Neymar se acalma, mas mostra lado "fominha" e passa em branco pela 3ª vez

Dassler Marques

Do UOL, em La Paz (Bolívia)

  • Leo Correa/AP

    Neymar fez todo o possível, mas não conseguiu ir às redes novamente

    Neymar fez todo o possível, mas não conseguiu ir às redes novamente

Jogador mais caro do mundo e alvo de um noticiário tumultuado até aqui no PSG, Neymar tem oscilado na seleção brasileira a partir de seu novo status. O empate sem gols em La Paz na última quinta-feira (5) até mostrou um camisa 10 mais tranquilo, conforme havia sido pedido por Tite, mas que insiste em um jogo mais individualista. 

Das 18 finalizações do Brasil no jogo, nove saíram dos pés dele. De acordo com o Footstats, Neymar ainda foi o jogador que mais recebeu faltas (sete), o líder em bolas perdidas (dez) e o segundo brasileiro com mais tempo de posse, situação incomum para um atacante. Ele reteve a bola por 2min58s no jogo. Com tantas defesas do goleiro boliviano Lampe, passou em branco pelo terceiro jogo seguido na seleção. 

Diferente de outros momentos, como o jogo com Equador em Porto Alegre, no mês passado, o atacante teve uma postura mais próxima daquilo que o treinador espera no comportamento. Sem bate-boca, reclamações ou qualquer estresse, o craque se mostrou mais calmo. Vencido por Lampe, trocou camisas com o adversário e ouviu que era uma pessoa humilde. Na saída do Hernando Siles, também atendeu jornalistas com tranquilidade, sem sinais de irritação. 

Foi apenas nas redes sociais que o atacante aproveitou para desabafar e criticar as condições enfrentadas na altitude de La Paz. "Desumano jogar nestas condições", disse o jogador ao postar uma imagem dele e de seus companheiros com máscaras de oxigênio no vestiário. 

Tite, na entrevista pós-jogo, ainda contou que teve uma conversa especial com Neymar e Daniel Alves. "Coloquei para eles que são importantes pela maturidade que têm, pelos títulos que conquistou, pelos técnicos com quem trabalharam. O Neymar é diferente. Os dois são exemplos de conduta, passam senso de equipe. Os dois representaram isso", elogiou o treinador, que certamente ainda espera um jogo mais coletivo de seu camisa 10.  

Na Bolívia, a vontade de Neymar encerrar o jejum parecia clara. Além do empenho, ele acabou não servindo companheiros e deixando escapar um lado "fominha" em alguns dos muitos momentos ofensivos do Brasil, sempre com ele como protagonista em arrancadas, cobranças de faltas ou batidas de longe.

No primeiro tempo, por exemplo, com Gabriel Jesus livre na área, Neymar optou por driblar o goleiro Carlos Lampe. Ele tropeçou, chutou duas vezes e viu Valverde, zagueiro rival, salvar em cima da linha. Na ocasião, já era de novo possível tocar para companheiros em melhor situação. Sempre muito incisivo em suas ações, ele ainda deu seis assistências para finalizações de companheiros - a que efetivamente levou perigo, com Paulinho, parou na trave. 

Com seis gols, contra cinco de Paulinho e Gabriel Jesus, Neymar ainda assim é o principal goleador do Brasil nas Eliminatórias, mas tem o equatoriano Caicedo (7), o chileno Sánchez (7) e o uruguaio e colega de clube Cavani (9 gols) à sua frente. A última oportunidade de encerrar o jejum e mostrar novamente que pode ser o jogador que treinador espera será na terça-feira (10), contra o Chile, em São Paulo. 

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