Andrés diz que atraso salarial é "normal" e reclama de processos de atletas

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

  • TV UOL

    Andrés Sanchez em entrevista ao UOL Esporte concedida em 2016

    Andrés Sanchez em entrevista ao UOL Esporte concedida em 2016

Candidato ao cargo de presidente do Corinthians, Andrés Sanchez entende que atrasar salários dos atletas é algo normal. Participando do segundo Congresso Brasileiro de Direito Desportivo organizado pela USP, pela FPF e pela Sociedade Brasileira de Direito Desportivo, o dirigente fez críticas ao Profut e à burocracia do poder público.

"Não quero acabar com o Profut, com a CND (Certidão Negativa de Débitos). Mas a burocracia para se tirar uma certidão... É normal atrasar o salário por dez, 15 dias. É para fluxo de caixa. Não ofende ninguém. Não pode rebaixar quem atrasa dez, 15 dias. Passou de dois meses, rebaixa, aí ok. O Barcelona está devendo salários e ninguém fala nada", pontuou.

"O problema dos clubes não é imposto atrasado. É processo trabalhista. Jogador de futebol só quer ser regido pela CLT quando interessa", completou.

Ao seu lado na mesma mesa de discussão estava o zagueiro Paulo André. Um dos criadores do Bom Senso, ele processou o Corinthians por problemas trabalhistas e foi atacado por Andrés na época.

O candidato corintiano aproveitou a situação para cutucar o atleta e também o Flamengo.

"Se eu for eleito, vou pegar e fazer que nem o Flamengo. Vou declarar todas as nossas dívidas trabalhistas, inclusive a sua (apontando para Paulo André), falar que tenho milhões de dívidas e fazer acordo e depois falar que consegui reduzir. Eu devia dez, vou pagar dois e falar que diminui a dívida. E ninguém fala isso", afirmou.

"Não pode um deputado, um Ministro que nunca sentou na cadeira de um clube querer mandar. Estou com um projeto há dois anos e meio no Congresso, e agora veio o projeto de lei. No Congresso eu desisto. Tudo nesse país tem isenção. Banco, automóvel, aviação, traficante e o raio que o parta. Menos futebol", finalizou.

No meio do discurso, Andrés ainda criticou a atuação do Bom Senso e ouviu a resposta de Paulo André.

"A gente não queria fazer um projeto de luta de classes. Era coisa de base. Eram sete ou oito clubes que estavam com salários atrasados. Era questão de sobrevivência. Na emoção, um clube contrata dez jogadores, deixa a dívida para outra gestão e paga quando der. Aí atleta entra na Justiça e ganha dez anos depois", respondeu.

Depois, já na zona mista, Paulo André foi questionado sobre a declaração de Andrés sobre o fato de atrasar salário ser algo normal e deu seu ponto de vista.

"Ele acaba se baseando pelas exceções, de forma estratégica, ele mostra um lado que é mais popular, que vende, que sai no jornal. Mas esquece de fundamentar ou de conceituar as questões para que a gente aprofunde as questões e resolva o problema. Não é se ganha x, joga tanto ou o clube não paga. A legislação e as regras, do Estado ou das federações, podem proteger os clubes. É por isso que a FPF restringe o número de inscrição e a gente acredita que é o caminho. Melhor seria se os gestores fossem profissionais capacitados, responsáveis pelos seus atos, para que a gente não tivesse que inventar regras para limitar inscrições ou outro tipo de coisa", completou.

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