Ex-diretor e candidato, Vialle ataca concorrentes e vê Coxa Top 10 no BR

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Arquivo pessoal

    Chapa "Sangue Verde" concorre à presidência do Coritiba

    Chapa "Sangue Verde" concorre à presidência do Coritiba

João Carlos Vialle é figura conhecida na história do Coritiba. Foi dirigente do clube em várias ocasiões nas últimas décadas, nas quais se destacam a participação como médico do clube na conquista do Brasileiro de 1985 e diretor de futebol no acesso em 2007, mas também em momentos difíceis, quando integrou o departamento de futebol do clube no rebaixamento em 2009 e protagonizou um escândalo de tentativa de manipulação de resultados, em 1998, quando ficou suspenso por 360 dias.

Encabeçando a chapa "Sangue Verde", Vialle quer agora ser o dirigente máximo do Coxa, concorrendo contra outras duas chapas nas eleições de 9 de dezembro. Ele concorre ao lado de Guido Dobeli, Ubirajara Bley, Luciano Plugge Freitas e Walter Alberto Mitt Schause contra as chapas "Coritiba do Futuro" e "Novo Coritiba", buscando os votos de aproximadamente 6 mil sócios. Vialle é médico ortopedista e tem 73 anos.

Em entrevista ao UOL Esporte, Vialle falou dos projetos para o clube, atacou os concorrentes e projetou um Coritiba "entre os 10 maiores do Brasil".

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Vialle em campanha: diretor do Coxa em diversas ocasiões

UOL – Por que você quer ser presidente do Coritiba?

João Carlos Vialle - Primeiro por que é um sonho de vida. Segundo por que eu participo da vida do Coritiba desde 1966, quando o Evangelino (Costa Neves, histórico dirigente do clube) chegou e eu já estava lá. São 50 anos de vivência no futebol do Paraná, até na Federação. Na FPF eu frequentava reuniões com Globo, CBF, tudo, por que o presidente (Onaireves Moura) era deputado. Eu não queria passar na história do Coritiba como "o Vialle não quis ajudar".

UOL – O que a chapa pode mudar no Coxa?

JCV – Olha, eu tive uma reunião com a direção do clube, em que o presidente (Rogério Portugal Bacellar) convocou os três candidatos. Só eu compareci. Disse a eles que fui ao clube em respeito a eles, que lamentava a ausência dos candidatos por que não os conheço e gostaria de saber o que eles fizeram pelo Coritiba. Estou os convocando para debates, se eles querem falar dos cinco anos que têm de ajuda ao Coritiba ou dos 50 que eu tenho.

O projeto tem 5 pontos fundamentais: futebol, futebol, futebol, futebol e futebol. É Coritiba "Futebol Clube" (N.R.: a grafia seguiu a pronúncia que buscou a ênfase na palavra "futebol"; o nome correto é Coritiba Foot Ball Club). Futebol profissional e investimento na base. Revelação de novos valores é o que eu vejo para curto, médio e longo prazo, pra equacionar a dívida.

UOL – E como está a situação econômica do Coxa?

JCV - Estamos vendo um expert no assunto. Temos o problema no Couto Pereira, mas eu não penso de maneira nenhuma em sair do Alto da Gloria. Temos um grupo de engenheiros que estão pensando no que pode ser feitos. O próprio clube já tem projetos de estádio. Sobre as finanças, eu tive uma impressão das melhores possíveis. Senti um clube altamente organizado, com todas as estruturas em dia. Acho que o Presidente foi um sucesso administrativamente, levou um pouco de azar no futebol. Eu cito o exemplo do Inter, que caiu para a 2ª divisão com uma gestão que tinha feito o clube campeão do mundo. Eu acredito que a sorte vai presentear o Coritiba e o presidente vai nos entregar um clube na Série A.

UOL – Você se vê como situação ou oposição?

JCV - Tem um grupo que se diz oposição, mas usufruiu por três anos as benesses do poder. O presidente do Conselho Deliberativo é candidato a presidente. Mais de 50% é do Coxa Maior (nome da chapa que venceu as eleições passadas com Bacellar). Estão faltando com a verdade: por que eles usufruíram das benesses do poder querem se qualificar como oposição?

Eu estou fora do clube, é difícil ser situação assim. Mas se for ver o meu histórico de 50 anos, eu sou sempre situação no Coritiba. Mas é uma oposição inteligente, sem caça às bruxas.

Os planos para o futebol do Coritiba

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Da esq. para a dir.: Luciano, Walter, Vialle e Guido, quatro dos 5 candidatos da chapa

UOL – Como você viu o ano do futebol do Coritiba?

JCV - Futebol você precisa se cercar de pessoas que conheçam bola. Lidar com empresários, boleiros, atletas. O Coritiba fez algumas contratações que não deram resultado. Faz 10 contratações, se tiver 50, 60% de bom resultado, é o ideal. Alguns nomes não corresponderam a expectativa. Não vou citar nomes, seria uma ofensa, ainda mais eu que nunca falei mal de um atleta em público. Eu fui campeão brasileiro como médico em 1985, 2007 eu que montei a equipe que voltou pra primeira divisão. Chamava os atletas na sala e aí, sim, a cobra vai fumar.

UOL – Você teve passagens vitoriosas, mas também esteve no clube no rebaixamento de 2009. O que tira de lição daquele ano?

JCV – Em 2009 eu não fazia parte, foi em setembro que o clube tinha 16 pontos, e eu fui chamado na Associação Médica do Paraná e me pediram ajuda. Fizemos no 29 pontos no 2º turno. No ano seguinte, o Cruzeiro com 43 não caiu. Foi um azar tremendo. Eu comecei no Coritiba na primeira partida contra o Fluminense, no Rio, com 16 pontos. Eu fui ajudar o Coritiba e não deu certo. Se você colocar na balança, lá em cima vai estar sempre mais positivo.

UOL – Você citou Evangelino Neves, é possível que o Coritiba volte a ter o destaque daquele tempo? O que mudou?

JCV - O futebol hoje é diferente do tempo do Evangelino. Ele foi a Santos uma vez e trouxe cinco atletas. Hoje a responsabilidade fiscal é muito grande. Você pode ser suspenso, a realidade do futebol é outra. A nossa ideia é montar uma equipe inteligente, trazendo atletas de categorias inferiores de São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul e que queiram se projetar aqui, para fazer o Coritiba voltar aqueles anos vitoriosos do passado.

Eu não prometi pra ninguém que vamos ser campeões do Brasil, Libertadores. O Vialle hoje tem uma situação financeira tranquila, eu vou ficar 24 horas trabalhando no Coritiba. Eu tenho certeza absoluta quer vamos fazer a coisa andar.

UOL – Qual o teto do Coritiba hoje?

JCV - O Coxa tranquilamente tem condições, por estrutura, patrimônio, de estar entre os 10 maiores do futebol brasileiro. Tem que estar disputando vaga na Libertadores, se situar entre os 10 primeiros.

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UOL – Quais os planos de vocês para o gerente Alex Brasil e o técnico Marcelo Oliveira?

JCV – O Alex Brasil e o Marcelo são funcionários do clube, não sei que negociação o clube vai fazer. Se eu vencer as eleições vamos conversar com as pessoas, sem caça às bruxas. O clube tem uma dívida muito grande e temos que tentar equacionar. Se você me fizer essa pergunta em 20 de dezembro, vou poder responder com segurança.

UOL – Mas você tem nomes para o futebol?

JCV - Tenho nomes. A estrutura está montada, tá tudo na cabeça da gente. Faz um ano que eu venho estudando o Coritiba. Sei quanto ganha cada atleta, sei dos problemas e sei o que devemos fazer.

UOL – Nesse ano, o Coritiba andou ao lado do Atlético em algumas políticas, como não acertar com a TV a transmissão do Estadual. Como você vê o Campeonato Paranaense?

JCV - O campeonato tem que ser forte, os clubes têm que apoiar. O fortalecimento do interior leva a revelação de atletas que podem ser aproveitados aqui. O Henrique Dourado jogava no Cianorte e ninguém viu isso. Tem que haver um fortalecimento desses clubes do interior e fazendo tudo isso, vai se chegar no denominador. Com respeito a televisão, eles ofereciam um valor e derrubou para metade, vai depender da oferta da TV, mas nós temos a maior boa vontade, vamos conversar. É importante que tenham transmissão, por que é importante que o empresariado veja para investir, que tenha uma proposta que possa ser aceita por todos os clubes.

UOL – O que muda em seus planos se o Coritiba não ficar na Série A?

JCV - Não muda nada. O Vialle já foi campeão em 2007 participando da 2ª divisão. É outro tipo de campeonato, outro tipo de campo, não tem Maracanã, Mineirão. É uma competição mais agressiva. Mas não se preocupe, o Coritiba vai continuar na 1ª divisão, não vai cair. A não ser que sejamos atrapalhados.

UOL – Como assim, "atrapalhados"?

JCV - Estamos num momento político. O candidato que se diz oposição, que era do Conselho Deliberativo, deu uma declaração que vai acabar com o cargo de diretor de futebol. Só vai haver um superintendente que vai resolver todos os problemas. Isso não existe, isso mostra a inexperiência total dessa pessoa que não conhece o futebol no dia a dia.

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