Um ano depois, família comemora chegada da neta que Caio Júnior tanto quis

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal

Na manhã de 13 de novembro deste ano, a família de Caio Júnior deu a amigos e parentes uma importante notícia. Quase um ano depois de perder o patriarca, os Saroli recebiam a pequena Ana Clara, desejo antigo do vovô Luiz Carlos Saroli, nome real do ex-técnico da Chapecoense.

"O Caio pedia muito uma menina", conta Adriana Saroli, a viúva, agora avó. "Ele falava que eu ia ter uma menina. E era o que ele queria. No fim, a gente teve essa surpresa. A Aninha chegou no mesmo mês em que tudo aconteceu", completa Matheus, o filho mais velho. Caio Júnior ainda deixou outro filho, Gabriel.

Paraná Clube > Chapecoense
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Bandeira em homenagem a Caio Júnior: 17 partidas, 14 vitórias e 3 empates. "A ideia surgiu em 2015. Mas o tempo foi passando e ficou de lado. Com a tragédia, achei que era o momento. Curiosamente, quando a faixa está no estádio, o Paraná não perdeu", conta Paulo Pelanda, que leva a faixa com os amigos Rodrigo Vaz e Kauê Klipel

Toda a família, hoje, se diz torcedora do Paraná Clube. O motivo é a carreira de Caio. Mas não só isso. É verdade que foi no Tricolor paranaense que ele começou a carreira de técnico e ganhou o título de pentacampeão estadual em 1997, ainda como jogador. Além disso, quando o clube confirmou, há algumas semanas, a volta à Série A ao vencer o CRB, a torcida foi receber jogadores no aeroporto e, durante a festa, o nome do ex-técnico foi gritado pelos tricolores.

Mais importante, porém, é que Caio foi jogador importante do Grêmio, técnico do melhor momento da Chapecoense, mas nenhum clube o reverencia mais que o Paraná. O clube deu à Sala de Imprensa da Vila Capanema o seu nome – antes de virar treinador, ele foi comentarista de rádio. A cereja no bolo, mais vez, envolve Ana Clara: no dia da inauguração do espaço, Matheus soube que a namorada Heloísa estava grávida.

"Sem dúvidas, o Paraná, é o nosso clube. É o clube que mais demonstrou respeito. Fizeram sala de imprensa, vão fazer uma camisa retrô. A gente fica feliz de verdade", diz o filho Matheus, "Não éramos torcedores. A gente torcia para onde ele estava. Na final do Penta, ele fez dois gols e me jogava pra cima. E ele sempre falava que queria voltar a trabalhar no Paraná, sem salário, e levar o clube para a primeira divisão", completa.

Decepção com a Chape
Nelson Almeida/AFP Photo

Se o Paraná traz alegria à casa dos Saroli, o mesmo não pode ser dito da Chapecoense. Matheus e a mãe têm a sensação de que o último clube do pai falha com a memória não só dele, mas de todos os mortos. "Só gostaria que fizessem mais pela memória de todos que deram a vida pelo clube. Eu gostaria que fossem tratados como deveriam: que o clube fosse mais a fundo na investigação. Mas eles vão buscar podres na Conmebol? Deram a eles o título, que era o que queriam", questiona, lembrando do inconformismo sobre como a LaMia, uma empresa obscura, conseguiu transportar equipes de futebol pela América do Sul – e nas condições que o fazia.

Matheus é incisivo nas críticas à Chapecoense. "Antes do acidente, eles já tinham colocado a Chapecoense no mapa. Eu me refiro a Sandro (Pallaoro, presidente), Maurinho (Dal Bello, diretor), Cadu (Eduardo Luís Preuss, gerente de futebol)... Tiraram a Chapecoense do nada para uma final de Sul-Americana. O time tem que ser lembrado pela campanha, pelo alto nível. Mas também pela tragédia. Só que na hora que não convém lembrar do que aconteceu, dizem que 'tem que superar'".

Com Ana Clara, os Saroli estão superando. Com ela, voltarão a curtir mais o próprio lar, vendo os primeiros passos da netinha de Caio Júnior. Olhar para as paredes e para a TV ainda é um misto de sofrimento e orgulho. "A casa não mudou nada. Eu vivia muito no futebol, vejo muitos jogadores, treinadores que ele convivia. A sensação de que deveria ser ele. Se eu vou ver sobre Brasileirão, ver sobre a Chapecoense, é difícil a sensação", diz Matheus, com saudades do pai. "Ele deixou uma imagem e uma lembrança 100% positiva."

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