Tréllez é denunciado por injúria racial e pode pegar gancho de até 10 jogos

Do UOL, em São Paulo

  • Mauricia da Matta/Vitória

Dezessete dias após ser acusado de chamar Renê Júnior de "macaco" no clássico Ba-Vi, pelo Campeonato Brasileiro, Santiago Tréllez foi denunciado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta terça-feira (7) por injúria racial.

O processo será julgado às 10h na próxima sexta-feira (10). Além de pagar uma multa entre R$ 100 a R$ 100 mil, o atacante colombiano do Vitória pode pegar de 5 a 10 partidas de suspensão, caso seja condenado.

O árbitro Marcelo de Lima Henrique relatou na súmula do jogo a reclamação de Renê Júnior quanto a um suposto ato racista do atacante colombiano Tréllez durante o clássico de domingo.

"Aos 45 mais 2 minutos do segundo tempo, quando a bola estava fora de jogo, o atleta nº 23 Renê dos Santos Junior da equipe do E.C. Bahia veio em minha direção informando que o atleta nº 22 Santiago Trelléz da equipe do E.C. Vitoria o chamou de 'macaco'", diz o relato do árbitro.

O caso

Após a vitória por 2 a 1 do Bahia no BaVi, Renê Júnior deixou o campo muito irritado. Ele se queixou de ter sido chamado de "macaco" por Santiago Tréllez. Na saída do gramado, chegou a ser acompanhado por outros jogadores da equipe rubro-negra que tentaram acalmá-lo.

"O que aconteceu é inadmissível no mundo de hoje, no século que vivemos, mas eu sou maior que isso aí. Não é qualquer palavra que vai me colocar para baixo. Eu queria que eu, meus filhos, e todos os outros negros, fôssemos julgados pela personalidade, e não pela cor da pele", afirmou depois o volante do Bahia, em entrevista coletiva.

Apesar do ocorrido, ele disse que não irá denunciar o atacante do por racismo. "Não vou dar queixa, não. Eu sou maior que isso aí. Para mim, a maior punição vem de Deus."

Renê Júnior também declarou que o próprio Tréllez pediu desculpas ainda em campo e que outros jogadores do Vitória foram solidários. "Teve mais jogador do Vitória que veio me perguntar o que aconteceu, outros que viram me pediram para não denunciar. Ele próprio me pediu desculpas depois, mas foi o que eu falei, eu sou maior que isso tudo. Bola para frente."

"Tenho muito orgulho da minha raça, da minha história, de onde eu vim. Não é qualquer palavra que vai me colocar para baixo", concluiu o volante do Bahia, um dos destaques da equipe na competição.

Um dia depois do ocorrido, o próprio Tréllez voltou a desculpar pelo que pode ter sido "interpretado de forma diferente" e afirmou "ter orgulho de ser negro". O texto foi postado ao lado de uma foto de Trelléz com seu pai, "negro e rastafári".

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