Roger relembra ensaio nu: "Carpegiani quis me afastar por indisciplina"

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

  • AFP/G Magazine

    Roger posou para a G Magazine há 18 anos

    Roger posou para a G Magazine há 18 anos

Há exatos 18 anos, o ex-goleiro Roger estrelava a capa da revista G Magazine com um ensaio nu polêmico. Além de render o apelido de "peladão", a publicação de 1999 acabou dando a maior dor de cabeça ao então jogador do São Paulo, que precisou deixar a equipe por um período de três meses para não ser afastado por indisciplina pelo técnico Paulo César Carpegiani.

Em entrevista ao UOL Esporte, Roger contou que o São Paulo já estava sabendo da negociação com a revista meses antes da publicação. De saída do clube, o técnico Carpegiani teria pedido ao goleiro que tentasse o adiamento da divulgação ensaio nu até que ele deixasse o comando do time do Morumbi.

"O Carpegiani veio falar comigo, dizendo que tinha assinado um pré-contrato com o Flamengo e queria que eu adiasse a revista até ele sair. Eu falei para ele que ligaria para o diretor da G Magazine, porque não dependia mais de mim. E esse diretor falou que seria tranquilo, era só ir colocando outras edições na frente e então só publicaria em janeiro", contou Roger.

Mas a história sobre o ensaio nu já estava espalhada. Em uma entrevista coletiva, um jornalista acabou tocando no assunto e Carpegiani foi enfático: "Se a revista for para as bancas, Roger não jogará mais pelo São Paulo".

"No dia seguinte (à coletiva), ele me chamou perguntando se eu tinha conseguido. Mas, com a polêmica gerada na entrevista, eles falaram que não ia ter jeito e publicaram. Só que o Carpegiani disse que tinha dado a palavra dele de que eu não jogaria e não iria voltar atrás", disse Roger.

"Ele se precipitou. Seria mais íntegro se ele falasse o que ocorreu, do que ter colocado o São Paulo nessa situação. Eu sofri as consequências. Ele queria que eu ficasse afastado por um mês por indisciplina. Mas eu não queria aceitar, seria assinar que fiz coisa errada, e não fiz nada errado", acrescentou.

Para abafar o caso e não acatar ao técnico, o goleiro acabou indo ao Vitória por empréstimo. "A repercussão toda estava até me afetando no treinamento. Não estava conseguindo me concentrar direito e por isso decidi ficar lá", comentou.

Apesar de tudo, Roger não se arrepende em nenhum instante de seu ensaio nu. Pelo contrário. Para ele, toda essa polêmica serviu como apoio na luta contra o preconceito e diferenças entre homens e mulheres.

"Eu recebi apoio de vários segmentos. Acho que essas coisas são boas de acontecer, porque mostra o preconceito contra o homem posando nu. Para mulheres é diferente. E o mundo busca tanto essa igualdade entre homens e mulheres", comentou.

Procurado pela reportagem do UOL Esporte, o técnico Paulo César Carpegiani não respondeu ao contato.

Ceni se precipitou ao virar técnico, crê Roger

Santos, Fernando/TBA
Roger nunca se incomodou com a vida de reserva de Rogério Ceni no São Paulo. O ex-goleiro foi pressionado até pela família para deixar o clube, já que não conseguia desbancar o amigo, mas ele não via necessidade. Foram 51 jogos em oitos anos de time.

"Eu aprendi muito com o Rogério Ceni, tinha grande amizade. Ao mesmo tempo era cobrado para sair do time e buscar meu espaço em outros. Meus pais sempre pediam isso. Mas sentia que lá no São Paulo eu tinha além de espaço, tinha importância. Quando o Ceni não jogava, eu era capitão. Eu explicava isso para o meu pai. Entrei em vários jogos importantes e conquistei títulos jogando finais como titular", comentou.

Segundo Roger, Ceni acabou se precipitando ao se tornar técnico do São Paulo logo depois que encerrou a carreira. Para o ex-goleiro, o amigo deveria passar por outras funções no próprio clube antes de assumir o comando do elenco.

"Particularmente eu achei precoce. Achava que ele tinha mais características de ocupar um cargo como o Edu Gaspar no Corinthians, por exemplo. E aí daria tempo para ele se preparar mais e se aperfeiçoar como técnico", comentou.

Vida política

Reprodução/Facebook
Aposentado das quatro linhas desde 2008 por uma lesão no ombro, Roger se dedica à política desde então. O ex-goleiro foi vereador da cidade de Cantagalo, onde reside, de 2008 a 2012 e hoje é coordenador regional do PSC (Partido Social Cristão).

"Eu sempre quis entrar na política, porque estou nesse ambiente. Minha família respira política. Até mesmo na revista falei sobre isso, que quando me aposentaria do futebol, gostaria de ser prefeito".

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