Com 4 ofertas, goleiro que parou Neymar vira símbolo para futebol boliviano

Dassler Marques

Do UOL, em La Paz (Bolívia)

  • David Mercado/Reuters

    Neymar é travado por goleiro boliviano: partida acabou sem gols

    Neymar é travado por goleiro boliviano: partida acabou sem gols

O goleiro Carlos Lampe roubou a cena com um total de 13 defesas que impediram a vitória do Brasil, quinta-feira (5), em La Paz. A caminho do vestiário, foi cercado por cerca de 20 jornalistas bolivianos que celebravam a atuação extraclasse do jogador que assegurou o empate sem gols. Fechar a porta para a seleção verde e amarela tem um significado mais que especial para o futebol local. 

A dificuldade em romper fronteiras é uma barreira histórica enfrentada pelos bolivianos, que sonham com um desenvolvimento para seu futebol e sua seleção, mas passaram novamente longe da Copa do Mundo da Rússia. Lampe, que se apresentou aos brasileiros com defesas importantes, sobretudo contra Neymar, é um motivo de esperança para os locais. 

"Para nós bolivianos, jogar na Europa ou em ligas super competitivas custa o dobro. Me aconteceu de jogar no Chile, e lá chegamos a uma semifinal e devo me despedir de minha equipe", comentou Lampe, que chamou a atenção do Huachipato-CHI, há um ano, por também brilhar contra outro grande craque de classe mundial. 

Na Copa América 2016, apesar da Bolívia repetir sua sina e ser eliminada da primeira fase com três derrotas, Lampe chamou a atenção. Um ponto alto foi uma defesa em cobrança de falta quase perfeita de Messi que o goleiro nascido em Santa Cruz de La Sierra, hoje com 30 anos, foi buscar no ângulo. O lance adiou aquele que seria o gol 500 do craque e permitiu ao camisa 1 romper as fronteiras. 

Na seleção que foi a campo e segurou o Brasil, Lampe e Marcelo Moreno são os únicos que atuam fora da Bolívia. O centroavante, porém, jamais atuou profissionalmente por uma equipe local e fez toda sua trajetória no futebol internacional.

O fracasso de outros bolivianos no exterior, como Chumacero, o mais talentoso da atual geração e que teve passagem ruim pelo Sport, é uma dificuldade histórica. Até mesmo Marco Etcheverry, o meia que levou o país a seu único Mundial, em 1994, atuou em quatro ligas diferentes, mas nunca repetiu os feitos atingidos com a camisa verde. Isso, porém, não se repetiu com o goleiro que parou Neymar. 

"Vou seguir trabalhando para dar um salto maior", comentou Lampe, cotado para se transferir depois de um ano de destaque no futebol chileno. "Tive quatro ofertas formais, sigo melhorando e vão se abrir mais portas para mim. Meu objetivo é voltar à minha equipe e dar um salto maior", acrescentou. 

O carinho recebido de Neymar 

Manuel Claure/Reuters
Goleiro boliviano deu sua camisa a Neymar e recebeu a dele em troca

Lampe demonstrou personalidade ao ser abordado sobre a atuação de gala contra o Brasil, com direito a defesa até com o rosto. "Estou preparado para competir com ele, com Messi, com qualquer oponente, e demonstrei, não é a primeira vez. Demonstrei com a Argentina em Córdoba e aqui, com a Colômbia lá, com o Chile aqui e lá. Não é casualidade meu trabalho. O futebol chileno é competitivo", lembrou. 

"Trocamos camisetas. O mais lindo do futebol são essas coisas. A humildade que ele tem. A humildade deve estar acima de todas as coisas e todos os brasileiros demonstraram muita humildade", frisou Lampe.

"Neymar me felicitou pelas defesas, até com a cara eu defendi. Estou acostumado. Me mandou a bola na cara (risos). Faço tudo pela seleção e pelo meu clube. Se tiver que pôr a cara, eu ponho. Se tiver que quebrar o nariz, eu quebro", concluiu. 

Com 34 gols sofridos, apesar das defesas de Carlos Lampe, a Bolívia tem a segunda pior defesa das Eliminatórias e está na penúltima posição - só supera em gols sofridos e em pontos a lanterna Venezuela. Na próxima terça (10), visita o Uruguai em Montevidéu e com mais desafios para seu camisa 1, que encara nada mais nada menos que Luis Suárez e Edinson Cavani. 

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