Nenhum brasileiro ainda ajudou com o salário na campanha do espanhol Mata

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, em Lisboa (Portugal)

  • Jason Cairnduff /Reuters

Quase intransponível em campo, nem sempre sutil no combate e duro na marcação, o italiano Giorgio Chiellini surpreendeu por volta da segunda quinzena de agosto ao entrar em contato através de e-mail com o Common Goal, um fundo coletivo que apoia instituições de caridade ao redor do mundo e impulsionado pelo espanhol Juan Mata, do Manchester United.

O defensor da Juventus queria registrar o seu interesse em aderir a campanha.

"De longe, essa foi a nossa história favorita até agora. Depois de se inscrever na lista de e-mails do Common Goal, Giorgio respondeu a uma de nossas newsletters explicando quem ele era e que gostaria de fazer parte. Não podíamos acreditar. A mensagem era realmente de uma estrela do futebol italiano ou mais uma brincadeira? No fim das contas, checamos e era, mesmo, Chiellini", conta Thomas Preiss, co-fundador do Common Goal, ao UOL Esporte.

O e-mail enviado por Chiellini repercutiu mundialmente e serviu para impulsionar a iniciativa lançada nesta temporada por Mata, que incentiva jogadores a doarem pelo menos 1% de seus salários e devolverem aos mais carentes o que receberam através do futebol.

O xerife da Juve e da seleção italiana foi o quinto nome a apoiar a causa. Ao todo, 19 homens e mulheres se comprometeram a contribuir com seus vencimentos até aqui.

O Common Goal não recebeu, no entanto, nenhum contato brasileiro e aguarda que Neymar, Gabriel Jesus e outros craques façam parte. Somente uma atleta sul-americana se juntou à iniciativa que reúne ainda o alemão Matt Hummels, o japonês Shinji Kagawa e a americana Alex Morgan: a colombiana Nicole Regnier, ex-Atlético de Madri e que defende atualmente o América de Cali.

Se Chiellini recorreu a uma newsletter para encaminhar o seu interesse, houve também quem fizesse contato por meios inesperados.

"É cada vez maior, na verdade, o número de jogadores enviando e-mail. Mas, claro, isso não é o mais comum. Na maioria das vezes, o interesse é intermediado por seus representantes. Já tivemos até mesmo um atleta que nos mandou mensagem pelo Facebook perguntado como poderia aderir", afirma Preiss.

Então, o que faltam para os brasileiros também fazerem parte?

O Common Goal reconhece que jogadores que ainda não aderiram podem ter as suas próprias instituições e ajudar os mais carentes de outra forma. Ainda assim, o fundo coletivo capitaneado por Mata quer atrai-los. A meta é unir 1% de todos os atletas ao redor do mundo nessa causa – em torno de 650 profissionais –, incluindo, naturalmente, os brasileiros.

"O Brasil está entre os principais países do mundo e o seu amor pelo futebol é conhecido. Ainda estamos, de fato, aguardando pelo primeiro jogador brasileiro a dar um passo à frente, mas continuamos confiante de que em breve teremos novidades em nossa caminhada para realçar o lado positivo do esporte. Nunca houve uma época mais apropriada para isso", diz Thomas Preiss.

Entre os seus membros, o Common Goal tem atletas que se comprometeram a doar até mesmo mais do que 1% de seus salários, caso do alemão Dennis Aogo, do Stuttgart, que contribui com 2%.

O espanhol Mata ganha ao redor de 140 mil libras (R$ 600 mil) por semana no Manchester United. Ao doar 1% do que fatura, ele terá contribuído com 72,800 mil libras (R$ 315 mil) ao fim de cada temporada, por exemplo. Somada à contribuição de outros jogadores, é possível chegar a um montante considerável para apoiar as mais de 120 instituições ligadas à ONG streetfootballworld, que está por trás do programa.

"A gente tem um grupo diversificados de incentivadores – desde craques do futebol masculino que atuam em clubes famosos, como Hummels, do Bayern de Munique, Chiellini, da Juventus, e Mata, do United, até jogadoras que jogam na terceira divisão inglesa, caso de Jean SSeninde, de Uganda. É realmente inspirador ver esse tipo de comprometimento e união através do esporte", completa Preiss.

A colombiana Nicole Regnier virou embaixadora da iniciativa na Colômbia e é hoje a única representante no futebol sul-americano.

"Recebi o contato e tivemos um jantar em Bogotá, conheci os detalhes do projeto e fiquei apaixonada. Queria fazer parte do programa a partir daquele momento. O futebol me deu tudo que tenho atualmente e gostaria de devolver um pouquinho do que consegui através dele", explica Regnier ao UOL Esporte.

"Nem sempre o futebol goza da melhor imagem junto ao público em geral. Mas tenho certeza de que campanhas como essa ajudarão a mudar isso. Não devemos olhar o esporte por esse prisma (mais negativo), ele tem um grande poder de unir as pessoas, ensiná-las e, se o usarmos como uma ferramenta para crescer, estou convicta de que essa imagem se modificará em breve", conclui.

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