Cruzeiro deve R$ 12 mi por atleta que nunca jogou. Tudo por Arrascaeta

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Divulgação

    Latorre, atacante que defendeu a seleção uruguaia sub-17, está no Cruzeiro desde 2015

    Latorre, atacante que defendeu a seleção uruguaia sub-17, está no Cruzeiro desde 2015

Gonzalo Latorre chegou ao Cruzeiro em julho de 2015 para reforçar as categorias inferiores. Com 21 anos desde abril passado, o atacante não tem mais idade para atuar pela base e possui contrato até dezembro de 2019. O problema é que também não está nos planos do profissional.

O atleta custou US$ 3,7 milhões de dólares (R$ 12,06 mi) aos cofres da Raposa e este montante jamais foi pago. A dívida fez com que os mineiros fossem acionados na Fifa pelo Club Atenas, da segunda divisão do futebol uruguaio.

Mas por que os mineiros se comprometeram a pagar este valor por um atleta que jamais entrou em campo pelo elenco principal?

© Rafael Ribeiro/Light Press/Cruzeiro
Gonzalo Latorre foi envolvido em acordo por Arrascaeta

O presidente Gilvan de Pinho Tavares não esconde que a negociação foi para contar com Giorgian De Arrascaeta no clube. O jovem chegou à Toca da Raposa como contrapeso do uruguaio.

"Aquilo é uma situação que envolve o próprio empresário dele (Daniel Fonseca) e o Latorre, que (o empresário) fez uma venda envolvendo o Latorre e o Arrascaeta juntos. Parte daquilo é do Latorre, parte do Arrascaeta. O advogado entende que tem condição de discutir e está discutindo. Não sou eu que vou comentar sobre o assunto", disse em entrevista ao Globo Esporte.

O camisa 10 foi contratado do Defensor Sporting, do Uruguai, em janeiro de 2015. Latorre só chegou ao clube seis meses mais tarde por conta do contrato com o antigo time. Ele se mudou para Belo Horizonte em uma negociação conduzida por Daniel Fonseca, representante da dupla à época. O empresário condicionou a ida de Arrascaeta ao clube à contratação do atacante.

Hoje, o atleta não trabalha com o agente que o levou a Belo Horizonte. Em entrevista recente à Rádio 1010, do Uruguai, Latorre explicou por que abandonou o ex-agente e se queixou da falta de oportunidades no Cruzeiro.

"Ele desapareceu, nunca deixou um rastro comigo. Isso me causou uma angústia. No Cruzeiro, não tive competição no time profissional. Treinava na primeira divisão no Atenas com 19 anos, e aqui jogava com a Sub-20, Sub-21. No momento de julho de 2015, tive problemas com algumas pessoas, aí começou toda a novela, todos os problemas", disse.

Mais de dois anos depois de sua chegada, o centroavante ainda não convenceu. Não é à toa que pouco atuou nas divisões de base do clube e, hoje, é reserva do time sub-23, que disputa o Campeonato Brasileiro de Aspirantes.

Embora tenha mais dois anos de vínculo - até o fim de 2019 -, Gonzalo Latorre está fora dos planos do clube. O problema é que não há proposta para tirá-lo da Toca da Raposa, sobretudo com a dívida dos mineiros por conta de sua chegada.

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