Revelado no São Paulo, ele brilhou em Angola e pode jogar na seleção local

Lucas Pastore

Do UOL, em São Paulo

De cria das categorias de base do São Paulo a centroavante da seleção masculina de Angola de futebol. Essa pode ser a trajetória de Tiago Azulão, jogador de 29 anos de idade natural de São Paulo que se destacou com a camisa do Petro de Luanda. Com isso, recebeu o convite para defender o país africano em competições internacionais.

Tiago começou sua trajetória nas categorias de base da Portuguesa, onde jogou dos 11 aos 14 anos de idade. Depois de passagem pelo Pequeninos do Jóquei, chegou ao São Paulo, clube que defendeu dos 15 aos 20 anos. Pelo clube paulista, se sagrou vice-campeão da Copa São Paulo em 2007, no time que tinha os zagueiros Breno e Aislan e o meia Sérgio Motta.

"Nós, que somos de 1988, pegamos o início de Cotia. Até hoje, é referência. Está tudo bem concluído. Tem uma estrutura fora do normal", elogiou Tiago, ao UOL Esporte.

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Tiago Azulão em ação por time de base do São Paulo contra o Coritiba

Sem conseguir a promoção ao time profissional do São Paulo, o atacante rodou até conseguir seu espaço no futebol profissional. Chegou ao Guarani e depois foi para o Gaziantep, da Turquia, clube em que teve sua primeira experiência no futebol do exterior.

Depois, no retorno ao Brasil, passou por Tombense, Tricordiano, Uberlândia e Oeste antes de embarcar para a Malásia, onde defendeu o Johor FC, em 2012, em sua segunda experiência no futebol do exterior.

Tiago ainda passaria por Tombense, Boa Esporte, Madureira, CRB, Villa Nova e CAP de Uberlândia até chegar ao Caldense, onde viveu seu principal momento no futebol brasileiro.

Invencibilidade e vice mineiro

Em 2015, Tiago foi um dos reforços para a Caldense que faria história como vice-campeã mineira daquela temporada. Da fase de preparação até a final, vencida pelo Atlético-MG por 2 a 1 com gol polêmico de Jô, o time do interior perderia apenas a partida decisiva.

"Não pré-temporada, nosso desempenho já chamou atenção. Como a cidade fica perto de São Paulo, fizemos amistosos contra time do interior. Jogamos contra Guarani, XV de Piracicaba, Ituano, e fomos bem. Contando pré e Mineiro, só perdemos a final com gol impedido do Jô", relembrou Tiago.

O atacante fez três gols em 15 partidas pela Caldense na campanha do vice. Para ele, suas atuações no Mineiro e o resultado conquistado foram responsáveis por um salto na carreira.

"Foi um divisor de águas. Para quem quer espaço, em time grande, dá uma levantada. Acabei indo para o Fortaleza. No Nordeste, é um time de camisa, de torcida", contou.

De Minas para Angola

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Tiago Azulão comemora com a torcida do Petro de Luanda

Foi graças à sua campanha como vice-campeão Mineiro que as portas do futebol africano se abriram para Tiago. O preparador de goleiros da Caldense de 2015 havia sido convidado para trabalhar no Petro de Luana, clube de Angola, e sugeriu a contratação do atacante. O resto é história.

"Em 2016, retornei para a Caldense. Quando acabou o Mineiro, recebi o convite do Mogi Mirim. Já estava treinando no clube, mas ainda não tinha assinado nada. O preparador de goleiros que trabalhou comigo em 2015 me indicou. Cheguei no meio da temporada. A partir do dia em que eu cheguei, ficamos 15 jogos invictos e terminamos como vice-campeões", relatou.

Quando chegou ao Petro de Luanda, Tiago mudou de função em campo, deixando as pontas e se firmando como centroavante titular do time. A mudança deu certo: em 2016, foram dez gols em 17 jogos pela equipe. No ano seguinte, 20 gols em 20 partidas.

Hoje, a seleção angolana é comandada por Beto Bianchi, que também comanda o Petros de Luanda. O treinador assumiu a equipe nacional depois da campanha que levou o clube ao vice-campeonato do campeonato local em 2016 com a ajuda de Tiago. Mesmo assim, o convite não partiu dele, e sim dos dirigentes da federação do país.

"Devido à campanha do ano passado, nosso treinador recebeu convite para a seleção. Ele comanda nosso clube e a seleção. Mas foi um pedido dos dirigentes, e o treinador conversou comigo. Quando eles se classificaram para a Copa Africana de Nações, veio o convite. A seleção é montada só com jogadores que atuam no país e tem carência de centroavante. Por isso, todos aceitaram bem a ideia", declarou.

Vida na África

De acordo com Tiago, a rotina na África não tem grandes perrengues para um jogador de futebol profissional. No entanto, viver no continente significa conviver diariamente com a desigualdade social.

"No caso, para nós, a gente vive muito bem. A Odebrecht que construiu o condomínio, que é muito bom para morar. A logística também é simples, acha tudo e tem idioma igual. Na folga, dá para ir para a praia. Mas é África, tem pobreza, contraste muito próximo de quem vive bem e quem vive muito mal", explicou.

Entre os problemas que Tiago detectou no país, no entanto, não está a violência de torcidas, comum no futebol brasileiro.

"O fanatismo existe, o pessoal para, tira foto. Jogamos clássico na final da taça, e você vê torcedor dos times chegando um do lado do outro. Não tem esse problema que tem no Brasil", comparou.

Sobre o clube, Tiago admite que a estrutura não é correspondente à dos grandes brasileiros, e sim aos clubes do interior que já defendeu.

"É comparável a equipes do interior. Comparado aos grandes no Brasil, por ser um time considerado grande por aqui, deixa a desejar", declarou.

Origem do apelido

Azulão, naturalmente, não é o sobrenome de Tiago. Trata-se, sim, de uma brincadeira de infância com o uniforme que utilizava que pegou e foi eternizada pelo jogador.

Foi o seguinte: fui jogar em uma escolinha no Tatuapé quando tinha dez anos. Não tinha dinheiro para nada, e um vizinho me deu o uniforme todo para treinar. Era tudo azul, até a chuteira. Foi coisa de moleque, pegou e ficou Tiago Azulão. 

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