Delator diz que Fox fez contrato falso para esconder propina à Conmebol

Do UOL, em São Paulo

  • JOHN TAGGART / Reuters

Depois de acusar a TV Globo, também nesta terça-feira (14), o empresário argentino Alejandro Burzaco prosseguiu com sua delação do caso Fifa e acusou o Fox Sports, da América Latina, de ter falsificado um contrato para esconder valores milionários que teriam sido pagos em propina à Conmebol.

Segundo o responsável pela empresa Torneos y Competencias, o ex-CEO da Fox Pan American Sports, James Ganley, assinou um contrato falso em janeiro de 2008 para esconder um pagamento de 3,7 milhões de dólares (cerca de R$ 12 milhões, segundo a cotação atual) pelos direitos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana de 2014 a 2022.

O contrato assinado por Ganley dizia respeito à empresa T&T, que tem sede nas Ilhas Cayman e detém os direitos desde 1999; na época, o Fox Sports detinha 75% das ações da companhia. Terri Hynes, porta-voz da Fox, disse à Reuters que o grupo não falará sobre o tema.

As propinas teriam sido pagas a Julio Grondona, ex-presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Nicolas Leoz, ex-presidente da própria Conmebol, Romer Osuna, ex-tesoureiro da Conmebol, Eduardo DeLuca, ex-secretário geral da Conmebol, e Eugenio Figueredo, ex-vice presidente da Fifa.

A Somerton Corporation, do brasileiro José "Lázaro" Margulies, ex-funcionário da Traffic, também estava envolvida no acerto – o empresário já teve cerca de 10 milhões de dólares confiscados de sua conta pela Justiça dos EUA.

Um dos principais delatores do caso Fifa, Burzaco também acusou a TV Globo de ter pago propina por direitos de transmissão de torneios da Conmebol. Além da emissora brasileira e da Fox, estariam envolvidas Televisa, Media Pro e Full Play. As informações foram divulgadas em primeira mão pelo site BuzzFeed News e confirmadas pelo UOL Esporte.

A Fox respondeu ao UOL Esporte ​sobre as acusações. "Qualquer sugestão de que a FOX soubesse ou teria aprovado propina é absolutamente falsa. FOX Sports não detinha qualquer controle operacional sobre a entidade comandada por Burzaco. Esta era uma subsidiária da Fox Pan American Sports que, em 2008, na época do contrato em questão, tinha como controlador majoritário uma firma privada e portanto estava sob sua gestão e controle operacional", informou. 

Em contato com o UOL Esporte, a Rede Globo negou as acusações e reiterou que o grupo não é parte do processo nos Estados Unidos. "Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina", diz parte da nota, que você pode ler integralmente aqui.

A investigação é decorrente do escândalo que envolveu a Fifa em 2015 e levou diversos dirigentes de futebol ao banco dos réus. As investigações foram majoritariamente conduzidas pelo Ministério Público Federal dos Estados Unidos.

Mais acusações

Burzaco também afirma que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e Julio Grondona, ex-presidente da AFA, teriam recebido tratamento presidencial e luxuoso em suas viagens a Assunção, onde fica a sede da Conmebol no Paraguai. O argentino seria o "regulador" das propinas e o responsável por decidir quem ganharia quanto.

O próprio Grondona recebeu, inicialmente, 600 mil dólares por ano, valor que acabaria escalonando até 1,2 milhão de dólares em 2012. A maioria dos pagamentos feitos a ele ocorria em dinheiro. Burzaco alega que pagou propina ao ex-presidente da AFA até sua morte, em julho de 2014.

Segundo o empresário, oficiais do governo argentino também receberam determinadas quantias entre 2011 e 2014 - ele cita o programa governamental Fútbol Para Todos, encabeçado pela então presidente Cristina Kirchner.

O delator ainda afirma que Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF, teria recebido propinas da Torneos no valor de US$ 600 mil por ano pelos direitos da Libertadores e Copa Sul-Americana.

Burzaco ainda afirmou que Teixeira tinha "hábitos muito incomuns e estranhos". Isso dificultava o pagamento, que seria feito no Oriente Médio, Ásia e Andorra.

As instruções de como seria feito o pagamento para Ricardo Teixeira eram passadas por uma pessoa identificada como Charlie, que trabalhava em uma casa financeira. A transferência precisava ser feita em até 48 horas.

O julgamento sobre a investigação de corrupção na Fifa começou na última segunda-feira (13) nos Estados Unidos e envolve o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

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