Compra de CT, denúncia e até naming rights: Botafogo, enfim, vive eleição

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Fabio Castro/Agif

    Processo contra Assumpção foi colocada em prática somente no mês da eleição

    Processo contra Assumpção foi colocada em prática somente no mês da eleição

Com ajuda dos irmãos Moreira Salles, o Botafogo realizou o sonho de comprar um centro de treinamento para integrar futebol profissional e categorias de base. Dias depois, o ex-presidente Maurício Assumpção foi processado pelo clube e teve de prestar depoimento na polícia. Por fim, nos bastidores de General Severiano o burburinho é de que o Alvinegro negocia com uma grande empresa a cessão de direitos dos nomes do Nilton Santos (Engenhão).

Seria coincidência se os três fatos não ocorressem dias antes da eleição que definirá o próximo presidente do Botafogo – ocorre no dia 25. Carlos Eduardo Pereira cumpriu a promessa e deu fim à reeleição no clube. Ele será o vice de Nelson Mufarrej, candidato da situação. Marcelo Guimarães será o representante da oposição e único adversário no pleito.

Compra de CT

Verdade seja dita, a compra do centro de treinamento do Botafogo já vinha sendo discutida e elaborada há muito tempo. O investimento dos irmãos Moreira Salles só foi possível pela confiança em alguns nomes do clube, em especial, o gerente geral da base Manoel Renha.

Alguns problemas burocráticos ocorreram durante o processo e a assinatura da compra só foi para o papél na semana passada, há poucos dias da eleição. Em carta publicada pelo próprio clube, os irmãos Moreira Salles, inclusive, tiveram essa preocupação e entraram no assunto.

"Como torcedores, queremos ajudar o clube a caminhar nesta direção. Com este movimento, não pretendemos tomar partido no processo eleitoral do clube, e sim endossar a política de valorização de jogadores formados em casa", disseram os irmãos.

Denúncia de Assumpção

Desde que assumiu o Botafogo, em 2014, Carlos Eduardo Pereira e demais membros da diretoria prometeram fazer uma firme apuração da gestão de Maurício Assumpção. O assunto não prosperou nos últimos três anos, até o início do mês, quando o clube processou o ex-presidente (e o ex-diretor executivo Sérgio Landau) para esclarecer possível favorecimento à Odebrecht em 2013.

A atual diretoria do Botafogo acusa a dupla de favorecer a construtora, concessionária do Maracanã, no caso da interdição do Nilton Santos (Engenhão) em 2013. Na oportunidade, o "Maior do Mundo" precisava fechar com ao menos dois clubes para levar a concessão. O problema é que o Alvinegro facilitou o aluguel para os rivais e virou um problema para a construtora. Alguns dias depois, o clube de General Severiano viu sua casa ser interditada para obras.

Assumpção prestou depoimento na última quarta e desabafou sobre a influência da eleição no processo. "É possível, porque momento eleitoral de clube é sempre conturbado. Não tenho acompanhado a disputa, mas o que chega aos meus ouvidos é que a coisa está difícil, está acirrada. Parece que o Marcelo Guimarães está ganhando corpo na candidatura dele, né? Então aí leva-se o debate para outra coisa que não tem necessidade", provocou Assumpção.

Naming Rights

Oficialmente não há nada de concreto, apenas o desejo do Botafogo de contar com o dinheiro de uma grande empresa, que daria o nome ao estádio Nilton Santos. Porém, nos bastidores de General Severiano há quem diga que a situação é real e já há uma negociação com uma grande empresa.

Essa modalidade de patrocínio era algo que o presidente Carlos Eduardo Pereira prometeu lutar, mas sempre disse ser algo difícil. Mesmo assim, o assunto voltou a tona há poucos dias e dividiu o clube. Alguns ficaram empolgados com a possibilidade, outros, mais desacreditados, desconfiam da informação.

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