Problema no SP, relação de Cícero com o técnico vira trunfo no Grêmio

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • Marcello Zambrana/AGIF/Estadão Conteúdo

    Meia assinará contrato de três meses junto ao Grêmio

    Meia assinará contrato de três meses junto ao Grêmio

Contratado de forma emergencial, Cícero chega ao Grêmio da mesma forma que chegou ao São Paulo: pelas mãos do treinador. Em Porto Alegre, no entanto, o meia encontrará um ambiente bem diferente. Envolvido com a semifinal da Copa Libertadores, o Tricolor abraçou o experiente jogador e quer explorar justamente essa bagagem, além da qualidade técnica. Se no Morumbi a relação com Rogério Ceni se voltou contra o jogador, no Sul a tendência é que ocorra o oposto. 

"Na última terça-feira eu estava no Rio, liguei para ele e tive uma conversa. Queria sentir dele, ficou feliz. Se prontificou a vir o mais rápido possível a Porto Alegre. Vai ficar no hotel, vai fazer as refeições, enfim, se identificar com o grupo. Falei com ele por questão ética, mas eu já conhecia o jogador. Sabia que ia ficar feliz como ficou. Agora, é procurar recuperar em todos os sentidos para ele nos ajudar", contou Renato, que trabalhou com Cícero no Fluminense.  

O roteiro é bem parecido com o vivido no começo do ano. Como acontece agora, foi a força de um ídolo do clube, então treinador, que o levou de volta para o Morumbi. Rogério pediu a contratação de Cícero e o bancou como titular, mas a relação acabou se voltando contra o jogador. 

Primeiro pelo próprio Ceni, com quem ele viveu dois episódios polêmicos. O primeiro foi no meio de um clássico contra o Corinthians, no primeiro semestre, quando o ex-goleiro sem querer acertou Cícero com uma prancheta, no vestiário, durante um momento de destempero que acabou causando mal-estar. Mais adiante, os dois voltaram a se estranhar porque o treinador vetava a presença de familiares no CT e cobrou o jogador por levar seu filho a uma atividade. 

O principal problema, no entanto, veio depois. O mau desempenho em campo e uma visão da diretoria, que entendia Cícero como má influência no elenco, iniciaram o processo de "fritura" do jogador. O argumento dos detratores era de que o meia era uma "herança" de Ceni, que também passou a ter o trabalho duramente questionado pela cúpula tricolor após a demissão. 

Na Arena, ao contrário, a crença é que o relacionamento não será problema. Renato Gaúcho tem na gestão do grupo um de seus pontos mais positivos e, ao longo da temporada, já blindou o elenco em mais de uma oportunidade. E o estilo de comando do treinador cativou os jogadores. Conversas francas sobre a formação do time e até reforços estão no topo da lista de atitudes que impressionaram os atletas.

Os líderes do vestiário também favorecem um bom ambiente. Considerados pró-ativos e agregadores, Edilson, Geromel, Maicon, Marcelo Oliveira, Ramiro, Douglas e Barrios se esforçam para manter o grupo unido e sem atritos. Nem mesmo Miller Bolaños, emprestado após problemas disciplinares, foi motivo de desavença interna.

Aos olhos do Grêmio, Cícero ficou envolvido em um cenário instável no São Paulo. O contexto totalmente oposto em Porto Alegre é apontado como um tônico para a retomada da carreira. A aposta é que o meia possa aportar profundidade ao elenco – se tornando importante suplente para o setor que tem encarado constantes mutações nos últimos meses.

Aos 33 anos, Cícero também engorda a lista de apostas pessoais de Renato. Os exemplos do ano jogam a favor do treinador, que investiu em Léo Moura, Bruno Cortez, Paulo Victor, Fernandinho e abriu os braços para receber Lucas Barrios – nome apontado pelos dirigentes.

Cícero e Grêmio assinarão contrato até dezembro, com opção de renovação. O Tricolor buscou o jogador, afastado do elenco do São Paulo, baseado em três razões: a qualidade técnica, disponibilidade e custo. Em Porto Alegre, ele vai receber menos da metade do ordenado que ganhava no estádio do Morumbi.

No Grêmio, Cícero é indicado e próximo de Renato Gaúcho. O estilo e experiência do treinador neste tipo de relação formam a pedra angular no plano de ganhar um reforço para a reta final da Copa Libertadores. O primeiro jogo da semifinal, diante do Barcelona de Guaiaquil, está marcado para 25 de outubro. Além da figura do chefe, velho conhecido, o meia será preparado com jogos-treino no CT Presidente Luiz Carvalho.

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