Crise catalã pode fazer ferver Barça x Real e até rachar seleção espanhola

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Instagram

    Zagueiro Piqué, do Barcelona, vota em referendo sobre a independência da Catalunha

    Zagueiro Piqué, do Barcelona, vota em referendo sobre a independência da Catalunha

O Barcelona sairá do Campeonato Espanhol? Piqué continuará defendendo a Espanha mesmo sendo hostilizado por parte da torcida? E o ambiente na seleção a menos de um ano da Copa, como fica? Essas são algumas das questões levantadas após o referendo na Catalunha, que teve fortes repercussões no mundo do futebol, em que 92% dos votantes defenderam que a comunidade autônoma declare sua independência e vire um novo país.

Apesar de o governo espanhol, sediado em Madri, ter declarado o referendo ilegal e tentado reprimir a votação, o presidente catalão Carles Puigdemont reiterou que a região declarará sua independência em "questão de dias". Entenda os desdobramentos esportivos que uma eventual secessão da região pode ocasionar.

Como fica o ambiente da seleção espanhola?

David Ramos/Getty Images

O impacto mais imediato do referendo na seleção atingiu em cheio o zagueiro Gerard Piqué, voz atuante do nacionalismo catalão e abertamente favorável à realização do referendo – embora nunca tenha declarado exatamente ser a favor da separação. No treino da Espanha da última segunda-feira (2), o jogador do Barcelona foi xingado por um grupo de torcedores.

Piqué respondeu dizendo que seu "DNA é espanhol" e que sua postura de defender a seleção é puramente esportiva, não política. Mas abriu espaço para uma nova polêmica ao dizer que a equipe contava com jogadores naturalizados que "não viviam a seleção" como espanhóis de nascimento. Um destes casos, o meia Thiago Alcântara – nascido na Itália e filho do ex-jogador brasileiro Mazinho – preferiu fugir da polêmica e dizer que só gostaria de falar de futebol.

Se Thiago não quis entrar em dividida, o mesmo não aconteceu com Sergio Ramos. Capitão do Real Madrid e da seleção, o zagueiro criticou Piqué por um tuíte em que o jogador do Barça conclamava os catalães a votarem no referendo. "Não é o melhor, se ele quer que não o vaiem. Talvez não seja a melhor mensagem para o grupo", disse Ramos.

Como a crise política afeta o clássico Barça x Real?

Manu Fernández/AP

Em seu período mais vencedor, no qual conquistou as Eurocopas de 2008 e 2012 e a Copa do Mundo de 2010, a seleção espanhola sempre contou com um vestiário unido. O cenário contrastava com a situação vista no maior clássico do país, Barcelona x Real Madrid, que formam a base do time nacional e possuem uma rivalidade feroz. Com o impasse catalão, a tendência é que a temperatura suba ainda mais.

Em Barcelona, o time de Madri é bastante associado ao governo central e à identidade nacional espanhola que os separatistas catalães repudiam. Já na capital, o movimento que pede a independência tem forte rejeição, especialmente entre setores mais conservadores. É a receita para que o clássico tenha em campo tensões que vão bem além de um simples jogo de futebol.

O próximo encontro entre os arquirrivais na temporada está marcado para 20 de dezembro, no Santiago Bernabéu, pela 17ª rodada do Campeonato Espanhol. Até lá, a menos que haja uma reviravolta, o Barcelona pode esperar ainda mais hostilidades que o normal na capital – especialmente Piqué.

O Barcelona pode deixar a liga espanhola?

REUTERS/Albert Gea

O presidente do Barça, Josep María Bartomeu, deixou em aberto a possibilidade de o clube não jogar mais no Campeonato Espanhol. "Em caso de independência, o clube e os sócios devem decidir em que liga jogariam", declarou em entrevista coletiva na segunda-feira.

Não seria surpresa, porém, se o Barcelona e outros times catalães, como Espanyol e Girona, fossem mantidos no Campeonato Espanhol. Há precedentes de sobra para isso na Europa: o galês Swansea, por exemplo, joga o Campeonato Inglês, enquanto o Monaco, do principado de mesmo nome, disputa o Francês. A princípio, a possibilidade de o Barça mudar de liga parece remota.

Como seria uma seleção catalã?

AFP PHOTO/ JOSEP LAGO

A seleção da Catalunha já existe, mas não é filiada nem à Fifa, nem à Uefa, e por isso não disputa nenhuma competição oficial de grande porte. O time costuma realizar partidas amistosas uma vez por ano, contando com vários atletas nascidos na comunidade autônoma – muitos deles destaques da seleção espanhola, como Sergio Busquets, Cesc Fàbregas, Jordi Alba e, claro, Gerard Piqué.

A última aparição da seleção catalã foi um empate por 3 a 3 com a Tunísia, em dezembro do ano passado. Nas partidas, é comum uma parte considerável da torcida se manifestar a favor da independência da região. Se a federação da Catalunha mantiver a tradição e organizar mais um jogo no final deste ano, a tendência é que a ebulição política seja bem superior a de um amistoso normal.

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