Saída de lateral evidencia racha e atrapalha promessa do Cruzeiro a Mano

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Jaci Silveira/Cruzeiro

    Wagner Pires de Sá e Gilvan de Pinho Tavares não falam a mesma língua no Cruzeiro

    Wagner Pires de Sá e Gilvan de Pinho Tavares não falam a mesma língua no Cruzeiro

O "sim" ao Palmeiras na saída de Diogo Barbosa expõe a divergência entre a atual e a futura cúpula do Cruzeiro. A saída atrapalha também a possibilidade de cumprir a promessa feita a Mano Menezes.

Enquanto Wagner Pires de Sá (presidente eleito) e Itair Machado (novo vice de futebol) trabalhavam para manter o atual elenco e buscar novos reforços, Gilvan de Pinho, mandatário até 31 de dezembro de 2017, aceitou a oferta para a venda do lateral.

Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
Diogo Barbosa deve defender o Palmeiras em 2018

"Eu e o presidente eleito [Wagner Pires de Sá] nos reunimos com o Gilvan [de Pinho Tavares, atual presidente] hoje, falamos para ele que nós, da nova diretoria, estávamos arrecadando dinheiro para comprar os 75% com donos do atleta [Coimbra]. Ele preferiu vender para entrar dinheiro no Cruzeiro. Ele era obrigado a pagar. Como ele não pagou, o Cruzeiro recebe 25%", disse Itair ao UOL Esporte na noite dessa terça-feira (14).

A venda do jogador de 25 anos apenas expõe uma desarmonia que vem desde a eleição de Wagner. As mudanças na cúpula fizeram surgir a primeira discordância entre as partes.

"Eu, como presidente eleito, só tomo posse em 2018, e a comissão técnica vem procurando fazer um planejamento para o ano que vem. Ficamos tristes (com a negociação de Diogo Barbosa), decepcionados (com Gilvan), talvez", disse Wagner à "Rádio Super".

Em entrevista ao jornal "O Tempo", o futuro presidente explicou que a decisão foi do atual mandatário. "Ele optou em não comprar os direitos econômicos do atleta e o vendeu para o Palmeiras", afirmou Wagner, que depois completou: "Por questão ética, acatei a decisão", explicou.

O vice-presidente Bruno Vicintin, o diretor-executivo Klauss Câmara e o gerente de futebol Tinga deixam o clube para as entradas de outros profissionais. Itair Machado e Marcelo Djian substituem o trio e passam a comandar o esporte na Toca da Raposa II.

As trocas simbolizaram o início do racha entre as partes. A venda de Diogo Barbosa ao Palmeiras por 4,5 milhões de euros (R$ 17,42 mi) evidencia esta quebra e as ideias divergentes. Enquanto a diretoria atual era favorável à negociação por conta da necessidade de fazer caixa na reta final da temporada, a futura cúpula tentou a manutenção do lateral esquerdo.

Dias após a eleição de Wagner, Gilvan de Pinho descartou um racha entre as partes: "Não existe (racha), sobre isso não quero falar. Não tem rompimento, não tem nada. Nós ganhamos uma eleição, muita coisa está se falando no ar, mas não existe nada. Está tudo sobre controle no Cruzeiro", disse à TV Globo.

O curioso é que durante a votação que sacramentou a volta de Zezé Perrella ao clube, no cargo de presidente do Conselho Deliberativo, Wagner e Gilvan trocaram poucas palavras em público. A relação se desgastou com as mudanças nos bastidores e estão cada vez mais evidentes. A venda de Diogo Barbosa apenas mostra que os pensamentos são distintos em relação ao futuro do clube.

Jaci Silveira/Cruzeiro
Gilvan de Pinho Tavares tem divergências com futura diretoria do Cruzeiro

A saída do lateral esquerdo para o Palmeiras atrapalha também uma promessa feita a Mano Menezes em sua renovação. Itair e Wagner disseram ao treinador que montariam um time forte para a disputa da Copa Libertadores 2018.

Diogo é tido como um dos melhores de sua posição pelos analistas de desempenho da Toca da Raposa II. A perda do jogador é tida como irreparável por comissão técnica e diretoria. A partir de agora, o clube terá de buscar um jogador para o setor visando a próxima temporada.

Hoje, o Cruzeiro conta somente com Bryan para a lateral esquerda. Edimar deve ser vendido ao São Paulo nos próximos dias e Fabrício, emprestado ao Atlético-PR, está fora dos planos de Mano Menezes.

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