Protesto sentencia crise de organizadas com Galiotte após aproximação

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

Uma das principais diferenças da gestão de Mauricio Galiotte com a do antecessor, Paulo Nobre, corresponde à relação com as torcidas organizadas do Palmeiras. Enquanto o antigo presidente vetou qualquer relacionamento, o atual ensaiou uma aproximação. No entanto, neste domingo, horas antes de o Palmeiras derrotar o Flamengo por 2 a 0, o atual mandatário se viu como um dos maiores alvos do protesto ocorrido na porta da Academia de Futebol.

Os palmeirenses que protestaram no CT usaram de ironia e de cantos para sentenciarem a crise de relação com o atual mandatário. Bananas foram penduradas em barracas montadas na frente da Academia de Futebol como forma de crítica à postura do presidente, chamado de "mais omisso do Brasil" durante a manifestação.

"A obrigação do torcedor é torcer e um dos seus direitos é protestar. O ano de 2017 foi lamentável e os maiores culpados são o nosso presidente [Mauricio Galiotte] e o nosso diretor remunerado [Alexandre Mattos]", reclamou a Mancha Alviverde, em comunicado distribuído para a imprensa durante o protesto na Academia de Futebol.

Foi a primeira vez que Galiotte sofreu realmente críticas pela administração. Em agosto, depois da eliminação na Copa Libertadores para o Barcelona-EQU, ainda na fase oitavas de final, o presidente acabou cobrado pelos torcedores organizados para "administrar como homem". O recado no último domingo, com as bananas e pamonhas arremessadas no ônibus da delegação, passou para a hostilidade.

"Sua ausência e falta de pulso firme é início do efeito dominó. Está na hora de assumir que você é o presidente da S. E. Palmeiras. Venha a público, dê a cara, cobre e administre como um 'homem'", escreveu, em nota, a Mancha Alviverde no mês de agosto, no primeiro indício de insatisfação com o mandatário eleito no fim do ano passado.

José Edgar de Matos/UOL
Presidente foi chamado de "banana" pelos torcedores, que até levaram a fruta para o CT

As críticas se mostram contraditórias à postura do presidente, que facilitou, especialmente em questão de logística, o dia a dia das organizadas. Neste primeiro ano de gestão, por exemplo, Galiotte adotou uma política de venda de ingressos que favorece quem acompanha mais o clube – especialmente nas partidas fora de casa, com bilhetes agora disponíveis em São Paulo.

Jogadores são livres para se relacionarem com este tipo de torcedor, algo banido durante a Era Paulo Nobre. Dudu e Tchê Tchê, no início do ano, gravaram vídeos parabenizando a Mancha pelo 34º aniversário, por exemplo.

O presidente antecessor rompeu de vez com as organizadas depois de atletas sofrerem um ato violento no aeroporto em 2013. O goleiro Fernando Prass, remanescente daquela época, esteve presente no episódio ocorrido no retorno de um jogo disputado em Buenos Aires.

A partir de então, a relação entre as organizadas e Paulo Nobre deixou completamente de existir. O antecessor de Mauricio Galiotte, no ano passado, emitiu uma nota de repúdio contra o grupo e chamou até a polícia para expulsar torcedores que entraram no CT para conversar com o técnico Cuca.

"A Sociedade Esportiva Palmeiras vem a público repudiar a ação da Mancha Verde, que invadiu a Academia de Futebol na manhã deste sábado (26). Os integrantes da organizada forçaram a entrada e atrapalharam o último treino da equipe antes da partida diante do Água Santa, válida pela 12ª rodada do Campeonato Paulista 2016. (...) Reuniões com elenco e comissão técnica são prerrogativas exclusivas da diretoria de futebol e da presidência do clube. (...) Diante da prática de se invadir o ambiente de trabalho de profissionais e estatutários na Academia de Futebol, o comando do Palmeiras irá estudar com Federação Paulista de Futebol, Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo e Ministério Público atitudes para que fatos lamentáveis como os de hoje não voltem a acontecer", emitiu o clube em março de 2016.

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