Times pedem rigor contra violência; Corinthians quer punição à imprensa

Bruno Grossi e Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Roberto de Andrade criticou comportamento de determinadas matérias na mídia

    Roberto de Andrade criticou comportamento de determinadas matérias na mídia

Os presidentes dos quatro grandes de São Paulo participaram de reunião nesta terça-feira para discutir medidas contra a violência dentro e fora dos estádios. Foram levantadas medidas que ajudariam a coibir incidentes, entre elas a adoção de biometria entre torcedores e punição a pessoas que incitarem a violência.

O mandatário do Corinthians, Roberto de Andrade, pediu punição a qualquer pessoa física e jurídica que incitar a violência no futebol, o que incluiria profissional da imprensa esportiva.

"As leis são fracas e não são seguidas. E sobre o órgão que poderá aplicar multas, creio que também deveria punir meios de comunicação. É comum ver um comentarista, em um programa, quando um time ou jogador não estão bem, incitar o torcedor, falando "Não vai fazer nada?". A imprensa tem passado dos limites. Quem tem o microfone precisa ter responsabilidades", disse Andrade.

O 2º Congresso Brasileiro de Direito Desportivo foi organizado pela Federação Paulista de Futebol, USP e Sociedade Brasileira de Direito Desportivo.

A reunião de dirigentes e autoridades do meio jurídico tem como intuito avaliar a criação de um órgão para regulamentar e fiscalizar ações ligadas à violência. O assunto está dentro das atualizações da Lei Geral do Esporte e do Estatuto do Torcedor.

Veja o que os presidentes dos grandes paulistas comentaram sobre medidas de segurança:

Mauricio Galliote (Palmeiras)

"Precisamos de solução ao crime, com leis eficientes e infratores punidos. A biometria controla quem está no estádio, mas depende da lei para que haja punição. Se a torcida organizada tem crime organizado, isso é problema da segurança pública. O clube tem de tratar todos iguais".

Modesto Roma Júnior (Santos)

"Biometria é um pedacinho, acho que deveriam investir em reconhecimento facial na entrada dos estádios, com câmeras de qualidade suficiente para reconhecer. Não adianta nada afastar o clube das torcidas organizadas. É preciso reconhecê-las como organizadas, e não como bandidagem. Tem que distinguir o infiltrado que trafica droga e incita violência. Se você se distancia das organizadas, você entrega elas ao crime organizado. A torcida organizada tem de estar perto".

Roberto de Andrade (Corinthians)

"Não podemos excluir ninguém só por ser de organizada. E quase sempre, é preciso ressaltar, os problemas de violência acontecem fora do estádio. Dentro, estamos perto de um comportamento exemplar. O clube é punido pelos problemas, sendo que não tem poder de polícia. A operação de segurança é 100% da PM e do Ministério Público, não podemos colocar o dedo em nada. Tem revista na porta do estádio e mesmo assim entra um indivíduo com sinalizador e o clube é que leva a punição".

Carlos Augusto de Barros e Silva (São Paulo)

"Sou favorável à biometria. Mas combater à violência é um processo imenso e complexo de modificação de conduta. Não adianta identificar, embora seja fundamental, se não houver um projeto sócio educativo por trás. Tivemos a invasão ao CT no ano passado, com agressão, ameaças, agravos e tensão. Hoje, o São Paulo vive outra experiência, porque conversou com organizados, sócios e comuns. Conversa essa no CT, com jogadores juntos, e que transformou ameaça em apoio. Conversamos de novo na semana passada e o resultado é expressivo, com redução do desrespeito. É preciso de regras, punições e limites. Com identificação dos culpados e trabalho da segurança pública. O comportamento grupal ilude o vândalo de que haverá anonimato acobertando as ilegalidades".

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