Novo herói do São Paulo, Sidão já largou o futebol para ser segurança

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Ale Cabral/AGIF

    Sidão superou problemas na vida antes de se firmar como goleiro do São Paulo

    Sidão superou problemas na vida antes de se firmar como goleiro do São Paulo

Assim que a partida entre São Paulo e Sport acabou, parte do elenco correu em direção de Sidão para comemorar a vitória por 1 a 0. A boa atuação no jogo deste domingo pode ser exemplo do esforço do goleiro para tentar se firmar no Tricolor. Deixar a reserva e a desconfiança de muitos, no entanto, não são os primeiros casos de superação na vida do arqueiro.

Para chegar ao Morumbi, ele precisou vencer drogas, problemas com bebidas e calotes de clubes pequenos. Tantos percalços resultaram em uma pausa na carreira para virar segurança em uma pizzaria. Neste período, em 2007, pesou a amizade de infância com os irmãos Carlos Eduardo e Anderson Nóbrega para que ele pudesse voltar a jogar. 

"Nós somos amigos de infância, crescemos no mesmo no condomínio e jogamos juntos na escolinha. O Sidão tinha 25 anos e virado segurança de pizzaria. Um dia, eu e meu irmão passamos em frente à pizzaria e o vimos lá. Falamos com ele, que estava chateado. Ganhava um salário mínimo e queria casar. Então, meu irmão, que era presidente do CATS [Clube Atlético Taboão da Serra], convidou ele para voltar", contou Anderson, hoje o presidente do clube de Taboão.

"Ele tinha parado a carreira porque queria uma coisa fixa, estava cansado naquela época. Futebol é muito difícil, mas era o sonho dele. Acho que ele abraçou a ideia também porque nos conhecia, confiou pois somos amigos desde a infância", completou Anderson.

Além dos problemas com falta de pagamentos em clubes, Sidão também precisou superar a morte da mãe, ainda no início da vida como jogador de futebol. "Ele teve alguns problemas que atrapalharam a carreira. Ele sentiu muito. Achou que poderia ter feito mais pela mãe, ele se perdeu um pouco, mas depois se converteu à religião. Ele sempre foi um cara bom, mesmo quando usou drogas e bebeu. Parece um sujeito bravo, por ser grandão e ter aquela aparência de rapper [risos], mas é um cara do bem", disse o amigo.

Benquisto pelo elenco são-paulino, Sidão tem contrato com o clube até dezembro de 2018. Apesar do bom momento no Tricolor, se ele precisar de emprego ao fim do vínculo com o clube do Morumbi, já tem lugar para trabalhar.

"Vamos ver se ele encerra a carreira por aqui, ele é de Taboão e tem carinho grande pelo time. Acho que ele joga mais uns quatro ou cinco anos, mas a gente torce por ele no São Paulo. Ele merece esse sucesso", afirmou o presidente. 

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