Cueva vira herói nacional e causa até choro no Peru, mas chateia o SP

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Kai Schwoerer/Getty Images

    Cueva, no primeiro jogo contra a Nova Zelândia na repescagem para a Copa do Mundo

    Cueva, no primeiro jogo contra a Nova Zelândia na repescagem para a Copa do Mundo

Há três jogos sem ganhar e com Hernanes suspenso, a torcida do São Paulo aguardava ansiosamente pelo retorno de Christian Cueva ao time. A volta deveria acontecer neste domingo, contra o Botafogo, mas foi adiada porque o meia não se reapresentou no dia anterior, como era previsto,e causou incômodo no clube e será multado. Nas últimas duas semanas, porém, o camisa 10 do Tricolor viveu dias de herói nacional no Peru, comandando a seleção local na classificação para a Copa do Mundo de 2018 e levando crianças às lágrimas.

Antes de ser um dos mais assediados pela imprensa no Estádio Nacional de Lima na madrugada da última quinta-feira, quando o Peru venceu a Nova Zelândia por 2 a 0, Cueva precisou lidar com os ânimos exaltados dos jornalistas locais. Quando se apresentou à seleção, em 5 de novembro, pediu para não falar quando desembarcou na capital peruana ao lado de Raul Ruidiaz, que chegava do México - defende o Monarcas Morelia e já passou pelo Coritiba.

No dia seguinte, antes de atravessar o mundo rumo à Nova Zelândia, chamou a responsabilidade para responder uma avalanche de perguntas sobre o caso de doping envolvendo Paolo Guerrero. O grande ídolo peruano não poderia defender a seleção em seu momento mais importante dos últimos 35 anos. Cueva pediu calma, disse que seus companheiros estavam tranquilos, que o flamenguista ainda assim teria importância para o time e conseguiu frear o tema.

Mariana Bazo/Reuters
Cueva comemora gol pela seleção peruana nas Eliminatórias

O problema é que a atuação no jogo de ida, na Oceania, colocou Cueva em xeque. O armador foi muito criticado por uma atuação apática e se incomodou pelo fato dos jornalistas não terem levado em conta a longa viagem até a Nova Zelândia, incluindo uma brusca mudança de fuso horário às vésperas da partida que terminou empatada em 0 a 0. 

Cueva sempre foi visto como um dos mais obstinados em levar o Peru à Copa. E sempre entregou o máximo pela seleção. Seja se abrindo para o técnico Ricardo Gareca escalá-lo em funções diferentes ou trabalhando para manter os companheiros calmos, motivados e felizes. Nas viagens, está sempre na "turma do fundão", contando piadas e animando os colegas.

Essa liderança, na ausência do capitão Guerrero, foi compartilhada principalmente com Jefferson Farfán. Cueva, por exemplo, cedeu a camisa 10 ao atacante de 33 anos, que defende o russo Lokomotiv. O são-paulino carregou o número em boa parte das Eliminatórias, mas respeitou a hierarquia de uma das principais figuras do futebol do país e, mais ainda, seu grande amigo na seleção.

Na véspera do jogo de volta, logo após o último treino dos peruanos, um jornalista local abordou Cueva: "Você já parou para pensar que a essa hora vocês podem estar comemorando?". O meia respondeu: "Claro, e vocês também. Vamos celebrar, vamos todos beber juntos!". E quando a vaga na Copa foi consumada, lá estava um batalhão de repórteres atrás de Cueva. Emocionado, custou a conter as lágrimas e só falou quase 15 minutos mais tarde.

O resto da quinta-feira seguiu especial para o camisa 10 tricolor. Encontrou familiares, descansou e, de noite, foi para um famoso centro comercial de Lima. Estava marcada de última hora uma sessão de autógrafos em uma loja. Mesmo assim, o estabelecimento ficou superlotado, com dezenas de pessoas do lado de fora e crianças chorando desoladas por não conseguirem uma foto e uma assinatura do craque peruano.

Essa identificação com o povo pode ser explicada pelas origens humildes de Cueva. A ascensão social pelo futebol e o estilo de jogo irreverente, inspirado em craques brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, o fizeram ídolo. O jogador nasceu em uma pequena e pobre comunidade nos arredores de Trujillo, capital do departamento de La Libertad - o São Paulo estreou na Libertadores do ano passado atuando nessa cidade, contra o César Vallejo. Foi lá a parada inesperada na viagem que atrasou a reapresentação no Brasil, devido a assuntos familiares.

Cueva volta a chatear são-paulinos

No São Paulo, a temporada de momentos ruins técnica e fisicamente trouxeram desconfiança para a torcida, mas o crescimento justamente na arrancada do time contra o rebaixamento no Brasileirão resgatou um pouco da sinergia com o peruano. Nos três jogos - todos com vitória - do Tricolor no Pacaembu com Cueva, o meia foi decisivo: duas assistências contra o Atlético-PR, uma contra o Flamengo e um gol contra o Santos. Sem ele, empate em 2 a 2 com a Chapecoense.

A expectativa era por uma nova grande atuação no estádio, até pela empolgação do peruano após conquistar o maior objetivo da carreira ao se classificar para a Copa do Mundo. Torcedores se mobilizaram para ver os jogos do Peru, fizeram festa nas redes sociais, mas terminaram o período de ausência de Cueva chateados com o desencontro com o São Paulo. A diretoria até o momento não soube explicar claramente o motivo de o peruano não ter se reapresentado neste sábado.

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