular sempre para o mesmo lado e negou que ela tivesse fundamento em uma orientação do departamento de análise de desempenho do clube rubro-negro.

"Saíram matérias botando culpa no pessoal do desempenho. Aquilo foi decisão do atleta. Aqui todo mundo ganha e todo mundo perde juntos. Eu estou sendo massacrado todo ano, a culpa vai cair sempre em mim. Estou acostumando com isso, ficando mais cascudo, me preparando melhor psicologicamente, fisicamente, sabendo que esse momento não vai passar. O Alex Muralha não se define em pênaltis e jogos. As coisas em algum momento vão mudar e coisas boas virão", declarou.

Apesar da autoconfiança exibida, o goleiro explicou que precisa melhorar tecnicamente, apontando os pênaltis como uma área a ser trabalhada. "Penalidade eu tenho que evoluir, trabalhar mais de alguma forma. Tudo que a gente trabalha, faz, é momento. Uma hora vai passar e eu vou começar a pegar pênaltis também. Quando comecei a carreira, era uma das melhores coisas que eu fazia. Acho que é passageiro. Sofrido, mas passageiro", comentou.

O jogador do Flamengo ainda disse que sensibilizou ao saber que sua mãe precisou começar a se medicar para dormir, tudo por conta da situação vivida pelo filho no clube. "Eu fiquei emocionado, porque até então não sabia que ela foi ao médico e começou a tomar remédio para dormir. Minha mãe é muito simples. Chegar onde cheguei é muito grande. A gente morava em casa de pau a pique. Estar nesse patamar é uma coisa muito grande. É complicado você ver uma pessoa que desde pequeno te dá tudo e está sofrendo. Tenho certeza que coisas boas virão", concluiu.

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