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Globo e TV mexicana pagaram US$ 15 mi em propina por Copas, diz delator

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Nova York (EUA)

15/11/2017 16h29

A TV Globo voltou a ser citada em julgamento nos Estados Unidos sobre pagamentos ilegais feitos a dirigentes ligados à Fifa, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Uma das testemunhas do processo, o empresário argentino Alejandro Burzaco acusou a emissora brasileira de pagar propina a Julio Grondona, ex-presidente da AFA e então membro do comitê financeiro da Fifa, na compra dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. 

Segundo a testemunha, a Globo e a Televisa teriam, em março de 2013, pago US$ 15 milhões (cerca de R$ 50 milhões em cotação atual) em propinas à Torneos y Competencias (TyC), empresa argentina de marketing esportivo responsável por negociar a venda dos direitos de transmissão no continente. Este dinheiro teria sido repassado a Grondona.

A propina teria sido paga integralmente e toda a quantia destinada a uma 'subconta' no banco privado Julius Baer, da Suíça. Em junho deste ano, um ex-banqueiro do Julius Baer e do Credit Suisse confessou ter organizado pagamentos para Grondona. À agência Reuters, o argentino Jorge Arzuaga se disse "profundamente arrependido" pelo que fez.

Ex-membro da TyC, Burzaco se entregou à Justiça norte-americana em 2015 e é considerado uma das principais testemunhas do processo. Na última terça, ele já havia apontado pagamento de propina por parte da Globo referentes a competições continentais como a Copa América, Copa Libertadores e Sul-Americana. Também foram citadas na denúncia Fox Sports, Televisa, Media Pro, Full Play e Traffic.

Em detalhes dados por Burzaco em depoimento nesta quarta, a T&T teria vendido os direitos abaixo do preço do mercado para sua subsidiária holandesa que, então, recebia as quantias da TV Globo. Uma parcela deste dinheiro seria repassada em propina aos oficiais da Conmebol.

Depois de acusar a TV Globo, o empresário argentino prosseguiu com sua delação e acusou o Fox Sports, da América Latina, de ter falsificado um contrato para esconder 3,7 milhões de dólares (cerca de R$ 12 milhões, segundo valores atuais) que teriam sido pagos em propina à Conmebol pelos direitos da Libertadores e da Sul-Americana de 2014 a 2022.

Buzarco ainda relatou um encontro em 2013, durante reunião do Comitê Executivo da Fifa, com José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e J. Hawilla, dono da empresa de marketing esportivo Traffic. Na ocasião, os dirigentes brasileiros teriam reclamado do atraso do pagamento de propinas relacionadas à venda dos direitos de transmissão da Libertadores e Copa Sul-Americana.

Rede Globo se manifesta sobre a nova acusação

Procurada pelo UOL Esporte sobre as novas acusações, a Globo repetiu o comunicado que havia emitido no dia anterior - e que foi lido na íntegra durante a exibição do Jornal Nacional

Sobre o depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina.

Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.

O grupo Globo se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor da Globo, Marcelo Campos Pinto. A ser verdadeira a situação descrita, o grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas.

O grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra.

Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que fosse diferente. Mas o grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.