Suspeita de fraude pode mudar sistema eleitoral do Santos

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Samir Carvalho/UOL Esportes

Uma ação de 60 conselheiros do Santos pode esquentar ainda mais as eleições do clube no próximo dia 9, na Vila Belmiro. Eles entregaram um requerimento ao presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Bonavides, pedindo para que o processo eleitoral seja realizado com urnas segmentadas em ordem numérica, ao invés da ordem alfabética usualmente utilizada. Eles pediram uma resposta em 24 horas.

A ideia dos conselheiros é identificar numa espécie de urna separada os "sócios suspeitos" de 2016. Na visão dos oposicionistas, em ordem numérica, seria mais fácil identificar os "suspeitos de 2016" na décima urna, a última do processo eleitoral. Para eles, os novos associados estariam todos nesta urna.

Os conselheiros que pediram a mudança no processo eleitoral alegam que o ato prioriza evitar que a eleição do Santos seja encaminhada para a Justiça e que tudo seja resolvido internamente.

A suspeita se baseia em reportagem da ESPN, publicada na última quarta-feira, que aponta que o clube recebeu mais de 2 mil associados entre novembro e dezembro de 2016, período próximo do limite estabelecido para que possam ser eleitores no pleito alvinegro.

Segundo a matéria, a adesão em massa beneficiaria Modesto Roma, atual presidente e candidato à reeleição. Diante disso, Andres Rueda, da Santástica União; José Carlos Peres, da Somos Todos Santos, e Nabil Khaznadar, da O Santos Que Quereremos, se uniram em protesto.

"Providências imediatas são necessárias para o esclarecimento dos fatos, sob pena de colocar o resultado do pleito do dia 9 sob suspeição. Não é isso que nenhum verdadeiro apaixonado pelo nosso Santos quer ver", diz um trecho da nota. "Nossos departamentos jurídicos estão reunidos para estudar providências e eventuais medidas judiciais que se façam necessárias para resguardar, antes de qualquer coisa, a transparência em nosso clube", ameaçam os opositores.

A matéria da ESPN diz que, em apenas 17 dias, entre 23 de novembro e 6 de dezembro de 2016, o Santos ganhou precisamente 2.098 novos associados. Estes já seriam votantes no próximo pleito. O número levantou desconfiança por ser superior aos meses de julho a outubro somados, além de ter recebido uma série de adesões em dias iguais. A média mensal era de 462 pessoas antes.

A reportagem da ESPN ainda aponta a participação do empresário Luiz Taveira, o mais influente dentro do Santos na gestão de Modesto. De acordo com os levantamentos, de 23 a 29 de novembro, quatro parentes de Taveira se associaram ao clube junto com mais pessoas, mas utilizando os mesmos endereços.

Inicialmente, quando eleito, Modesto afirmou que não tentaria uma reeleição, apenas cumprindo os três anos de mandato, de 2015 a 2017. Em dezembro de 2016, o atual mandatário santista falou publicamente ter mudado de ideia "pela necessidade do clube".

O ano, no entanto, tem sido turbulento para a diretoria. Além de não ter conquistado títulos, demitiu dois treinadores – Dorival Júnior e Levir Culpi –, além de ter lidado com uma série de críticas, a não renovação do meio-campista Lucas Lima, que deve vestir a camisa do rival Palmeiras, e dificuldades financeiras, que culminaram em atrasos salariais.

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