"Consultor" do SP, Muricy ajuda com visita secreta, jantar e telefonemas

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Diego Padgurschi/Folhapress

    Muricy Ramalho passou a ser o conselheiro informal de Dorival Júnior no São Paulo

    Muricy Ramalho passou a ser o conselheiro informal de Dorival Júnior no São Paulo

O São Paulo viveu o momento mais difícil de sua história no Campeonato Brasileiro nesta temporada. Por 14 rodadas, a equipe ficou entre as quatro últimas colocações na tabela. Com Dorival Júnior, o time se recuperou e agora, contra o Grêmio, nesta quarta-feira, pode alcançar 48 pontos e praticamente se livrar matematicamente de qualquer risco de rebaixamento. Para dar um pontapé na crise, o Tricolor contou com o apoio informal de Muricy Ramalho.

Na época em que muitos não acreditavam na reação do São Paulo, a torcida pedia a contratação do ex-treinador como coordenador técnico. Como havia assumido o cargo de comentarista no canal fechado SporTV, o tricampeão brasileiro pelo clube não pôde aceitar exercer tal função no Tricolor. Mesmo assim, ele conseguiu contribuir de maneira informal. Sem aparecer, Muricy foi exaltado por Dorival após o empate por 2 a 2 com a Chapecoense, na última semana.

"Temos amizade, as famílias se conhecem, mas por conta da distância não conversávamos sempre. Mas voltamos a falar. Fui ao CT [da Barra Funda] em um horário que não estavam jogadores e imprensa. Conheci a comissão técnica dele. Depois, um dia jantamos na casa de um amigo um comum", disse Muricy, em entrevista ao UOL Esporte.

"A primeira coisa que fiz quando fui para o CT foi perguntar para o Júnior e para o psicologa [Anahy Couto], que trabalha no clube há bastante tempo e eu a conhecia, como era o ambiente. Eles me falaram que é muito bom e os jogadores são muito profissionais. Então fiquei tranquilo, porque o São Paulo era muito melhor do que os outros times [que tentavam sair da zona do rebaixamento]. Bom técnico aliado com bons jogadores, no momento que fosse dar liga, não podia dar outra coisa", completou o ex-treinador.

Confira abaixo os principais tópicos abordados na conversa com Muricy Ramalho:
 
Dicas sobre o time

Fui técnico. Sei que nessa área eu não me meto, nunca falei de time, para ele colocar tal jogador... O que conversava em um momento ruim, como o São Paulo estava, era mais de passar uma mensagem de ajuda, assim que funciona. Temos essa liberdade de desejar força. Em um momento como esse, ganhar um ponto é importante. Ele já está com time nas mãos, dá gosto de ver. Mas não falo nada tecnicamente, porque não é meu trabalho. É coisa de amizade, a influência é essa.

Sem palestra para a equipe

Não conversei com jogadores. Encontrei alguns, como Hernanes e Rodrigo Caio. Fui ao CT na hora que não estavam lá. Não tenho de dar palestra, isso é coisa do treinador.

Hernanes

Ele fez muita diferença. É um dos destaques do Campeonato Brasileiro, mudou completamente o São Paulo. Ele ajudou o Dorival dentro e fora de campo. É um líder positivo. E claro, dentro do campo faz a diferença. Está mais maduro, mais experiente, é um jogador fundamental. Com ele, Cueva começou a crescer.

Hernanes tricampeão brasileiro ou de 2017

São épocas diferentes. Ele também era muito importante. Jogava em uma posição diferente, tinha muita força na marcação. Era segundo volante e tinha arremate muito bom. Sempre foi regular, nunca vi cair de rendimento, foi assim na Europa. Ele é muito importante para o time, nunca cai de produção.

Chance de Libertadores

Acho que como a comissão técnica estava pensando era sair da zona ruim, a partir de agora tudo vai ser bom. Tem chance, mas serão jogos difíceis.

Trabalho para 2018 não ser como 2017

Clube grande precisa fazer o planejamento, não pode esperar o ano começar. É claro que todos estavam com muita tensão e fica difícil pensar em outro ano, mas tem de ver o planejamento, o que ele [Dorival Júnior] precisa, tipo de jogador, onde e quando quer fazer a pré-temporada. Mas conhecemos ele e o São Paulo, então devem estar fazendo isso.

Relação com Dorival:

Ele [Dorival] foi meu jogador no Botafogo de Ribeirão Preto. Depois, encontrei com ele no Figueirense. Na época, ele era supervisor e não queria ir para o campo. Então eu o incentivei muito e ele virou auxiliar técnico e começou a carreira dele. Falava isso porque via nele um líder. Ele iniciou como técnico e foi bem. 

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