Até David Guetta recebeu, sem saber, dinheiro de propina do "FifaGate"

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Nova York (de EUA)

  • Clive Rose/Getty Images

    Lavagem de dinheiro de filho de ex-dirigente do Equador "pagou" DJ

    Lavagem de dinheiro de filho de ex-dirigente do Equador "pagou" DJ

Uma das testemunhas de acusação do chamado caso "FifaGate", que levou para o banco dos réus na Suprema Corte do Brooklyn, em Nova York, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, contou durante depoimento, nesta terça-feira, que até o DJ David Guetta recebeu, sem saber, dinheiro de propina.

José Luis Chiriboga é filho de Luis Chiriboga, ex-presidente da Federação Equatoriana de Futebol e um dos membros da Conmebol. Seu pai o usava como laranja em um esquema de propina para concessão de direitos de transmissão de campeonatos de futebol e de jogos da seleção equatoriana para a empresa argentina Fullplay, de propriedade dos empresários Hugo Jinkins e Mariano Jinkins. No total, os Chiriboga faturaram, entre 2008 e 2014, US$ 2,8 milhões em transferências eletrônicas em contas dos bancos Biscayne, Chase e HSBC de José Luis em Miami.
 
Para lavar o dinheiro, que levantaria suspeitas se fosse transferido para seu país natal, o filho, que também é empresário de jogadores de futebol, chegou a comprar um apartamento de US$ 400 mil para a família em Miami e levava para o pai, em dinheiro vivo, remessas em valores inferiores a US$ 10 mil, para não ter que declarar na alfândega.
 
"Eu também pagava os cartões de crédito do meu pai e, como ele é produtor de shows, pagava os cachês de diversos artistas que se apresentavam no Equador, como [a banda argentina] Enanitos Verdes, [o cantor venezuelano] José Luis Rodriguez, [o cantor dominicano] Juan Luis Guerra e o DJ David Guetta", contou o delator.
 
Nesta hora, a juíza do caso, Pamela Chen, fez uma piada: "Eu estava esperando alguém como Rolling Stones. Você pode soletrar esses nomes? Não conheço nenhum deles."
 
Chiriboga, o filho, foi abordado por um agente da receita federal americana no aeroporto de Los Angeles, em junho de 2015 quando se encaminhava ao México para negociar um contrato de um jogador de futebol.
 
Além de ser obrigado pelo governo americano a abrir mão do apartamento de Miami e servir de testemunha de acusação contra Marin, o ex-presidente da Conmebol, Juan Angel Napout, e o ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, Manuel Burga, todos presos nos Estados Unidos, o equatoriano teve que delatar os crimes próprio pai, que já foi condenado a dez anos de prisão em seu país.
 
Nos Estados Unidos, seu crime consistiu em receber os US$ 2,8 milhões em propinas e usar contratos falsos de prestação de serviços para a empresa Fullplay, da Argentina, para justificar a movimentação bancária.
 
Em troca de sua colaboração, o governo americano não irá indiciá-lo no caso e ainda lhe dará a oportunidade de aplicar para um visto S, caso ele corra risco de morte em seu país por ter delatado o esquema. Com este visto, ele pode viver e trabalhar nos Estados Unidos.
 
Ao fim de seu depoimento, quando questionado pela advogada de defesa de Napout, Silvia Piñera Velazquez, que seu acordo era muito vantajoso e que, apesar de ter cometido crimes de lavagem de dinheiro, estava "tudo bem", Chiriboga se fez de vítima. Olhando para o júri, disse: "Minha vida não está nada fácil. Eu sinto muito por mim e por esses homens aqui [os réus]. Cresci apertando a mão de muitos deles. Hoje em dia não posso nem ir a um shopping center." Ninguém se comoveu.

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