1ª chapa inscrita abre eleição no Coxa com promessa: não enganar a torcida

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Arquivo pessoal

    Eleição do Coxa começou com a inscrição da Chapa Coritiba do Futuro

    Eleição do Coxa começou com a inscrição da Chapa Coritiba do Futuro

As eleições do Coritiba oficialmente começaram com a inscrição da primeira – e única, até esta segunda-feira (06) - chapa ao Conselho Administrativo do clube. A "Coritiba do Futuro" abriu o pleito para o triênio 2018-2020 com a proposta de "não enganar o torcedor", nas palavras do candidato a presidente, o advogado e professor universitário, mestre e doutor em direito Samir Namur, de 34 anos.

As demais chapas têm até o dia 9 deste mês para se inscreverem. A eleição ocorre em 9 de dezembro, uma semana depois do final do Brasileirão.

Ao lado de Paulo Roberto Baggio Pereira, Jorge Durao, Eduardo Bastos de Barros e Anibal de Paulo Mesquita Junior, Namur se apresenta como a primeira opção inscrita para substituir Rogério Bacellar e o atual G5, cujo mandato se encerra no final deste anos. Samir Namur foi presidente do Conselho Deliberativo do clube até se licenciar há pouco mais de um mês.

Ele falou com o UOL Esporte sobre os projetos que oferecerá à torcida coxa-branca.

UOL – Por que você quer ser presidente do Coritiba?

Samir Namur - Sempre tive o objetivo de entrar na política e no Conselho do Clube por que queria ajudar. Nunca tive, todavia, qualquer ambição a cargo. Mas o amor e dedicação ao Clube sempre me fizeram estar à disposição para o que fosse preciso. Por isso, inserido em um grande grupo de conselheiros e torcedores com o mesmo perfil de renovação e ideias de mudança, fui o nome escolhido para encabeçar a chapa.

Arquivo pessoal
Da esquerda para a direita: Jorge, Eduardo, Samir, Baggio e Aníbal, candidatos ao Coritiba

UOL – O que a chapa pode mudar no Coxa?

SN - Nosso plano de metas é centrado em 3 pontos principais, a nosso ver o único futuro viável para o Coritiba. Primeiro, cumprimento do orçamento: o Coritiba é o 14o Clube do Brasil em receita média nos últimos 10 anos em um cenário em que os 10 primeiros concentram 80% das receitas. Para aumentar a receita e competir com esses clubes o primeiro passo é equilibrar financeiramente o clube, não gastando mais que o previsto e, consequentemente, não fazendo mais dívidas e diminuindo passivos e juros.

Depois, a profissionalização do futebol. Nosso G5 não terá o "homem do futebol" como todas as outras diretorias anteriores. Com a supervisão da diretoria e parâmetros pré-definidos, por exemplo um elenco máximo de 36 atletas com mínimo de um terço da base no primeiro ano, caberá a um diretor de futebol trazido do mercado e com amplo conhecimento e experiência tomar as decisões e, logicamente, ser cobrado por elas. Hoje o Coritiba trabalha com um número alto de atletas contratos de fora, em média 22 a 23 por ano, gastando muito com direitos econômicos e comissões de intermediação para empresários. Com um departamento profissionalizado esse espaço será ocupado pela observação e captação de atletas e o diretor de futebol será cobrado pelos resultados.

E a priorização das categorias de base. Essa é a chave para a longo prazo diminuir o custo do futebol e gerar receita para o Clube. Além de reduzir o número de contratações e de ter pelo menos um terço de jogadores da base no profissional no primeiro ano de gestão, faremos um planejamento para que esses atletas sejam aproveitados já no Campeonato Paranaense. O Coritiba sempre usou a base por necessidade, não por convicção. Nós vamos mudar isso.

A avaliação da Gestão Bacellar

UOL - Quais as críticas e os elogios à atual gestão?

SN - Os únicos pontos a serem elogiados na gestão atual são a quebra da inércia do aumento da dívida do clube, que foi de 119 milhões em 2011 para 202 milhões em 2014, e o fim da administração com antecipações de receita. Essa gestão teve 40 milhões em receitas antecipadas pela gestão anterior.

Mas são várias as críticas: ausência de gestão profissional de futebol pelo alto número de jogadores contratados, pouco espaço para atletas da base, ausência de estratégia de comunicação, baixo investimento em patrimônio, ausência de reforma administrativa, entre outras.

UOL – Essa gestão teve alguns momentos de muita polêmica, como o "Caso China" e a contratação de Belletti. O que você tem a dizer sobre esses dois fatos?

SN - Desde que tive conhecimento de que as contratações poderia ocorrer fui, como Presidente do Conselho, contrário. Tanto é que a diretoria foi cobrada formalmente por mim em carta e também o Conselho instituiu uma comissão para apurar responsabilidades. Essa comissão, composta por cinco conselheiros, concluiu que não deveria haver punição a dirigentes pois não houve transferência para fora e prejuízo financeiro ao clube.

Arquivo Pessoal
Samir Namur foi presidente do Conselho Deliberativo

Já o com o Belletti conversei diversas vezes, ele é um ótimo profissional, com bastante conhecimento de futebol. Poderia ajudar o clube, mas em outro momento. O Coritiba precisa primeiro fazer a lição de casa: cumprir orçamento, equilibrar as finanças, fazer reforma administrativa do quadro de funcionários, ter uma estratégia de comunicação coerente, e passar ao mercado a imagem de um clube organizado. Feito isso, um profissional como o Belletti, que seria diretor de relações internacionais, teria muito a ajudar. Na situação atual, de um Clube endividado e com vários problemas, até mesmo o alto salário pago ao Belletti não tinha sentido.

UOL – Vocês pretendem mexer no Estádio Couto Pereira ou quem sabe tocar o projeto de construir um novo estádio?

SN - Só podemos falar em novo estádio se tiver dinheiro para custeá-lo, o que não existe. O Couto Pereira é a casa do nosso torcedor e temos muito orgulho dele. Mas é evidente que precisa de melhorias. É extremamente importante falar de estádio por que estamos falando da segurança e conforto do nosso torcedor. Deve haver, portanto, investimento no estádio, assim como no CT, mas condicionado ao orçamento previamente aprovado pelo Conselho.

Um passo importante é o de modificar o zoneamento do imóvel do estádio. Com isso poderíamos atrair investimentos, por exemplo para construção nas áreas de estacionamento, e direcionar esses recursos para melhorias no estádio.

UOL – Nesse ano o Coritiba andou com o Atlético em relação com o Estadual, por conta das cotas de TV. Vocês pretendem rever essa política? Quais os planos para o Campeonato Paranaense?

SN - Em primeiro lugar, uma de nossas propostas é estabelecer um planejamento para utilização da base junto com os profissionais no Campeonato Paranaense. Quanto às cotas de TV, é questão de estudar as propostas e negociar. Se forem boas financeiramente o Coritiba deve sim assinar contrato, independente da postura de outros clubes. O mesmo vale para a Primeira Liga.

Os planos para o futebol do clube

Divulgação
Chapa foi a primeira inscrita para a eleição 2017

UOL – Vocês já têm nomes para o departamento de futebol?

SN - Ainda que internamente falemos sobre nomes, na campanha falaremos apenas sobre o perfil dos profissionais, que deve ser esse de trabalhar com orçamento pré-definido, tamanho máximo de elenco e, principalmente, experiência e vontade de utilizar as categorias de base.

No caso do técnico, deve haver convicção para contratá-lo. E ter convicção é saber qual o perfil buscado, havendo alinhamento e concordância dentro do departamento de futebol e diretoria. Tendo a clareza de que existe um projeto bem definido de longo prazo, não se deve mudar técnico por causa de dois ou três maus resultados.

UOL – O técnico Marcelo Oliveira e o gerente de futebol Alex Brasil estão nos planos de vocês?

SN - Não abrimos mão de técnico e diretor que trabalhem com orçamento pré-definido, tamanho de elenco e, principalmente, categorias de base. O Alex Brasil é excelente pessoa, mas não mostrou isso com o seu trabalho. A decisão sobre o técnico, se será o Marcelo ou não, passará por decisão conjunta da diretoria e departamento de futebol, observadas essas premissas.

UOL – Qual o teto do Coritiba no futebol brasileiro hoje?

SN - O Coritiba é nos últimos dez anos o 14o Clube do Brasil em receita, em um cenário em que os dez primeiros clubes concentram 80% da receita. O único futuro viável para o Coritiba passa por equilíbrio financeiro e aumento de receita. E isso só acontece com cumprimento do orçamento e utilização da base com futura negociação de atletas. O aproveitamento de pontos no Brasileiro, por exemplo, é praticamente uma reprodução desse "ranking" de receitas, com o Coritiba também 14o na média dos últimos anos.

Por isso, prometer título brasileiro ou mesmo Libertadores hoje é enganar o torcedor. No cenário atual podem acontecer, mas por acidente. Utilizando a base e a longo prazo aumento as receitas com venda de jogadores poderá o Coritiba ter mais condição de competição com os clubes mais "ricos".

UOL – Você acha que uma torcida exigente como a do Coritiba pode entender um discurso pés no chão como esse?

SN - Acredito sim que a torcida do Coritiba está amadurecida o suficiente para um discurso realista. Falta para isso estabelecer um canal franco e transparente de diálogo com o torcedor, principalmente pelas mídias do Clube. E essa estratégia é uma de nossas propostas: presidente e diretoria devem sim satisfações e esclarecimentos sobre a real situação do Clube e isso deve ser feito de forma constante, em audiência públicas regulares, site, TV, rádio e redes sociais do clube.

UOL – E é possível mudar a história do clube em apenas três anos?

SN - Sim. Desde que essa gestão coloque o Clube no caminho da profissionalização e da gestão de futebol do século XXI.

UOL – Muda algo nos planos de gestão se o Coritiba cair para a Série B?

SN - O Coritiba não vai cair. Em uma eventualidade, subir no primeiro ano vira prioridade.

O panorama eleitoral do Coxa

UOL – Você foi presidente do Conselho Deliberativo. Vê a chapa Coritiba do Futuro como situação ou como oposição? Acredita que haverá bate-chapa?

SN - Falar em situação e oposição é deturpar as funções da diretoria e do Conselho. Não existe candidatura individual no Clube, quem quer entrar no Conselho tem que entrar em uma chapa, que por obrigação estatutária deve lançar candidatura conjunta - G5 e Conselho.

Uma vez eleitos cabe ao gestor gerir e o conselheiro cobrar, apontando o que está certo e o que está errado, independente da chapa por que foi eleito. E foi o que fiz junto com diversos conselheiros eleitos em 2014, tanto é que a Chapa Coritiba do Futuro não tem qualquer vínculo ou mesmo apoio da diretoria atual.

Quanto a outros candidatos, é importante ressaltar que ir na imprensa, lançar logomarca ou nome de chapa não faz de ninguém candidato à presidência do Coritiba. Para ser candidato tem que inscrever chapa com 165 sócios com pelo menos quatro anos de associação. O prazo para isso vai até o dia 09 e acredito que haverá sim bate-chapa.

UOL – Você tem condições financeiras de se dedicar 100% ao Coritiba? Pode ou pretende abrir mão de sua atividade profissional para isso?

SN - Não só pretendo como já assumi esse compromisso perante o torcedor. Caso seja eleito vou me desligar de todos os compromissos profissionais para trabalhar na administração do Coritiba em tempo integral. Tenho sim condições financeiras de fazer isso pelos próximos três anos.

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