Boliviana acusada por queda de avião da Chape consegue novo asilo no Brasil

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/SporTV

A controladora de voo boliviana Célia Castedo, que é acusada pelo governo boliviano de ter se omitido ao saber do plano de voo da Chapecoense, que resultou na queda do avião e na morte de 71 pessoas, conseguiu asilo político por um ano e seguirá no Brasil, onde tenta se defender. Castedo alertou aos superiores que a aeronave da LaMia estava com um trajeto maior do que a capacidade da aeronave podia fazer sem pausas, mas foi ignorada. Depois, foi acusada de omissão.

Em contato com o UOL Esporte, Castedo afirmou que está planejando sua vida para permanecer no Brasil. "Vou tentar conseguir um trabalho, ficar mais segura em questão de poder trabalhar e ajudar meus filhos que estão lá".

Irmão de Célia, Mario Monasterio, atacou as autoridades bolivianas. "É difícil lutar contra a falta de razão, contra o sistema. Mas um dia há de tudo mudar", disse.

O UOL Esporte teve acesso ao documento da Polícia Federal que dá a autorização devida à Célia, que teve sua permanência garantida no Brasil até novembro de 2018.

Célia recebe apoio

No último dia 22 de novembro, a Associação de Pilotos Civis de Santa Cruz de La Sierra divulgou uma carta de solidariedade à ex-funcionária da AASANA (Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea).

No comunicado, a associação defendeu Célia e pediu uma "noção clara" ao Ministério Público local. "Achar que a pessoa que recebe a informação fornecida no Plano de Voo e a passa para o Serviço de Trânsito Aéreo pode ser responsável pela segurança operacional de uma aeronave é algo tão louco e ofensivo para o intelecto das pessoas como dizer que quem cobra o pedágio em uma rodovia é o responsável se o caminhão que passou pela mesma sofra um acidente".

Refugiada no Brasil desde o fim do ano passado, Celia explicou o motivo de ter pedido refúgio no Brasil em entrevista ao SporTV, em janeiro deste ano. "Porque na Bolívia me subtraíram todos os direitos, não me deram tempo para me defender. Fui acusada duas vezes na mesma tarde. Na Bolívia não me deram oportunidade de me defender, me sentia ameaçada", comentou.

"No dia depois do acidente eu recebi ameaças escritas, de morte, como se eu fosse a culpada do acidente. Me assustei muito quando recebi essas ameaças. Estão me acusando diretamente de algo que sou inocente e estão me ameaçando sem saber a minha verdade e esclarecer para as pessoas que sou inocente. Sei que as pessoas reagem de forma emocional, mas aos poucos se deram conta que eu não sou culpada", relembrou a boliviana.

Em fevereiro deste ano, o advogado Guido Colque, defensor da ex-funcionária de aviação da Bolívia, morreu de ataque cardíaco em uma audiência judicial por outro caso, na cidade de Santa Cruz.

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