Gols e escapada para conhecer Neymar: ex-Flu, Richarlison vive sonho inglês

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

  • Paul Childs/Action Images via Reuters

Mesmo incomum na Inglaterra e de difícil pronúncia para os britânicos, o nome de Richarlison já está na boca dos torcedores do Watford e dos amantes da Premier League. O impacto imediato no norte de Londres já rendeu ao ex-jogador do Fluminense a titularidade com o técnico português Marcos Silva e o posto de goleador da equipe neste início de temporada.

Os Hornets ocupam a oitava posição no Campeonato Inglês após sete rodadas. À frente deles, só o Burnley (sexto), também de desempenho surpreendente, não compõe o grupo dos grandes clubes do país. Nesta campanha na metade de cima da tabela, pouco depois da luta contra o rebaixamento na última temporada, o atacante brasileiro é o protagonista.

Artilheiro da equipe com três gols em oito partidas, Richarlison vive, acordado, um sonho de criança. "A Premier League era meu objetivo desde pequeno", conta, com a animação de um jovem de 20 anos, ao UOL Esporte. "Tive proposta do Ajax e do Porto, mas quando vi que o Watford estava interessado, não pensei duas vezes. O (Marcos) Silva me ligou, disse que precisava de mim, sabia do meu potencial e que eu poderia jogar nas três posições ali da frente, aberto nas pontas ou por dentro. Isso me deixou muito feliz", acrescenta o pupilo de Gomes, ex-goleiro da seleção brasileira e dono da meta do Watford.

A alegria do novato quase se transformou em lágrimas de felicidade, no primeiro gol em solo inglês, contra o Bournemouth, na vitória por 2 a 0 fora de casa, na segunda rodada. "Deu até vontade de chorar, cara. A emoção foi muito grande". Na segunda vez que balançou a rede, para garantir o triunfo nos acréscimos contra o Swansea City, também como visitante, não se conteve – e sentiu no bolso. "Tirei a camisa, levei cartão amarelo e tomei até multa do clube. Vão descontar do meu salário, mas valeu a pena (risos)", conta, com simplicidade contagiante. Diante do West Bromwich, no último jogo, deixou a sua marca de novo nos minutos derradeiros e evitou não só a derrota como outra punição, ao seguir com o uniforme.

Steven Paston/AP
Richarlison se emocionou ao marcar o primeiro gol na Premier League

Nem os dias em que tudo dá errado impedem o sonhador Richarlison de ver o copo meio cheio. A goleada sofrida para o Manchester City, por 6 a 0, no meio de setembro, em Vicarage Road, casa do Watford, tornou-se uma oportunidade para encontrar astros que ele admirava, até então, apenas à distância. "O resultado não foi o esperado, mas depois da partida fiz questão de cumprimentar todo mundo: Agüero, De Bruyne, Gabriel Jesus, Guardiola. Fiquei de boca aberta olhando para os caras. Mesmo que eu ainda não fale inglês, apesar das aulas três vezes por semana, não tem preço que pague essa experiência, uma emoção muito grande".

Dentre as estrelas do City, Richarlison escolheu um compatriota para trocar a camisa: Gabriel Jesus. "Ele é da minha idade, está arrebentando na Premier League e joga com a 9 do Brasil. Serve de inspiração para mim e espero um dia poder jogarmos juntos na seleção", projeta, antes de revelar qual foi o papo com o colega de posição. "Ele falou para mantermos contato e que qualquer coisa que eu precisasse era só falar com ele, porque me ajudaria na Inglaterra. Agradeci e disse que era fã dele".

A sensação do Watford quase trilhou o caminho da joia da base do Palmeiras. Com desempenho irregular do seu ataque depois da transferência do craque do título do Campeonato Brasileiro para o Manchester City, o clube do Palestra Itália tentou contratar Richarlison em junho. "Eu realmente queria ir para o Palmeiras para jogar a Libertadores, só que isso não agradou ao presidente do Fluminense. Em momento algum fiquei triste, porque segui em um grande clube. Continuei jogando, focado, fazendo gols. Tanto é que chamei a atenção do Watford".

O objetivo de Cuca era reforçar o poder ofensivo para o mata-mata do torneio sul-americano. Com a negativa dos cariocas, o Palmeiras buscou Deyverson no futebol espanhol. Na decisão por pênaltis contra o Barcelona-EQU, nas oitavas de final, a aposta de Alexandre Mattos e companhia se recusou a executar uma das cobranças, e a eliminação aconteceu dentro do Allianz Parque.

Andrew Boyers/Action Images via Reuters

Visita a Neymar e o esperado encontro com Ibrahimovic

Richarlison tenta abraçar todas as oportunidades que aparecem na nova vida na Europa. Até uma viagem a Paris, para resolver questões de documentação, serviu de brecha para conhecer Neymar, recém-contratado pelo Paris Saint-Germain. "A casa nova dele é grandona e tem até segurança na porta", relata, impressionado com o mundo dos milionários. "A recepção foi excelente: ele apertou minha mão, me deu um abraço e tiramos uma foto. Ainda perguntou se eu estava precisando de alguma coisa. Foi a primeira vez que o vi pessoalmente. Ganhei o dia, fiquei felizão".

O próximo desejo ainda está distante de se realizar, mas a data já está definida: 13 de maio de 2018. É o dia da partida contra o Manchester United, pela última rodada da Premier League, no Old Trafford, que o brasileiro aguarda ansiosamente para conhecer. "É o estádio que sempre escolho no videogame", justifica.

Chance de também trocar camisa com Zlatan Ibrahimovic, que se recupera de grave lesão no joelho direito e dificilmente participará do confronto entre as equipes no primeiro turno, no fim de novembro. O sueco faz parte da vida de Richarlison desde os primeiros passos no futebol, em Nova Venécia (ES), por um motivo inusitado. "Lá na minha cidade me chamam de 'Richarmovic' por causa do nariz, mas o do Ibra é maior (risos)". 

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