Só vai na boa? Torcida apaga fama e quer levar o SP a títulos em 2018

Bruno Grossi e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Reprodução/Twitter @TeamSaoPaulo

    Organizadas trocaram os usuais protestos por uma tentativa de empurrar o time

    Organizadas trocaram os usuais protestos por uma tentativa de empurrar o time

Entre os rivais e até mesmo entre os próprios são-paulinos, um dos ataques mais recorrentes à torcida do São Paulo envolviam as expressões "modinha" e "só vai na boa". No tricampeonato brasileiro, de 2006 a 2008, isso se reforçou quando a equipe começava atuando para públicos discretos e terminava as campanhas com o Morumbi lotado. Em 2017, os tricolores conseguiram atropelar esse estigma, quebraram recordes históricos do clube e foram preponderantes na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Agora, querem mais. 

Nesta quinta-feira, às 20h, o Pacaembu mais uma vez receberá grande público para jogos do São Paulo, que desta vez encara a Chapecoense. Até a manhã de quarta, a diretoria já havia registrado mais de 25 mil ingressos vendidos e dois setores esgotados. Será a quarta partida do time no estádio, todas com mais de 25 mil presentes. No clássico contra o Santos, foram mais de 40 mil. A média da temporada, envolvendo ainda 24 jogos como mandante no Morumbi, é de 33.022 torcedores por confronto. E o desempenho atuando em casa no Brasileirão é o terceiro melhor, atrás apenas do Santos e do Corinthians, vice-líder e líder, respectivamente, da Série A.

Essa presença maciça no estádio não é exatamente uma novidade. No ano passado, com o time também ameaçado, a torcida reagiu bem a uma política de preços baixos e foi ao Morumbi. Neste ano, porém, os números são ainda mais impressionantes. É, até agora, a maior média de público da história do clube, que pela primeira vez bateu a marca de 30 mil. Além disso, antes de 2017 o São Paulo nunca tinha completado um ano inteiro sem nenhum jogo com menos de 10 mil pagantes, o que pode acontecer agora. 

"Torcedor são-paulino é fantástico e tem nos surpreendido. Esperamos que na quinta-feira seja mais um espetáculo e que a gente consiga retribuir também, porque no começo eles faziam grandes espetáculos e não conseguíamos retribuir. Agora estamos jogando à altura deles e está ficando bom ", disse o capitão e craque, Hernanes.

Ale Cabral/AGIF
Jogadores e torcida do São Paulo estão em sintonia neste ano

Mais do que a presença, porém, impressionou o apoio durante a crise. No ano passado, por exemplo, as organizadas ficaram na berlinda quando se exaltaram no meio da crise e invadiram o CT para cobrar os jogadores, chegando a agredir alguns deles. Em 2017, as torcidas se uniram e prometeram só ajuda enquanto o São Paulo estivesse ameaçado. 

"Entre abril e maio, o São Paulo estava eliminado do Paulista, da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Era o pior momento possível, sem títulos e com o time para cair. Tínhamos duas opções: protestar sem limites ou fazer algo histórico no Brasil, que seria apoiar. Porque incentivar o time do São Paulo depois de três eliminações seguidas, de escândalos de corrupção, seria inédito. Por unanimidade, decidimos apoiar até o fim", disse Henrique Gomes, o Baby, líder a Torcida Tricolor Independente.

"Penso que a situação mudou e a torcida incorporou essa ideia nos jogos contra o Grêmio (24/7) e o Coritiba (3/8). Enchemos o Morumbi em dia de semana. E, no caso do jogo contra o Coritiba, mesmo com a equipe perdendo, continuamos apoiando", completou André Azevedo, o presidente da Dragões da Real. 

Em campo, o time pode alcançar 46 pontos se vencer a Chapecoense, rival da 33ª rodada do Brasileirão. A pontuação ainda não livra definitivamente o Tricolor dos riscos de rebaixamento, mas torna uma queda ainda mais improvável, abrindo até dez pontos para a zona da degola. Esse, então, seria o momento que as torcidas organizadas planejavam para deixar o apoio irrestrito que marcou a arrancada são-paulina um pouco de lado para voltar a protestar e criticar, como foi prometido em julho.

Em setembro deste ano, o São Paulo decidiu abrir as portas do CT para reunião entre jogadores, comissão técnica, diretoria e membros de torcidas organizadas e torcedores influentes nas redes sociais. Havia uma preocupação sobre como os atletas poderiam reagir, principalmente lembrando das agressões a Wesley, Carlinhos e Michel Bastos em 2016, mas a avaliação é de que o resultado foi bastante diferente. 

"Falaram que era mais um capítulo da cartilha do rebaixamento. Mas tivemos uma reunião com a torcida sem apontar o dedo. Só mostramos que faltava eles acreditarem neles mesmos. A gente viu que poderia fazer história se fizesse um caminho de apoio e salvar o time do rebaixamento. Sem falsa modéstia, acho que a torcida, junto com a contratação do Hernanes, foi determinante para o time não cair", opinou André Azevedo.

"Nossa luta foi para não cair. Para nós, se vier uma vaga na Libertadores será consequência. A ideia é incentivar para que o São Paulo seja diferente em 2018. Queremos fazer protestos com visão, com ideal de reformulação, de transparência, de atitude. Essa é a nossa ideia agora. Queremos mudança, transparência, atitude", defendeu Baby.

André Azevedo também falou sobre os próximos passos da torcida, agora com o time praticamente livre do rebaixamento: "Como representamos uma torcida, colocamos uma enquete sobre qual linha temos de adotar quando o São Paulo não tiver mais risco de cair. E 92% das pessoas dizem para a gente apoiar. É muito difícil que a gente participe de qualquer protesto. Até falei para o Baby, para agora tentarmos levar o time a um título. A ideia é de ser um apoio permanente. Se a torcida comprou a ideia de apoio agora, vamos lançar uma campanha para a conquista de um título. Não vamos esperar o time estar bem. Aí, a gente pode disputar outras coisas que não sejam lutar para não cair".

Ficha técnica

Campeonato Brasileiro - 33ª rodada

Local: Pacaembu, em São Paulo (SP)
Horário: 20h (Brasília)
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Michael Correia (RJ) e Silbert Faria Sisquim (RJ)

São Paulo: Sidão; Araruna, Rodrigo Caio, Arboleda e Edimar; Jucilei; Petros, Hernanes, Marcos Guilherme e Shaylon; Lucas Pratto. Técnico: Dorival Júnior.
Chapecoense: Jandrei; Apodi, Luis Otávio (Hiago), Fabrício e Reinaldo; Moisés Ribeiro, Amaral, Luiz Antônio e Canteros; Arthur e Wellington Paulista. Técnico: Gilson Kleina.

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