Campeão mundial, Oswaldo revê Corinthians com mágoa, dívida e uma alegria

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

    Oswaldo de Oliveira revê Corinthians um ano depois de uma saída traumática do clube

    Oswaldo de Oliveira revê Corinthians um ano depois de uma saída traumática do clube

Na chegada, turbulência política. No trabalho, só nove partidas. Em consequência, uma demissão abrupta. Na terceira passagem pelo Corinthians, há aproximadamente um ano, Oswaldo de Oliveira passou longe da tranquilidade e êxito que marcou, no próprio clube, seu início de carreira como treinador em 1999. 

Neste domingo (26), com todos esses episódios já em segundo plano, Oswaldo e seu Atlético-MG vão a Itaquera atrás de objetivos ainda abertos no Campeonato Brasileiro. Tão abertos quanto as feridas para quem, em 2000, alcançou o título mundial pelo clube e colecionou decepções no retorno.  

Ao longo dos últimos meses, o UOL Esporte realizou algumas tentativas de entrevista com Oswaldo para que contasse as impressões sobre seu breve e decepcionante período no Parque São Jorge, o terceiro como treinador do Corinthians. Nesses contatos, com discrição, ele explicou que não gostaria de tecer comentários sobre o que havia acontecido nos dois meses de trabalho. Foi, até a volta aos trabalhos no Atlético-MG, uma temporada de silêncio quase total.

As duas mágoas e as brigas políticas

Um dos pontos que explica a mágoa de Oswaldo diz respeito à parte financeira. Com rescisão de contrato a receber, já que o vínculo assinado se encerraria apenas em dezembro de 2017, ele até hoje não foi pago pelo Corinthians. Um de seus auxiliares, inclusive, foi à Justiça trabalhista para receber. Em contato com a reportagem, a direção do clube confirmou os valores em aberto de maneira oficial, mas disse estar em contato com os advogados do treinador para concluir um acordo.  

A amigos, Oswaldo admitiu ter tido maior decepção com a direção do clube, em especial o presidente Roberto de Andrade. No ano passado, ele optou por deixar o Sport, o que gerou muitas críticas no Recife, para assumir o Corinthians em reta final do Brasileiro. O treinador assinou contrato por 15 meses, mas só esperava receber maior cobrança por resultados no ano seguinte.

Com só duas vitórias em nove partidas, além de derrotas marcantes como um 4 a 0 para o São Paulo, perdeu a vaga na Copa Libertadores e foi sacado. Nos dois meses em que comandou o Corinthians, sempre deixou claro que esperava por reforços no ano seguinte para construir uma nova equipe, mas não recebeu tempo. Um dos reforços de destaque do time de 2017, o volante Gabriel, foi uma indicação de Oswaldo. 

Nos últimos anos, por incrível que pareça, ele também foi o treinador mais afetado por fatores políticos. O presidente Roberto de Andrade, respaldado por sugestões do ex-gerente Edu Gaspar e do ex-preparador físico Fábio Mahseredjian, seus conselheiros, contrariou gente como o ex-presidente Andrés Sanchez, o ex-diretor Eduardo Ferreira e diversos membros da política corintiana quando assinou com Oswaldo. Ferreira, na ocasião, se considerou traído e deixou a direção do futebol. 

Na última sexta (24), em entrevista coletiva, Fábio Carille chegou a fazer um comentário enigmático. "2016 foi um ano difícil politicamente. Algumas mudanças foram por questão política e sei bem do que estou falando", disse o sucessor no comando técnico, que tinha permanência pedida por Andrés e Ferreira na ocasião.  

Trabalho enfrentou resistência, mas foi trampolim para Carille

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

A chegada a um clube com filosofia de trabalho definida ao longo de quase uma década não foi positiva para Oswaldo. Com ideias já formadas ao longo de toda a carreira, ele não conseguiu conquistar o ambiente. Treinamentos de longa duração e muito desgastantes, já em reta final de temporada, não foram bem recebidos pelo elenco. A organização do time, sobretudo da defesa, foi outro ponto perdido na troca de Carille, então interino, por ele. 

Hoje celebrado por uma temporada com dois títulos, Fábio Carille ganhou ainda mais importância nos meses finais de 2016, também graças a Oswaldo. Sem conhecimento total do elenco, o veterano deu bastante espaço ao auxiliar fixo do Corinthians. Carille participou de decisões para a escalação do time, dividiu o banco de reservas e encorajou a diretoria para que, em dezembro, acabasse por ser o escolhido para a função. 

Em entrevista na sexta-feira (24), Fábio se lembrou da experiência com o treinador campeão mundial de 2000. "Tivemos uma convivência ótima. Ele me mandou mensagem também [pelo título brasileiro] e eu nem quis agradecer. Vou dar um abraço [domingo]. Ouvia bem sobre ele pela passagem com o Fábio Mahseredjian, que trabalhou muitos anos com ele e falou maravilhas. Oswaldo me deu abertura, liberdade para falar e trabalhar. Foi um momento curto, mas positivo", declarou Carille. 

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

Oswaldo, por sua vez, também foi perguntado em Belo Horizonte sobre o ex-auxiliar e seu sucesso em 2017, algo que alegra o hoje treinador atleticano. "Não me surpreende. Foi uma escolha muito boa que o Corinthians fez. Eu não esperava que ele fosse efetivado, mas sabia que ele tinha condições. Tivemos dois meses de convívio. É um cara muito sereno, que sabe o que quer, é humilde e me ajudou muito enquanto estive lá trabalhando", respondeu. 

Já no fim deste ano, quando nem esperava mais dirigir uma equipe, Oswaldo teve uma oportunidade surpreendente e agarrou. Em situação similar à que viveu em 2016, assumiu o Atlético em outubro e, com cinco vitórias em 11 jogos, abriu a perspectiva de ainda lutar pela Copa Libertadores. Assim, já teve garantias de que seguirá no cargo para o ano que vem

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