Chance de se ter candidato único contra Eurico no Vasco é cada vez menor

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Marcelo Sadio/Vasco.com.br

    Presidente do Vasco, Eurico Miranda tem presenciado troca de farpas entre opositores

    Presidente do Vasco, Eurico Miranda tem presenciado troca de farpas entre opositores

Há quase que um consenso entre os vascaínos no que se refere à eleição do clube, dia 7 de novembro: a chance de se derrotar Eurico Miranda nas urnas é com a formação de uma chapa única de oposição. O problema é que, embora os próprios opositores concordem em grande parte com esta teoria, ela está cada vez mais longe de se tornar realidade.

Com uma pluralidade de grupos políticos de ideologias diferentes, o pleito cruzmaltino vai se afunilando e apontando com uma disputa em três frentes. Eurico, como situação; Fernando Horta, presidente da escola de samba Unidos da Tijuca, que ganhou o apoio do ex-candidato Otto Carvalho; e uma união de chapas entre o médico Alexandre Campello e o executivo Julio Brant, ainda sem definição sobre quem será o cabeça da chapa.

Horta se lançou como candidato oficialmente em agosto, após renunciar ao cargo de vice-presidente geral do Vasco por discordar das práticas de gestão de Eurico. Otto, seu mais novo apoiador, também foi nomeado por Miranda na atual administração e, embora ainda exerça o cargo de presidente do Conselho Fiscal, declara ter rompido com o mandatário.

A recente mudança de lado da dupla não é vista com bons olhos por Campello e Brant e é justamente o entrave para que os dois não se juntem aos ex-aliados de Eurico. Eles acreditam que Horta e Otto são uma espécie de ramificação da atual diretoria, uma vez que além de já terem participado dela ainda têm o apoio de José Luiz Moreira, ex-vice de futebol do clube e que por muito tempo foi um braço direito e homem de confiança de Miranda.

"É a famosa chapa dois. Todos juntos com o Eurico para fechar e repartir o Vasco entre eles. É uma chapa que nasce da mesma raiz, da mesma diretoria. O Horta ainda é vice-presidente do clube. É a manutenção no poder dos que rebaixaram o Vasco. Para o bem do nosso clube, temos de lutar contra isso. Somos oposição ao modelo de gestão que vem sendo praticado no Vasco nos últimos 20 anos e que trouxe o clube até o desastre que vemos hoje", declarou Julio Brant, que ganhou coro do grupo Frente Vasco Livre, de Alexandre Campello:

"Unir os grupos de oposição em torno de uma única candidatura é, desde o início, um objetivo que a Frente Vasco Livre perseguiu. Unir por unir, no entanto, nunca nos interessou. Porque temos lado. E ter lado é ter convicção sobre quem é o verdadeiro adversário a ser combatido. A união do Otto de Carvalho e Fernando Horta não surpreende em nada – e sepulta qualquer dúvida para quem teimava em enxergá-los como opositores contrários à atual gestão e às práticas nefastas que a caracterizam (...)".

Fernando Horta não ficou calado e respondeu aos ataques ratificando seu desejo por uma chapa única, mas sem deixar de alfinetar o candidato Julio Brant:

"(...) Nos últimos 15 dias, três grupos políticos do Vasco foram assediados pelos candidatos da oposição e os três decidiram apoiar Fernando Horta. Nesses três movimentos, especialmente o candidato da chapa Sempre Vasco (Julio Brant) mostrou-se agressivo, menosprezando e subestimando esses apoios dados a nós, sempre após não conseguir conquistá-los. Passou o último mês correndo atrás de Otto, quando, ao que parecia, ele o considerava importante para a 'união'. A união que buscamos é outra: é uma união sem objetivos pessoais, sem vaidades, sem arrogância, sem prepotência e com o Vasco acima de tudo. Na paz (...)".

Campanha de Eurico baseada em benfeitorias na 1ª gestão

Eurico Miranda assiste à troca de farpas entre os opositores fumando seu charuto. Com uma chapa intitulada "Reconstruindo o Vasco", o dirigente tem pautado sua campanha exaltando benfeitorias patrimoniais e financeiras exercidas durante o seu triênio. Nesta semana, intensificou sua divulgação com cartazes e outdoors espalhados pela cidade.

O atual presidente cruzmaltino também ataca forte em outra frente, a dos conselheiros, uma vez que a eleição no Vasco é feita de forma indireta. Uma vez estabelecido o resultado nas urnas, um pleito interno é realizado entre estes condecorados e, somente então, se é divulgado o novo mandatário do clube. Neste cenário, conversas particulares e nomeações para tal cargo têm sido feitas nos últimos meses.

 

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