Esposa conta como futebol ajuda Camacho após tragédia: "Nunca vai superar"

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

    Camacho em ação no clássico do último domingo: futebol ajuda a amenizar a dor

    Camacho em ação no clássico do último domingo: futebol ajuda a amenizar a dor

Um apito final, uma vitória importante do Corinthians e o sentimento de alívio e saudade de um dos jogadores. Tudo isso é parte de uma história triste, que ganha capítulos mais agradáveis à medida que o tempo avança. O protagonista dela é Camacho, volante que não conseguiu controlar a emoção após a vitória alvinegra sobre o Palmeiras no último domingo.

Logo após o fim da partida em que foi titular, o jogador alvinegro cobriu a cabeça com a camisa corintiana. Ele, naquele momento, conseguiu esconder o rosto, mas não o sentimento de perda que traz consigo em todos os jogos após a morte do pai em um acidente doméstico em fevereiro passado. Anízio estava em um elevador que ajudava a movimentar o irmão de Camacho, que é cadeirante, quando o veículo cedeu. O pai do volante não resistiu, enquanto a mãe sofreu ferimentos nas duas pernas.

"Ele tirou um peso das costas porque era um clássico que todo mundo estava falando, tinha muita expectativa. Ele ficou muito tenso a semana inteira. E também se lembrou do pai. Ele se lembra dele todos os dias", contou Vanessa Santarém, esposa do volante corintiano em entrevista por telefone ao UOL Esporte.

Diante da dor da perda e a saudade de Anízio, Camacho, de acordo com Vanessa, encontrou na família e no próprio futebol uma alternativa para conviver com a situação. Em casa, o volante está rodeado pela esposa e os dois filhos. No campo, a titularidade no Corinthians é parte de um sonho dele e do próprio pai.

"Ele não superou [a perda], nunca vai superar. Aprende a conviver. Os jogos dão alegria para ele. O pai dele sempre sonhou que ele chegasse numa equipe grande, fosse titular e jogasse bem. Ele faz pelo pai. Assim que ele pensa. Se fizer as coisas corretas, o pai dele vai ficar feliz. Porque ele chegou onde o pai dele sempre sonhou", contou a companheira do jogador.

Casados há três anos, Camacho e Vanessa tiveram o segundo filho em julho passado. O nascimento de Isabela também ajudou Camacho nos últimos meses, assim como a forte sintonia como Rodrigo, o primeiro filho.

"Com criança em casa ajuda muito. Ele não fica sozinho, pensando. Os filhos ajudam a conviver com a dor. A gente ajuda ele. O Rodrigo é agarrado a ele. Eles jogam bola e vão em alguns treinos [do Corinthians]", explicou Vanessa, que está há oito anos ao lado de Camacho.

Reprodução/TV Globo
Camacho se emocionou no fim do jogo

Segundo ela, a convivência entra Camacho e o pai era muito intensa desde a infância. E ela se manteve assim mesmo com a mudança de Camacho do Rio de Janeiro para São Paulo depois do acerto com o Audax. "Ele sempre vinha para cá, era muito presente. Sempre foi. Ele e o avô materno levavam para todos os jogos desde criança. Sempre esteva perto", relembrou Vanessa.

Sempre focado

A esposa de Camacho conta ainda que o jogador do Corinthians é extremamente rigoroso com a rotina fora dos campos e do CT Joaquim Grava. A preparação do atleta é iniciada sempre três dias antes das partidas, sendo titular ou não.

"Ele é muito focado. Três dias antes dos jogos ele só come salada, fica em casa, dorme cedo. Três dias antes começa a preparação, independentemente de entrar ou não. Ele sempre foi assim", disse Vanessa.

Camacho, que chegou ao Corinthians após brilhar pelo Audax no Campeonato Paulista do ano passado, ganhou uma chance como titular justamente no clássico com o Palmeiras. Curiosamente, o volante foi homenageado pelos companheiros no primeiro dérbi da temporada - naquela ocasião, uma faixa com uma mensagem de apoio foi mostrada pelo elenco.

Depois da vitória por 3 a 2 sobre o rival no último domingo, Camacho logo se comunicou com Vanessa para comemorar o bom desempenho em campo. "Ele falou que graças a Deus tinha conseguido e tinha dado tudo certo. Ele estava muito feliz. Ele se emocionou porque ele conseguiu fazer uma atuação boa e voltar a ser titular. Dependia dele mesmo", disse.

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