A menos de 1 ano da Copa, Tite resgata "dunguistas" em reta final de testes

Dassler Marques e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em Teresópolis (RJ)

  • AFP PHOTO/Vanderlei Almeida

    Tardelli com Dunga em 2010: novo momento sob comando de Tite

    Tardelli com Dunga em 2010: novo momento sob comando de Tite

Em sete convocações oficiais, Tite já alcançou 50 nomes na seleção brasileira. Três das novidades para encarar Bolívia, na quinta-feira (5), e Chile, na próxima terça (10), reservam uma peculiaridade: o lateral Danilo (Manchester City-ING), o meia Fred (Shakhtar-UCR) e o atacante Diego Tardelli (Shandong-CHN) foram pilares de parte de trabalho do antecessor Dunga e retornam ao grupo depois de um período relativamente longo de afastamento. 

A eliminação do Brasil na Copa América 2015, depois de derrota nos pênaltis para o Paraguai, praticamente selou o fim de ciclo para os três jogadores, todos estreantes com Tite. Tardelli e Fred nunca mais foram chamados por Dunga. Danilo ainda teve uma oportunidade no jogo seguinte à competição continental, mas logo depois deixou o grupo para não atuar mais, embora tenha recebido um chamado seguinte.  

Reservas no jogo de quinta-feira contra a Bolívia, os três jogadores são candidatos a uma vaga no Allianz Parque, onde o Brasil receberá o Chile na próxima terça. Tite, ao confirmar que Ederson será o goleiro titular nesse confronto, indicou a possibilidade de mais modificações na equipe principal. Danilo, Fred e Tardelli são candidatos importantes. 

Essa oportunidade também pode surgir porque os donos das respectivas posições enfrentarão os bolivianos pendurados. São os casos de Daniel Alves, o titular da lateral direita, Paulinho e Renato Augusto, os homens do meio, e ainda Gabriel Jesus e Neymar, os atacantes do time. Ainda podem ser desfalque nesse sentido o zagueiro Miranda e os volantes Casemiro e Fernandinho. 

Tardelli tenta ser o terceiro "chinês" a emplacar

Centroavante mais utilizado por Dunga em sua segunda passagem pela seleção, Diego Tardelli foi uma surpresa considerável da lista de Tite. Ele atuou em nove jogos e marcou três gols com o treinador antecessor, sendo dois em amistoso contra a Argentina. Mas, depois da Copa América 2015, Dunga praticamente definiu que não chamaria mais atletas do futebol chinês. Tardelli, que havia se mudado ao Shandong, deixou o radar. 

Fisioterapeuta da seleção brasileira e do próprio clube chinês, Bruno Mazziotti é um personagem importante na ascensão do atacante. Na última temporada, Tardelli chegou a deixar o elenco principal do Shandong e entrar em atritos com a direção do clube. Com o apoio do brasileiro que integra a comissão técnica, e com a motivação por uma nova chance na seleção, ele cresceu fisicamente, recuperou o espaço e virou protagonista. Em 2017, tem seu melhor ano na China, com 12 gols em 15 jogos. 

Tite, que alcançou êxito com as convocações dos "chineses" Paulinho e Renato Augusto, tenta provar que, apesar de muitas críticas à opção por Tardelli, pode ter nele uma opção no ataque da seleção. Uma das virtudes é a versatilidade, pois na visão da comissão técnica ele pode atuar pelas pontas, onde há concorrência pesada, ou como jogador de referência, onde não há tantas opções. O treinador ainda o definiu como um dos "legados" que recebeu de Dunga. 

Danilo é maior sombra de Dani Alves pós-2014; Fred tenta se provar

Tim Ireland/AP Photo

Embora tenha sido o lateral mais presente no ciclo de Dunga, entre 2014 e 2016, Daniel Alves demorou a conquistar esse espaço. Nos oito primeiros jogos do ex-treinador, a camisa 2 foi de Danilo, que ao todo fez nove partidas. O período coincide com a ascensão do ex-santista até o Real Madrid, mas foi abreviado por uma lesão no tornozelo e duas temporadas difíceis na Espanha. 

Sem ter em Fagner o reserva que transmite 100% de convicção, Tite resolveu dar uma oportunidade para Danilo, que vive melhor momento físico, técnico e mental desde que trocou o Real pelo Manchester City. Sob o comando de Pep Guardiola, fez jogos como titular na lateral direita, na esquerda, no meio-campo e até como zagueiro. Depois de não se encantar por Rafinha e Mariano, o treinador agora aposta em nova alternativa. 

Entre os nomes talvez menos falados da lista de Tite, Fred foi presença na equipe de Dunga em seis ocasiões, sendo quatro como titular. Na Copa América 2015, iniciou como escolha principal para a meia, mas foi duas vezes sacado em jogos decepcionantes do Brasil e nunca mais retornou. Hoje volante no Shakhtar, ele ainda enfrentou problema de doping e não conseguiu liberação para os Jogos Olímpicos, o que minou as oportunidades com a camisa amarelinha. 

A comissão de Tite, porém, sempre teve o jogador como um nome a ficar no radar e aguardava por uma sequência consistente dele pelo clube ucraniano. A atuação em jogo recente contra o Napoli, pela Liga dos Campeões, foi o item crucial para que a chance fosse enfim concedida. Fred concorre com Arthur, além de outros chamados anteriormente, pelas vagas de Paulinho e Renato Augusto na reserva. A capacidade de passes verticais, normalmente para abrir as defesas rivais, é uma virtude admirada pelo treinador brasileiro. 

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