Na semana após penta, Cruzeiro respira crise política e racha entre aliados

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Jaci Silveira/Cruzeiro

    Eleição de segunda-feira desencadeou mudanças e início de crise política no clube

    Eleição de segunda-feira desencadeou mudanças e início de crise política no clube

O torcedor do Cruzeiro poderia estar comemorando o título ainda recente da Copa do Brasil, mas o cenário que cerca seu time causa preocupações e incertezas sobre o futuro desde a última segunda-feira, seja em torcedores, jogadores ou membros da diretoria. Dias após o pentacampeonato, a eleição para novo presidente parecia ser um indício da continuidade da atual gestão. Porém, o que se começou a ver nas horas seguintes foi um princípio de desestruturação e eventual esvaziamento de cargos importantes nos bastidores da equipe. Antes aliados, membros da atual e futura direção agora divergem entre si, instauram uma crise política nos bastidores e já colocam em xeque a temporada de 2018.

Ao vencer a eleição para presidente do clube, Wagner Pires de Sá frisou a necessidade de manter o clube unido, seja com a participação de membros da situação ou da oposição. Perguntado sobre a manutenção da diretoria, Wagner se mostrou favorável à permanência dos profissionais que fortaleceram a gestão de Gilvan, seu apoiador. Porém, tudo começou a mudar com a indicação de Itair Machado para ser o novo vice-presidente de futebol, mexendo assim na estrutura da diretoria e indo em desencontro com seu primeiro discurso. A notícia sobre a futura nomeação desagradou conselheiros e dirigentes da chapa de situação. Bruno Vicintin foi o primeiro a manifestar seu desejo de sair. Um dia depois, Gilvan rompeu os laços com o candidato que apoiou e abandonou o processo de passagem de bastão que deveria acontecer de forma natural e tranquila. Durante seus últimos meses na presidência, Gilvan aproveitaria o fim de ano mais calmo após o título para auxiliar Wagner no planejamento de 2018, o que não deverá mais acontecer.

Quem pode sair, chegar e ficar

Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

As primeiras baixas até o momento poderão aumentar e o departamento de futebol corre risco de sofrer uma grande reformulação. Outra importante peça nos bastidores do clube é Tinga. Gerente de futebol em seu primeiro ano fora das quatro linhas, foi dele a responsabilidade de fazer a ponte entre jogadores e diretoria, além de ajudar a contornar momentos de instabilidade durante o ano como a perda do Mineiro e a eliminação na primeira fase da Copa Sul-Americana dias depois. Itair Machado iniciou as conversas para tentar convencer Tinga a ficar, mas o ex-volante, insatisfeito com o cenário, já confidenciou a pessoas próximas sua decisão irrevogável de sair. O mesmo esforço ainda não foi feito para tentar segurar Klauss Câmara, diretor de futebol, e Pedro Moreira, supervisor, ambos integrantes da atual diretoria e homens de confiança de Gilvan e Vicintin, mas que ainda não foram chamados para as conversas. Além dos cargos já citados, o departamento de comunicação e o de marketing também deverão ser modificados com a chegada de novos profissionais. Marco Antônio Lage, ex-diretor de comunicação da FIAT na América Latina, é homem de confiança e indicado por Wagner Pires para cuidar do novo setor, que será integrado. Nas categorias de base, o superintendente Antônio Assunção pode não permanecer.

Futuro de Mano é outra preocupação

Mesmo antes de tomar posse oficialmente, Wagner Pires já tem como uma das principais urgências resolver a situação de Mano Menezes. Por causa de um tratamento de pele em São Paulo, o treinador foi liberado dos treinamentos e do jogo deste final de semana. De lá, Mano acompanha o princípio conturbado da passagem de bastão de Gilvan de Pinho Tavares para Wagner Pires de Sá. Na semana que vem, o comandante retorna a Belo Horizonte para iniciar as conversas com a diretoria, incluindo Itair Machado, mas pode acabar rejeitando o acordo de renovação. Além do desgaste natural das duas passagens, Mano também não é favor do desmantelamento do departamento de futebol que começou com a saída de Vicintin, diretor de sua confiança e um dos responsáveis por sua contratação, diminuindo assim suas chances de permanecer.

Outros assuntos estão paralisados

Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

Também dentro das quatro linhas, outros assuntos precisam ser resolvidos ainda neste final de temporada, como é o caso de Hudson. O volante está emprestado pelo São Paulo e o Cruzeiro tentará permanecer com o jogador em definitivo. A negociação com o Tricolor, no entanto, ficará paralisada até que a diretoria não resolva as pendências mais urgentes.

Jogadores confusos e torcida preocupada

Nas entrevistas da Toca da Raposa, o assunto também chegou aos atletas. Apesar da tentarem se esquivar, eles não esconderam a preferência pela continuidade do corpo profissional e lamentaram a saída de Vicintin. Porém, no lugar das brincadeiras que tomaram conta do CT na semana passada, atletas e funcionários convivem em um ambiente de apreensão. Na torcida, as rápidas mudanças também foram recebidas com muitas críticas. No Twitter, o assunto #NaoAceitamosItairMachado virou tendência e deixou ainda mais claro a preocupação do torcedor com o futuro do time.

Brasileirão em segundo plano

Com toda a situação política conturbada nos últimos dias, o jogo contra a Ponte Preta acabou ficando em segundo plano. Vale lembrar que o Cruzeiro entra em campo neste sábado para o jogo isolado da 28ª rodada. A pedido do clube mineiro, a partida foi adiantada para este final de semana. Os jogadores já se reapresentaram e iniciaram os trabalhos desde a última quarta-feira com o auxiliar Sidinei Lobo. Além de Mano Menezes, que está de licença médica devido a um tratamento de pele, o time celeste também não deverá contar com o goleiro Fábio, Léo, Murilo e Hudson.

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