Fã de Neymar e funk, 'fenômeno' divide posto de xodó no City com G. Jesus

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (Inglaterra)

  • Oli Scarff/AFP

Na terra da Rainha, Gabriel Jesus, 20, compartilha o trono de xodó da torcida do Manchester City com um alemão. Sem contar os veteranos consagrados, como Yaya Touré e David Silva, o brasileiro divide com Leroy Sané, 21, o posto de queridinho entre os jogadores mais jovens. A cada anúncio de escalação ou lance de efeito, a dupla leva os aficionados ao delírio no Estádio Etihad.

Nascido em Essen, no noroeste da Alemanha, Sané carrega a paixão pelo esporte no sangue. Filho de Regina Weber, medalhista de bronze na ginástica rítmica nas Olimpíadas de Los Angeles (1984), o meia-atacante seguiu os passos do pai Souleymane, ex-jogador da seleção de Senegal e destaque no futebol alemão entre as décadas de 80 e 90.

Embora tenha dado os primeiros chutes quando criança pelo Wattenscheid 09, ex-time do pai, o canhotinho habilidoso se estabeleceu, após passagem pelo Bayer Leverkusen, na consagrada categoria de base do Schalke 04, cujas revelações incluem Manuel Neuer, Mesut Özil e Julian Draxler.

Campeão da Bundelisga sub-19, Sané ganhou espaço no time principal sob o comando do técnico italiano Roberto Di Matteo, vencedor da Liga dos Campeões com o Chelsea em 2012. "É um fenômeno", define Júnior Caiçara, lateral-direito que conviveu com a joia na temporada 2015/16, a última de Leroy em Gelsenkirchen antes do City desembolsar R$ 176 milhões pelo reforço – mais do que por Gabriel Jesus, que custou R$ 121 milhões.

"Todo mundo sabia que era muito difícil o Schalke conseguir mantê-lo no clube", acrescenta Caiçara, atualmente no Basaksehir, da Turquia. "A qualidade dele é sobrenatural. No um contra um ele destrói. E ainda é abusado, dá caneta todo treino. Também tomei e ele até tirou sarro, falando para eu colocar uma redinha de proteção entre as pernas".

Quem convive nos bastidores do City aponta o camisa 19 como um jovem tranquilo, humilde e de amizade estreita com o inglês Raheem Sterling, 22. Na relação com os brasileiros, proximidade maior com Gabriel Jesus, pela faixa etária de ambos. A simpatia pelo Brasil passa por outro astro do futebol.

"É fã do Neymar, assim como a maioria dos jovens alemães", entrega o ex-companheiro. "Sempre falava dessa grande admiração, mas hoje o Neymar também pode ser fã dele, que está arrebentando", pondera, antes de revelar empolgação do então novato com um gênero de música brasileira. "No vestiário, sempre que eu colocava um funk para tocar, ele curtia e começava a dançar".

Na primeira temporada pelo Manchester City, Sané foi finalista do prêmio de melhor jogador sub-23 do futebol inglês. Na atual campanha, reconquistou a titularidade após começar entre os reservas por causa do desempenho abaixo dos treinos. "Ele não chegou bem para a pré-temporada", diz Pep Guardiola. "Não fez boa preparação e, pelas primeiras partidas, não estava merecendo continuar no time. Agora readquiriu o bom momento".

Sané ocupa, ao lado de Gabriel Jesus, a terceira posição entre os artilheiros do time na atual campanha, com cinco gols. Acima deles estão Sterling (6) e Sérgio Agüero (7). Invicto em dez apresentações, o City lidera a Premier League e o Grupo F da Champions League. No sábado, recebe o Stoke City em Manchester.

Com herança genética a favor, o alemão se tornou o jogador mais rápido da história da Premier League. Na vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, no Stamford Bridge, no último dia 30, ele alcançou 35,48 km/h para conquistar o feito – a medição acontece desde 2014, e a marca anterior era de Jamie Vardy, do Leicester.

"Ele tem capacidade de correr 40 metros em um espaço linear, característica típica do futebol alemão", explica Guardiola. "Consegue fazer isso muitas vezes seguidas, sem contar a habilidade".

O talento de Sané estará no caminho da seleção brasileira até a Copa da Rússia. Em março de 2018, o Brasil reencontrará a Alemanha pela primeira vez depois do 7 a 1, e o amistoso no Estádio Olímpico de Berlim será o último antes da lista definitiva de Tite para o Mundial. Semifinalista da Euro-2016, o meia-atacante é presença frequente nas relações de Joachim Löw.

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