Agente acusa Elias de quebrar contrato e quer indenização de R$ 5,5 milhões

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

    Expulso contra a Chapecoense, Elias foi xingado pela torcida do Atlético-MG

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Um dos maiores empresários do país e um jogador que passou passou pela seleção brasileira começaram a travar uma briga milionária na Justiça. A OTB Sports, dos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb, e que tem em sua carteira de clientes nomes como Guerrero e Dudu, acusa o volante Elias, hoje no Atlético-MG, de descumprir contrato. Por isso, os agentes pedem uma indenização de R$ 5,5 milhões.

A OTB assinou com Elias em 2015, quando ele defendia o Corinthians, um contrato de representação válido até 2018. O acordo continha, dentre outras coisas, três cláusulas: 1) exclusividade da OTB na representação do volante em qualquer negociação com clubes do Brasil e do exterior; 2) Elias deveria empregar seus melhores esforços no intuito de garantir com seu empregador o pagamento do percentual de 10% sobre todas suas receitas à OTB; 3) Elias repassaria à OTB 20% das receitas comerciais e publicitárias do uso de sua imagem, inclusive contrato com a patrocinadora Nike.

Pela assinatura, a título de luvas, os agentes pagaram a Elias R$ 800 mil reais. Dois anos depois, acusam o jogador de descumprir as três cláusulas e cobram a multa por descumprimento estipulada contratualmente, com correção, chegando aos R$ 5,5 milhões. O acordo foi rescindido unilateralmente pelo estafe do volante em um e-mail.

O primeiro ponto da briga é a transferência de Elias do Corinthians ao Sporting (POR), em 2016. Trocas de e-mails obtidas pelo UOL Esporte mostram que Paiva e a OTB não participaram e nem foram avisados da negociação. Os agentes apontam que o pai do atleta, Eliseu Trindade, atuou como agente e que, por isso, houve descumprimento da cláusula de confidencialidade. O jogador se defende afirmando que não houve a atuação de qualquer empresário, já que Eliseu não é agente, e que, por isso, não há ilegalidade.

A empresa também afirma ter intermediado as conversas para a renovação do contrato entre Elias e Nike, e afirma ser responsável por um aumento nos valores do patrocínio, sobre o qual teria direito aos 20% previstos no acordo de representação. Conversas de whatsapp obtidas pela reportagem mostram funcionários da OTB fazendo ponte na comunicação entre o pai do jogador e a fornecedora de material, mas não deixam clara a influência da intermediação nos valores – a defesa do volante alega que ela não existiu e que o contrato foi um mero aditamento do anterior, firmado em 2013.

Por fim, o jogador argumenta que empregou esforços para que o Corinthians repassasse 10% sobre seus vencimentos à OTB, algo que a empresa diz não ter ocorrido. Elias ainda moveu sua própria ação cobrando R$ 75 mil por uso indevido de imagem pela demora da empresa em remover suas fotos de seu site. A reportagem apurou que, antes da propositura da ação, Elias procurou seus ex-representantes para propor um acordo, mas a iniciativa não caminhou.

A Justiça já julgou o caso em primeira instância, e negou os pedidos da OTB, acolhendo parte dos argumentos de Elias - a decisão descartou também qualquer indenização a ser paga pela empresa. Atualmente, os empresários estão recorrendo e ainda não há data para o novo julgamento. Procurados pela reportagem, nem Elias nem a OTB quiseram comentar o assunto.

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