Procurador do Rio de Janeiro depõe sobre documentos "secretos" no Caso Fifa

Eduardo Graça

Colaboração para o UOL, em Nova York (EUA)

  • André Luiz Mello/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

    Kleber Leite teve documentos apreendidos em 2015 pela Justiça brasileira

    Kleber Leite teve documentos apreendidos em 2015 pela Justiça brasileira

O procurador-chefe do Estado do Rio de Janeiro, José Gomes Ribeiro Schettino, foi a testemunha ouvida nesta sexta-feira na Suprema Corte do Brooklyn, em Nova York, a respeito de uma ação de busca e apreensão realizada em 27 de maio de 2015 a pedido do governo americano no escritório da Klefer, empresa de marketing esportivo de propriedade de Kleber Leite, empresário e ex-presidente do Flamengo. Na ocasião, a Justiça apreendeu documentos que estavam em um grande cofre, e que terão o conteúdo revelado judicialmente na próxima semana.

Há grande expectativa sobre a apresentação de tais documentos e também da gravação de uma conversa telefônica entre Leite e um "acusado de ser co-conspirador do Caso Fifa", pois o conteúdo poderia tratar de propinas relacionadas ao escândalo de corrupção na entidade. A especulação nos corredores da Corte é de que o interlocutor de Leite, jamais revelado, poderia ser o dono da Traffic, J. Hawilla. Assim, de acordo com a investigação, Leite teria feito Hawilla pagar propina à CBF pelo acordo dos direitos comerciais da Copa do Brasil.

Entre os documentos apreendidos na Klefer também haveria um bilhete escrito à mão em que aparecem dois personagens, identificados pelas iniciais "MP" e "M". De acordo com o governo americano, estas indicam, respectivamente, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente da entidade, José Maria Marin. A juíza Pamela K. Chen irá decidir na segunda-feira se a gravação poderá ser apresentada ao júri durante o depoimento do que se acredita ser uma testemunha-chave do caso. Perguntado se esta testemunha seria Kleber Leite, o procurador-chefe do estado do Rio, em entrevista na saída da Corte, disse "não saber". Advogados de Marin e promotoria divergiram sobre o uso dos documentos na Corte.

Em depoimento, Schettino disse que, além de quatro ou cinco policiais federais, estava acompanhado na ocasião pelo ex-procurador Marcelo Müller, que voou de Brasília especialmente para a ação. A procuradoria pediu que Schettino reconhecesse uma série de documentos guardados em enormes pastas azuis - a quantidade de documentos surpreendeu o júri. Embora não pudesse afirmar com certeza que aquele era o material idêntico ao apreendido em maio de 2015, Schettino testemunhou que os documentos se pareciam com os que havia checado à época, incluindo "notas escritas à mão que pareciam indicar quantias específicas" e contratos de cessão de direitos de transmissão de televisão da Copa do Brasil entre a CBF e a Klefer.

A defesa de Marin buscou questionar a testemunha sobre a existência de muitos outros documentos no cofre e quis saber quem foi o responsável pela seleção do material enviado aos procuradores americanos. O procurador disse que ele, Muller e os policiais, em conjunto, realizaram o procedimento.

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